Você herda um food truck, uma lista de receitas e a missão de reunir os amigos da sua avó para um banquete de despedida. A ideia é simples: dirigir por três ilhas, colher ingredientes, cozinhar sem pressa e servir pratos que emocionam. Fruitbus chega ao PS5 em junho de 2025 querendo ser aquele jogo que você liga depois de um dia cansativo, com cores vibrantes, bichos falantes e uma trilha sonora aconchegante.
Só que ninguém avisou que o caminhão tem alma própria. A física de direção é tão imprevisível que cada curva vira uma aposta. Você está tranquilo, indo buscar cogumelos, e de repente o Fruitbus sai desgovernado, capotando no meio do pasto. E quando você finalmente estaciona, descobre que o inventário só carrega dois itens por vez. Aí começa a verdadeira aventura: decidir se a paciência vale o prato.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Fruitbus é um jogo de aventura e culinária em primeira pessoa, ideal para quem busca uma experiência relaxante.
- A história principal dura cerca de 15 horas, mas explorar tudo pode levar até 28 horas.
- O jogo utiliza os recursos do DualSense, como feedback tátil ao cortar ingredientes e gatilhos adaptáveis.
- Não espere ação intensa: o ritmo é lento, focado em coleta, cozimento e conversas com personagens.
- Bugs e quedas de frame rate foram relatados na versão PS5, especialmente durante a direção.
1. Fruitbus (PlayStation 5) – Aventura culinária com alma e defeitos
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Fruitbus começa com uma cena que já mostra o tom: sua avó morreu, mas deixou um food truck e uma lista de amigos para você alimentar. A narrativa é o ponto mais forte do jogo, com texto divertido e sensibilidade. Cada personagem animal tem gostos e manias, e os diálogos revelam camadas que vão da doçura à acidez (a vó não era nenhuma santa). A motivação de preparar um banquete de despedida funciona como cola emocional para as tarefas, que misturam exploração, coleta e culinária experimental. O loop básico é simples: estacione, desça, procure ingredientes pela natureza, volte ao truck, cozinhe seguindo receitas ou testando combinações, e sirva para os fregueses. Não há temporizadores ou pressão. O jogo quer que você relaxe enquanto descobre que combinação de frutas derrete o coração de uma raposa ou que peixe enfeitiça uma coruja. O sistema de cozinha é criativo e recompensa testar coisas. O DualSense entra bem nessa: a vibração ao fatiar uma cebola ou o gatilho mais firme ao misturar a massa dão uma sensação legal de imersão. O problema está no que não é cozinhar. Dirigir o Fruitbus é uma experiência que oscila entre o cômico e o frustrante. A física parece que o caminhão está sempre sobre gelo: o turbo descontrola, a curva é larga, e qualquer terreno irregular transforma o trajeto numa dança desengonçada. Some a isso a falta de um mapa de recursos e um inventário que no começo só carrega dois itens por vez, e você terá idas e voltas para coletar ingredientes que viram uma chatice. A performance também não ajuda: quedas de frame rate aparecem, especialmente ao dirigir, e bugs como itens que desaparecem ou saves corrompidos foram relatados por vários jogadores (e por nós na prática). Apesar disso, Fruitbus tem um charme teimoso. Os visuais são fofos, as cores das ilhas (Breezy Bay, Frosty Pines, Banamas) convidam à exploração, e as interações com os moradores locais são genuinamente engraçadas. Para quem busca um jogo para desligar o cérebro e se envolver numa história bonita, ele entrega o que promete. Mas se você não tem paciência para direção molenga, objetivos vagos e bugs eventuais, o encanto pode evaporar antes da primeira refeição.
Prós
- História emocionante e bem escrita, com personagens animais carismáticos
- Sistema de culinária criativo e sem pressão, incentivando experimentação
- Ótimo uso do DualSense com feedback tátil e gatilhos adaptáveis
- Arte charmosa e atmosfera acolhedora, ideal para relaxar
- Boa duração: cerca de 15 a 28 horas dependendo do estilo de jogo
Contras
- Direção com física problemática, que tira o prazer de explorar
- Bugs frequentes: itens que somem, travamentos e quedas de frame rate
Cozinhar sem relógio: o melhor do loop de Fruitbus
Você está numa clareira em Banamas, com cocos e bananas na mão. Não tem receita. Joga tudo na panela e torce para dar certo. O prato pode ficar horrível, mas o cliente ainda vai rir. Essa liberdade é o que mantém o jogo vivo. Cada ilha oferece ingredientes diferentes: frutas tropicais, cogumelos, peixes. Você aprende na prática o que cada bicho gosta, e acertar de primeira é uma pequena vitória.
O DualSense ajuda a sentir cada corte e cada mistura. A vibração muda conforme o ingrediente, e os gatilhos oferecem resistência ao mexer a panela. São detalhes que conectam a experiência ao mundo físico e tornam o ato de cozinhar mais tátil. Se o jogo tivesse apenas essa parte, seria mais fácil recomendá-lo de olhos fechados.
Uma história que vale o combustível
Não espere um enredo complexo. Fruitbus aposta no coração e acerta. Aos poucos, você descobre que a avó não era uma cozinheira perfeita: ela tinha seus defeitos, suas brigas, seus amores mal resolvidos. Cada missão desbloqueia um flashback ou um diálogo que revela mais sobre ela e os amigos que ficaram. Os personagens animais são escritos com personalidade e humor, e até a loja de melhorias do truck tem um gato filósofo que solta pérolas.
O jogo não tem medo de ser melancólico. O luto é tratado com leveza, mas sem açúcar. Você sente falta da avó mesmo sem nunca tê-la conhecido de verdade, e isso é mérito do texto. Para quem curte narrativas emocionantes em jogos como Spiritfarer ou A Short Hike, Fruitbus entrega um soco no estômago disfarçado de torta de maçã.
Por que o volante treme (e o quadro também)
Fruitbus tentou fazer da direção uma parte central, mas o resultado é instável. O caminhão parece flutuar, o turbo joga o veículo para os lados, e qualquer subida de morro vira um exercício de paciência. Além disso, a câmera em primeira pessoa pode causar desconforto em jogadores sensíveis a enjoo, especialmente durante os solavancos off-road. A falta de um minimapa ou de marcadores para ingredientes específicos torna a exploração mais tentativa e erro do que descoberta.
E os bugs? É difícil ignorar. Itens que somem do inventário, missões que não progridem e quedas de frame rate (especialmente ao dirigir) foram reportados na versão PS5. A desenvolvedora tem lançado patches, mas no momento da análise o jogo ainda não estava 100% polido. Se você é do tipo que perde a paciência com falhas técnicas, talvez seja melhor esperar mais algumas atualizações antes de embarcar nessa jornada.
Perguntas frequentes sobre review Fruitbus PlayStation 5
Fruitbus tem modo multiplayer?
Não. Fruitbus é exclusivamente single player, focado numa jornada pessoal e emocional. Não há cooperativo local ou online.
O jogo roda bem no PS5?
De forma geral sim, mas há quedas de frame rate perceptíveis, principalmente durante a direção. Também foram relatados bugs como itens que desaparecem. Nada que impeça de jogar, mas quebra um pouco a imersão.
Quanto tempo leva para zerar Fruitbus?
A história principal leva cerca de 15 horas. Se quiser fazer todas as missões secundárias e explorar cada ilha, prepare umas 21 horas. Para o 100%, aproximadamente 28 horas.
Vale a pena jogar no controle? O DualSense faz diferença?
Sim, o uso do DualSense é um dos pontos altos. O feedback tátil ao cortar ingredientes e os gatilhos adaptáveis ao cozinhar trazem uma camada extra de imersão que faz falta em outras plataformas.
O jogo é muito difícil?
Não. Fruitbus é propositalmente relaxante, sem temporizadores ou combates. A dificuldade está mais em encontrar certos ingredientes sem um mapa claro e em lidar com a física da direção. Nada que exija reflexos rápidos.
