Review Gimmick 2: a volta da estrela que testa seus reflexos (e sua paciência)

Trinta e três anos depois, o yokai verde está de volta. No Famicom original, Gimmick era um jogo cult: física ousada e dificuldade afiada. Agora no PlayStation 5, a sequência tenta reviver aquela precisão. e na maioria das vezes, consegue.

A situação se repete: você corre por uma rampa de gelo, ganhando velocidade, enquanto a estrela quica à frente e aciona um interruptor no ar. É nesse instante que o jogo brilha. Mas também tem os outros momentos: num corredor estreito sobre espinhos, um inimigo aparece e, ao ser atingido, joga Yumetaro para trás, caindo nos espinhos. Tentativa e erro faz parte do pacote.

A versão de PS5 testada entrega visuais cartunescos encantadores e uma trilha de David Wise gravada ao vivo na Suécia. O controle, quando funciona, faz você se sentir um gênio. Quando não funciona, pode fazer você desligar o console por alguns minutos. E tá tudo bem.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • A campanha principal leva cerca de 4 horas. Com colecionáveis e true ending, vai a 11 horas. É uma experiência intensa, mas curta.
  • A dificuldade é elevada, mas justa: checkpoints frequentes e vidas infinitas aliviam a frustração. O modo Assisted dá mais saúde e plataformas maiores para quem quiser uma experiência mais tranquila.
  • A mecânica central é a estrela física: você precisa aprender a controlar seus ricochetes e a montar nela para alcançar segredos. Se você não curte repetir trechos para dominar o movimento, talvez o jogo não seja para você.
  • Não espere uma história complexa nem cenas cinematográficas. A narrativa é minimalista e serve só de pano de fundo para a ação.

1. Gimmick 2: platformer de precisão com física de estrela e desafio nostálgico

Gimmick 2 é a sequência que fãs do original esperavam, mas com algumas arestas. A grande estrela (literalmente) é a física da estrela: você a arremessa, ela quica conforme a altura, pode ser montada e usada para ativar mecanismos. É uma mecânica simples no papel, mas que gera camadas de profundidade em cada fase. Os níveis são bem desenhados, com rampas escorregadias, espinhos e segredos que exigem domínio do movimento. O ponto mais forte é o visual: arte desenhada à mão, cores vibrantes e animações fluidas. A trilha de David Wise (sim, o mesmo de Donkey Kong Country) é excelente, com temas que grudam na cabeça. Os controles respondem bem, e os checkpoints frequentes mantêm o ritmo mesmo após mortes seguidas. O ponto fraco é a duração. Com apenas seis fases, a campanha principal termina antes de você se aprofundar de verdade. Os chefes são fracos em comparação com o level design, muitas vezes resumidos a hordas de inimigos ou alvos simples. Além disso, a trajetória da estrela pode ser inconsistente em momentos críticos, causando mortes que parecem injustas. A mecânica de knockback ao ser atingido (herdada de Ninja Gaiden) também incomoda em corredores estreitos. No fim, Gimmick 2 é um prato cheio para quem sente falta de platformers exigentes e bem acabados. Para jogadores casuais ou que buscam uma campanha longa, o preço pode não compensar. Mas para os nostálgicos de plantão, cada checkpoint superado traz uma satisfação genuína.

Prós

  • Arte desenhada à mão adorável e cheia de personalidade
  • Física da estrela versátil e recompensadora quando dominada
  • Trilha sonora de David Wise gravada ao vivo, de alta qualidade
  • Checkpoints frequentes e vidas infinitas eliminam punições excessivas
  • Modo Assisted para quem quer reduzir a dificuldade sem perder a essência

Contras

  • Campanha curta: apenas 6 fases, principal leva umas 4 horas
  • Chefes fracos e pouco criativos comparados aos níveis

Como funciona a estrela?

Você está numa rampa de gelo, ganhando velocidade. Aperta o botão e a estrela voa na diagonal, quica no teto e aciona um interruptor que abre um baú escondido. É nesse instante que Gimmick 2 brilha.

A estrela é o centro de tudo. Ela vai na direção do inimigo ou do interruptor, mas o pulo do gato é a física: se atirada para o chão, quica com a mesma altura do ponto de impacto. O impulso é preservado, então você pode correr e soltar a estrela para ela voar mais longe. Dá para montar nela, ativar plataformas distantes e até usá-la como escada provisória.

O problema é que você só pode ter uma estrela ativa por vez. Se errar o ângulo ou o timing, o cooldown curto ainda pode te deixar vulnerável. Nos melhores momentos, você acerta um ricochete perfeito, sobe na estrela e alcança um baú secreto. Nos piores, a estrela bate num cantinho inesperado e você cai nos espinhos.

Dificuldade justa ou punitiva?

Gimmick 2 não te odeia. Ele exige que você aprenda os padrões, acerte pulos milimétricos e gerencie o tempo de recarga da estrela. Mas ele também não te dá um passe livre: checkpoints aparecem a cada pequeno trecho, e não há game over. Você morre e volta segundos depois, tentando de novo.

O modo Assisted aumenta a vida máxima e alarga algumas plataformas, mas não muda a essência. Quem já jogou Mega Man ou o próprio Gimmick original vai se sentir em casa. Quem vem de jogos mais relaxados pode bater a cabeça e desistir.

Um mimo visual e sonoro

A arte é um show à parte. Personagens e cenários são desenhados à mão com traços fofos e paleta vibrante. Cada mundo tem uma identidade própria: da floresta ao vulcão, passando por uma montanha gelada cheia de rampas escorregadias.

A trilha sonora, composta por David Wise e gravada ao vivo com músicos suecos, merece destaque. São melodias que grudam na cabeça e combinam perfeitamente com o clima de aventura. Em alguns momentos, você pode parar só para ouvir.

Perguntas frequentes sobre review Gimmick 2 PlayStation 5

Quanto tempo dura Gimmick 2?

A campanha principal leva cerca de 4 horas. Se você quiser pegar todos os colecionáveis e a true ending, pode chegar a 11 horas. É um jogo curto, pensado para ser zerado em poucas sessões.

É mais fácil que o original de 1992?

Sim e não. A física e o desafio foram preservados, mas checkpoints frequentes e vidas infinitas tornam a progressão menos punitiva. O modo Assisted também ajuda quem acha o original cruel demais.

Vale a pena no PS5?

Se você é fã de platformers retrô e busca um desafio recompensador, sim. A versão de PS5 roda liso, com carregamentos rápidos e suporte a HDR. Só esteja ciente de que é uma experiência curta e intensa, não um épico de 30 horas.

Tem suporte a acessibilidade?

Sim. O PS5 permite remapear controles, e há um nível de dificuldade alternativo. O jogo também oferece pausa a qualquer momento. Nada muito extenso, mas o básico para mais jogadores conseguirem jogar.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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