Ghostwire Tokyo no PS5: Tóquio sobrenatural, combate estiloso e alguns fantasmas narrativos

Shibuya vazia, névoa tóxica cobrindo arranha-céus, criaturas de pesadelo vagando pelas ruas. Ghostwire Tokyo te joga nesse cenário com um gancho simples: você é Akito, um estudante que acorda possuído pelo espírito de um caçador paranormal, KK, e precisa salvar sua irmã das garras de um cultista mascarado. A premissa é direta, mas a execução mistura ação em primeira pessoa com poderes elementares que parecem saídos de um anime de terror urbano.

Planar sobre a Shibuya Crossing iluminada por néon é de tirar o fôlego. Abaixo, criaturas sem cabeça se arrastam entre lojas abandonadas. Você aponta as mãos e dispara uma rajada de vento, depois alterna para fogo e explode um grupo em segundos. Desenvolvido pela Tango Gameworks (The Evil Within) e publicado pela Bethesda, o jogo chegou ao PS5 em março de 2022 como exclusivo temporário. A experiência inicial é eletrizante, mas depois de algumas horas o loop de purificar portões Torii e coletar milhares de espíritos começa a pesar.

A recriação de Shibuya é de tirar o fôlego, com letreiros de neon, templos escondidos em vielas e aquela sensação de solidão pós-apocalíptica que poucos jogos conseguem transmitir. O combate, inspirado em técnicas de Kuji-kiri e com movimentos de mão coreografados, é visualmente impactante e responde bem ao controle. Mas será que a campanha curta e a narrativa superficial justificam o investimento? Vamos destrinchar.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Se quer sentir o vento nas mãos enquanto arremessa rajadas contra cabeças flutuantes, o combate elemental é o grande atrativo. Não espere profundidade tática, mas a troca entre vento, fogo e água é fluida e visualmente impactante.
  • A Tóquio de Ghostwire é um personagem à parte. Explore telhados com gancho espiritual, planar entre prédios e descubra segredos em becos e lojas abandonadas. A verticalidade recompensa a curiosidade.
  • Para quem busca uma história densa e personagens marcantes, a campanha principal decepciona. O forte aqui são as missões secundárias inspiradas em folclore, como ajudar um tanuki ou libertar almas presas. Muitas são mais emocionantes que a trama central.
  • No PS5, priorize o modo performance para fluência a 60 fps. O DualSense capricha nas vibrações da chuva e nos gatilhos ao usar poderes. Em áreas densas, pode haver quedas, mas nada que comprometa a imersão.

1. Ghostwire Tokyo para PlayStation 5: Ação sobrenatural em Tóquio

Ghostwire Tokyo acerta em cheio na ambientação e no combate estiloso. Controlar Akito e seus poderes elementares (vento, fogo, água) é uma diversão imediata, especialmente quando você está planando sobre a Shibuya ou explodindo um chefe no topo de um prédio. A relação entre Akito e KK, o espírito que o possui, evolui de forma natural, com diálogos que oscilam entre tensão e humor involuntário. As missões secundárias baseadas em lendas urbanas japonesas são surpreendentemente boas: libertar uma alma no metrô abandonado ou encontrar um tanuki disfarçado de alimento rende micro-histórias que emocionam mais que a trama principal. O calcanhar de Aquiles do jogo está na narrativa central, que parece apressada e deixa pontas soltas, e no mundo aberto que, embora bonito, depende de atividades repetitivas como purificar portões e coletar mais de 240 mil espíritos. A progressão de habilidades é incremental demais, e o combate, mesmo divertido, cansa pela falta de variedade de técnicas. A campanha principal leva entre 8 e 15 horas, dependendo do ritmo, e o conteúdo completo pode chegar a 30 ou 40 horas para quem quiser fazer tudo. Para quem busca uma aventura de ação descompromissada com uma atmosfera única, Ghostwire Tokyo entrega. É um prato cheio para fãs de jogos como Control ou Infamous, que priorizam o estilo e a exploração. Já quem espera um survival horror ou uma história profunda pode sair frustrado. No PS5, o uso do DualSense é caprichado, com respostas táteis nos gatilhos e na chuva, e os carregamentos são praticamente instantâneos. A versão analisada é a base, mas a atualização gratuita Spider's Thread adiciona um modo roguelite e conteúdo extra, que estende a vida útil.

Prós

  • Ambientação imersiva e recriação detalhada de Tóquio, com destaque para Shibuya e seus letreiros de neon
  • Combate elemental visualmente impactante e intuitivo, com boa sensação de poder ao arremessar vento ou explodir inimigos
  • Missões secundárias interessantes baseadas em folclore japonês, muitas com histórias emocionantes e personagens carismáticos
  • Relação entre Akito e KK bem desenvolvida, com diálogos naturais que constroem uma parceria improvável
  • Ótimo aproveitamento do DualSense no PS5, com vibração na chuva e resistência nos gatilhos ao usar poderes

Contras

  • Narrativa principal rasa e final insatisfatório, com vilão Hannya pouco explorado e ausente na maior parte do jogo
  • Mundo aberto repetitivo: purificar portões, coletar espíritos, enfrentar os mesmos tipos de inimigo em loop

Combate e exploração: o que esperar do gameplay

Ghostwire Tokyo não é um jogo de tiro tradicional. Você tem três elementos (vento, fogo, água) com funções distintas: vento para disparos rápidos e dano médio, fogo para explosões em área, água para projéteis de precisão. Arco e talismãs completam o arsenal. A troca entre poderes é fluida, e o sistema de núcleo exposto dos inimigos incentiva mirar nos pontos fracos após desgastá-los. Isso dá um ritmo interessante: você desfere rajadas, espera a abertura e finaliza com um selamento. Mas a verdade é que, depois de algumas horas, a maioria dos embates se resolve recuando e atirando. A furtividade existe com eliminação silenciosa por trás, mas o jogo raramente a exige. Você pode passar a campanha inteira sem usá-la.

A exploração é um dos pontos altos. Planar de rooftops, usar o gancho espiritual para subir em prédios e descobrir segredos nos telhados cria uma sensação de liberdade vertical. A cidade é densa, cheia de becos, lojas abandonadas e templos. Cada área liberada após purificar um portão Torii revela novas coleções e missões. Alimentar cães de rua dá recompensas, encontrar tanukis escondidos rende itens especiais, e libertar espíritos presos em pontos específicos conta micro-histórias emocionantes. Esses momentos são o coração do jogo, muito mais marcantes que a trama principal. Exemplo: em uma side quest, você ajuda um fantasma a completar seu pedido de compras, revelando uma história de amor e perda.

Duração e conteúdo adicional

A campanha principal pode ser concluída em cerca de 8 a 15 horas, dependendo do seu ritmo e se você faz algumas side quests. Para quem quer ver tudo, todas as missões secundárias, colecionáveis e os mais de 240 mil espíritos, prepare-se para entre 20 e 40 horas. A atualização gratuita Spider's Thread adiciona uma nova área (uma escola), mais missões, inimigos e um modo roguelite chamado O Fio da Aranha, que oferece desafios com progressão própria. Esse extra é um bom incentivo para quem já zerou o jogo, mas não transforma a experiência base em um título com conteúdo infinito.

O pós-campanha é basicamente completar o que ficou pendente. Não há New Game+ ou multiplayer. A rejogabilidade fica por conta do modo roguelite e da vontade de ver todas as side quests, que realmente valem a pena. Se você é do tipo que gosta de coletar tudo, vai se sentir recompensado pela variedade de encontros e histórias espalhadas por Tóquio.

Perguntas frequentes sobre review Ghostwire Tokyo PlayStation 5

Ghostwire Tokyo é um jogo de terror?

Não exatamente. Embora tenha elementos sobrenaturais e uma atmosfera macabra, o foco é na ação em primeira pessoa com poderes elementares. Quem busca sustos ou survival horror vai encontrar um jogo mais voltado para combate estiloso do que para medo.

Vale a pena jogar no PS5?

Sim, especialmente pela integração com o DualSense e os carregamentos rápidos. A versão de PS5 roda a 60 fps no modo performance e tem suporte a 4K no modo fidelidade. Se você tem a opção de jogar no PC, a performance pode ser similar, mas a imersão tátil é exclusiva do PlayStation.

Quanto tempo dura Ghostwire Tokyo?

A campanha principal leva entre 8 e 15 horas. Completando side quests e colecionáveis, o tempo dobra para 20 a 40 horas. A atualização Spider's Thread adiciona algumas horas extras com o modo roguelite.

Precisa jogar outros jogos da Tango Gameworks para entender?

Não. Ghostwire Tokyo é uma história independente, sem conexão com The Evil Within ou outros títulos do estúdio. Você pode jogar sem conhecimento prévio.

Nossas recomendações ajudaram você a escolher?

Conheça nossos especialistas

Especialista editorial

Especialista editorial

Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

Equipe de redação

O Quarto Nerd

Produção de conteúdo baseada em análise independente, curadoria especializada e comparação de produtos para apoiar decisões de compra mais claras.

Artigos relacionados

O que você está procurando?

Digite pelo menos 3 caracteres para começar a busca.