Review Ghostrunner 2 (PS5): velocidade, punição e neon em estado bruto

O som da katana cortando o ar, o brilho neon refletindo no capacete, e então o estalo do respawn. Ghostrunner 2 me colocou de volta em Dharma Tower com a mesma promessa: velocidade e morte instantânea. Um ano depois da queda do Keymaster, Jack encara a facção Asura, e cada deslize custa caro. Mas a sequência não se contenta em repetir a fórmula. Novas habilidades como Shadow, Flux e Blink transformam cada confronto em um quebra-cabeça de reflexos. E tem a moto: perseguições em túneis que apertam o peito. Só que no PS5, a imagem embaça e bugs de colisão te lembram que nem tudo são flores. Será que vale o ingresso? Vamos por partes.

A proposta é a mesma do original: um golpe e você morre, um golpe e o inimigo morre. A diferença é que agora as opções táticas explodiram. Invisibilidade, laser, estrelas giratórias e um dash que perfura. Tudo isso enquanto a trilha synthwave acelera o coração. Mas o PS5 entrega uma imagem que parece fruto de upscaling preguiçoso, e alguns bugs de colisão podem te fazer perder o ritmo. Ainda assim, quando o jogo acerta, a sensação de domínio é viciante.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Ghostrunner 2 não dá trégua. Morrer é constante, e repetir trechos faz parte do ciclo. Se isso te irrita, talvez não seja o jogo para você.
  • A campanha principal rende de 8 a 14 horas, e o modo RogueRunner.exe estica a vida útil com desafios roguelike.
  • Espere um desafio puro: reflexos afiados e padrões para decorar. História profunda? Quase nenhuma.
  • No PS5, os três modos gráficos sofrem com upscaling que embaça a imagem. Escolha o que preferir, mas não espere nitidez perfeita.

1. Ghostrunner 2 para PlayStation 5. ação ciberpunk em primeira pessoa com parkour e morte instantânea

Saltar de um duto de ventilação, deslizar por um cabo, desviar de uma rajada e acertar o inimigo com uma shuriken antes de cortá-lo com a katana. Essa sequência de movimentos é o coração de Ghostrunner 2. A One More Level manteve a essência do original (parkour em primeira pessoa que combina Mirror's Edge com Hotline Miami) e adicionou camadas que fazem cada confronto parecer um quebra-cabeça mortal. A moto, por exemplo, começa como um mero veículo e se transforma em momentos de perseguição de dar frio na barriga: saltar sobre obstáculos, desviar de tiros e usar o gancho para puxar inimigos enquanto a trilha synthwave acelera o coração. O sistema de chips de upgrade também voltou, agora com trade-offs mais claros. Quer mais dano? Ok, mas sua stamina vai sofrer. Escolhas que realmente importam. Porém, a convivência com o PS5 nem sempre é pacífica. Em todos os modos gráficos, a imagem parece fruto de um upscaling preguiçoso: os refletores neon perdem definição, e texturas distantes embaçam. Não chega a destruir a experiência, mas incomoda, especialmente num gênero que exige leitura rápida do cenário. Juntando a isso, bugs de colisão que te fazem morrer preso em um parapeito inexistente e uma ou outra queda de frame em áreas mais carregadas. São tropeços que quebram o flow, e num jogo onde morrer é constante, cada engasgo técnico vira motivo de irritação. A campanha principal gira em torno de 8 a 14 horas, dependendo de quantas vezes você se perde nos desvios e colecionáveis. Para quem quer mais, o modo RogueRunner.exe é um roguelike que troca a progressão linear por vidas limitadas e upgrades aleatórios (um prato cheio para speedrunners e viciados em replay). O problema é que algumas seções parecem filler, especialmente no meio do jogo, quando a estrutura de hub e missões perde um pouco o ímpeto. Ainda assim, quando Ghostrunner 2 acerta, acerta feio: a sensação de limpar uma arena sem tomar um tiro, usando todas as ferramentas disponíveis, é uma das melhores que o gênero pode oferecer.

Prós

  • Parkour fluido e combate letal que recompensa precisão
  • Novas habilidades (Shadow, Flux, Blink, Shuriken) ampliam as possibilidades táticas
  • Seções de moto emocionantes e bem integradas
  • Modo RogueRunner.exe adiciona rejogabilidade significativa
  • Trilha synthwave marcante e direção de arte cyberpunk deslumbrante

Contras

  • Qualidade de imagem no PS5 decepciona em todos os modos gráficos
  • Bugs de colisão ambiental que forçam reinícios frequentes

Combate e parkour: a dança da morte em primeira pessoa

Um corrimão, um pulo, um Sensory Boost, uma shuriken, e o inimigo cai. A coreografia de Ghostrunner 2 é feita de movimentos precisos e decisões em frações de segundo. A física do personagem é ágil e responsiva, e o bloqueio ativo (que substitui o antigo parry) ajuda a sobreviver em confrontos com múltiplos inimigos. Agora você pode repelir tiros e desviar de ataques corpo a corpo, desde que tenha stamina. Isso força um gerenciamento mais cuidadoso: gastar tudo no dash pode te deixar vulnerável na hora errada. O ritmo das batalhas lembra um quebra-cabeça de reação: cada inimigo tem um padrão, e você precisa encaixar a habilidade certa no momento exato. Quando o plano funciona, a sensação de controle é eletrizante. Quando falha, você volta ao checkpoint em segundos, respawns instantâneos que mantêm a adrenalina alta.

Moto e não linearidade: Dharma Tower ficou maior

A moto rouba a cena. As seções veiculares trazem perseguições em alta velocidade por túneis iluminados por neon, com saltos, grappling e combate sobre rodas. Não espere simulação: é puro arcade, com manobras exageradas e uma sensação de velocidade que casa perfeitamente com a trilha synthwave. A moto também serve como transporte em fases semiabertas fora da torre, onde você pode explorar rotas alternativas e segredos. Esses trechos quebram a monotonia dos corredores fechados e dão uma respirada antes do próximo combate intenso. O problema é que a física da moto às vezes parece imprecisa, principalmente em curvas fechadas, e alguns pulos podem resultar em colisões estranhas que te teletransportam de volta. Nada que estrague a diversão, mas quebra um pouco a imersão.

Ritmo irregular e o preço da ousadia

Querer ser maior tem seu preço. Ghostrunner 2 tenta expandir o escopo e, na maior parte, consegue. Mas a campanha tem momentos brilhantes, como a batalha final de moto e alguns chefes realmente criativos, intercalados com trechos que parecem filler. Fases inteiras no meio do jogo repetem encontros sem trazer novidades mecânicas, e o hub (uma área central entre missões) tenta dar profundidade à narrativa, mas os diálogos são esquecíveis e os personagens, caricatos. Quem veio pela história vai sair frustrado. O modo RogueRunner.exe salva a rejogabilidade, oferecendo um loop roguelike que combina melhor com a proposta do que a campanha linear. Se você for do tipo que adora decorar rotas e otimizar cada segundo, vai encontrar dezenas de horas aqui. Para quem só quer passar o fim de semana, o pacote pode parecer caro pela duração.

Perguntas frequentes sobre review Ghostrunner 2 PlayStation 5

Ghostrunner 2 é mais difícil que o primeiro?

Sim, e não é pouco. Inimigos mais espertos, bloqueios que exigem timing milimétrico e múltiplos inimigos que parecem um exército. Mas os checkpoints frequentes aliviam o sofrimento.

Vale a pena jogar no PS5?

Depende da sua tolerância com qualidade de imagem. O jogo roda bem, mas o upscaling para 4K deixa a imagem borrada em todos os modos. Se você tem um bom monitor ou TV, vai notar a diferença. Ainda assim, o gameplay é excelente e os controles são responsivos.

Quanto tempo dura a campanha principal?

A campanha principal leva entre 8 e 14 horas, dependendo do seu ritmo e quantas vezes você morre. Para 100% com colecionáveis e desafios, pode chegar a 20 horas. Além disso, o modo RogueRunner.exe oferece várias horas extras.

Preciso ter jogado o primeiro Ghostrunner?

Não é obrigatório, mas ajuda muito. A história continua diretamente do primeiro jogo, e a mecânica básica é a mesma. Se você nunca jogou um Ghostrunner, prepare-se para uma curva de aprendizado íngreme.

O modo RogueRunner.exe é bom?

Sim, é um roguelike com vidas limitadas e upgrades aleatórios que muda completamente o ritmo do jogo. Ideal para quem busca rejogabilidade e desafios extras. Ele é desbloqueado após a quarta missão da campanha.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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