Review Forgive Me Father no PS4: caos lovecraftiano com estilo de quadrinhos

Com cada inimigo abatido, a barra de insanidade sobe. O vermelho do sangue desbota para cinza, a trilha se distorce em ruído metálico. Você está no centro de um corredor infestado de cultistas, a espingarda quente na mão, e sabe que o próximo passo pode ser o último. Forgive Me Father não esconde suas inspirações: Doom, Quake, o traço de uma HQ de terror.

A Byte Barrel e a Fulqrum Publishing trouxeram o jogo para consoles em setembro de 2023. No PC, já era elogiado pela personalidade visual; no PS4, a pergunta é se a experiência se mantém. Com um estilo gráfico de quadrinhos desenhado à mão e uma atmosfera lovecraftiana densa, ele tenta fisgar saudosistas e fãs de horror cósmico. Mas, como todo bom boomer shooter, o diabo mora nos detalhes.

Você passa cerca de sete horas correndo por corredores apertados, coletando chaves coloridas e abrindo portas secretas. O combate é rápido, sem recarga manual. cada tiro conta. A mecânica de insanidade? Você mata, a barra enche, o dano aumenta, mas a tela se desfoca e os inimigos ficam mais agressivos. É uma troca que, nos melhores momentos, faz você se sentir um deus do caos.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Se você cresceu com Doom e Quake, vai se sentir em casa. O foco é velocidade, não cobertura.
  • Checkpoints são raros em dificuldades altas. prepare-se para refazer trechos longos se morrer.
  • No PS4, há congelamentos de 1 a 5 segundos após carregamentos e em algumas lutas de chefe. Incomoda, mas não quebra o jogo.
  • A história é fraca e contada por documentos; o final tem uma reviravolta, mas não espere enredo profundo.
  • O visual de quadrinhos é deslumbrante: personagens 2D em cenários 3D criam uma identidade única.

1. Forgive Me Father (PS4). Versão Europa

Forgive Me Father acerta em cheio no quesito personalidade. A arte de quadrinhos com personagens 2D em cenários 3D é hipnotizante. ver cultistas se contorcendo enquanto a insanidade distorce o mundo é um espetáculo. Os dois personagens jogáveis. padre e jornalista. têm árvores de habilidades distintas, e as armas podem ser transformadas em versões absurdas: o revólver vira metralhadora, a espingarda ganha tiro carregado. O combate é responsivo, e a sensação de acelerar pelos corredores atirando em hordas lovecraftianas é genuinamente divertida. Mas o port para PS4 tem seus problemas. Pequenos congelamentos de 1 a 5 segundos após carregamentos atrapalham o ritmo, e as seções finais sofrem com plataformas mal implementadas e uma física de conveyor belts que parece de outro jogo. A impossibilidade de trocar de arma durante a recarga. você fica segurando o botão enquanto a horda se aproxima. continua irritando, desde o early access. Ainda assim, para quem busca um FPS frenético e não liga para uma história esquecível, Forgive Me Father entrega caos, sangue e tinta.

Prós

  • Arte de quadrinhos desenhada à mão, visualmente deslumbrante
  • Combate rápido e responsivo, com upgrades que transformam armas
  • Dois personagens com habilidades distintas aumentam a rejogabilidade
  • Trilha sonora imersiva que mescla tensão e metal
  • Modo Endless para quem quer mais ação após a campanha

Contras

  • Checkpoints raros podem causar frustração em trechos longos
  • Pequenos congelamentos de performance no PS4

O combate que homenageia os clássicos

Imagina: você vira a esquina e vê um zumbi de duas cabeças. Um tiro de espingarda arranca uma delas, e ele continua vindo. Aí você lembra que a fraqueza dele é a cabeça extra. mire e atire de novo. O gunplay de Forgive Me Father é direto, sem firulas: cada arma tem peso e som distintos, e os upgrades podem transformar o revólver em metralhadora ou dar à espingarda um tiro carregado que espalha destruição. A mecânica de insanidade é o tempero: quanto mais você mata, mais forte fica, mas o mundo ao redor se desfaz em preto e branco e a música distorce. É um incentivo para manter o ritmo acelerado, mas a barra esvazia rápido demais entre confrontos, fazendo o efeito perder impacto em áreas mais calmas.

Os itens especiais. cigarro que desacelera o tempo, câmera que congela inimigos, espada que cura ao matar. adicionam camadas táticas. Usar a lanterna impede de atirar, o que em fases escuras vira um entrave. E a impossibilidade de trocar de arma enquanto recarrega é um erro de design que o early access já apontava e que não foi corrigido. Você fica preso, segurando o botão, enquanto a horda te cerca. Atrapalha, mas não enterra a diversão.

Os percalços técnicos do PS4

Os congelamentos de 1 a 5 segundos acontecem depois de cada carregamento de fase. A tela trava, a música corta, e você fica ali, esperando. Não quebra o jogo, mas quebra o clima. Nas batalhas contra chefes. como o 'Big Ugly Fish'. a instabilidade aparece de novo. As fases finais, com plataformas estreitas e conveyor belts de física duvidosa, são um teste de paciência: você escorrega, cai no vazio, e volta ao checkpoint anterior. É a parte mais fraca de uma campanha que, no meio, chega a ser excelente.

Se você tem um PS5, a retrocompatibilidade suaviza alguns desses problemas, mas a instabilidade ainda aparece. A localização para português está presente, com legendas claras; os nomes dos inimigos ficaram em inglês, detalhe menor. No geral, é um jogo claramente pensado para PC, mas que cumpre o papel nos consoles para quem não abre mão do sofá.

Perguntas frequentes sobre review Forgive Me Father PlayStation 4

Forgive Me Father tem suporte a português?

Sim, o jogo conta com legendas em português do Brasil. Os nomes dos inimigos e termos específicos permanecem em inglês, mas a tradução é competente.

Quanto tempo dura a campanha?

A campanha principal leva cerca de 7 horas. Para fazer 100% (segredos, todos os upgrades, modo Endless), espere um total de 14 horas.

O jogo funciona bem no PS4?

Na maior parte do tempo, sim. Há pequenos congelamentos após carregamentos e em momentos específicos, mas nada que impeça a diversão. As seções finais com plataformas são as mais problemáticas.

É possível jogar no PS5?

Sim, por retrocompatibilidade. O desempenho melhora, mas ainda podem ocorrer instabilidades pontuais.

Forgive Me Father é assustador?

Mais tenso do que assustador. A atmosfera lovecraftiana e a distorção visual da insanidade criam momentos de apreensão, mas o foco está na ação frenética, não no terror psicológico.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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