O asilo range. A lanterna pisca. Na penumbra, algo se move. Uma criatura de olhos esbugalhados surge das sombras, e cada headshot com a escopeta estilhaça a tela em um rabisco de nanquim. Forgive Me Father 2 não tenta te convencer com realismo; ele te joga em um pesadelo lovecraftiano desenhado à mão, onde a ação é o único remédio.
Byte Barrel e Fulqrum Publishing trouxeram a sequência ao PS5 em setembro de 2025. A história? Fragmentos: cartas, documentos, sussurros. Nada que te distraia do que importa: atirar, desviar, atirar de novo.
Peguei o controle e mergulhei. Morri, ri, me frustrei com checkpoints punitivos e me maravilhei com a direção de arte. O resultado é um jogo que entende o que faz um boomer shooter funcionar, mas tropeça em detalhes que podem afastar os mais exigentes. Sem rodeios.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- O PS5 entrega o jogo, mas não espere fluidez. Quedas de FPS aparecem justo nos momentos mais caóticos.
- Fãs de Doom, Quake, Dusk ou qualquer FPS frenético dos anos 90 vão se sentir em casa. O combate e o arsenal são o ponto alto.
- A campanha é curta: 6 a 10 horas, com alguns níveis que parecem preenchidos às pressas. Se busca uma jornada longa, talvez não seja o ideal.
- Não há legendas em português. Os textos e diálogos estão em inglês, o que pode ser um obstáculo se você depende de tradução.
- O sistema de perks é restritivo: apenas 3 slots para 40 habilidades. Você terá que escolher com cuidado, e isso frustra quem gosta de experimentar.
1. Forgive Me Father 2 (PS5): boomer shooter lovecraftiano com visual de quadrinhos e ação intensa
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O primeiro impacto é visual: cada cenário é um quadrinho vivo, com traços grossos e cores vibrantes. Asilos sujos, trincheiras da Primeira Guerra, geometrias não-euclidianas. tudo ganha profundidade com iluminação dinâmica. A trilha de metal pesado entra nos momentos certos, acelerando o ritmo. O arsenal é o coração do jogo. Uma escopeta que estraçalha, um rifle teleguiado, um peixe que cospe espinhos, um morteiro insetoide. Cada arma tem variações lovecraftianas que mudam o comportamento. Munição escassa força trocas constantes, e o sistema de loucura adiciona risco: ativar a barra dá poderes temporários, mas corrompe os inimigos, tornando-os mais agressivos. O PS5 empaca quando mais importa: no meio do combate. Quedas de quadro são comuns em áreas com muitos inimigos, e a fluidez nunca é estável. Em um gênero que exige reflexos, isso incomoda. Os checkpoints são punitivos, e a ausência de legendas em português limita o público. Para quem ama boomer shooters, Forgive Me Father 2 entrega uma experiência visual e sonora única, com combate crocante e armas inventivas. Se você releva a performance instável, vai encontrar aqui um dos FPS mais criativos dos últimos anos. Para quem prioriza fluidez e conteúdo extenso, a versão de PC é mais polida.
Prós
- Visual de quadrinhos deslumbrante, com traços marcantes e iluminação sofisticada
- Arsenal criativo com variações lovecraftianas: cada arma é uma surpresa
- Combate frenético e satisfatório, com feedback de tiro poderoso
- Trilha sonora de metal que intensifica a ação
- Sistema de loucura adiciona risco e recompensa ao gameplay
Contras
- Desempenho instável no PS5: quedas de FPS e falta de fluidez consistente
- Campanha de 6 a 10 horas com alguns níveis repetitivos
O visual que imita quadrinhos (e vai te hipnotizar)
A arte te agarra pelo pescoço antes mesmo de você atirar. Cada personagem, cada criatura, cada parede parece desenhada a nanquim, com contornos pretos grossos e paletas ousadas. A iluminação dinâmica do motor gráfico dá profundidade sem perder a identidade de HQ underground. Você passa por asilos sujos, trincheiras, estações subterrâneas e reinos de geometria não-euclidiana, tudo com coerência visual. A trilha de metal com guitarras elétricas e bateria frenética entra nos momentos certos, transformando cada arena em um show.
É o tipo de direção de arte que faz você querer parar para admirar, mas o jogo não deixa. Inimigos vêm de todos os lados, e a lanterna precisa ser recarregada, adicionando tensão em ambientes escuros. O resultado é uma atmosfera lovecraftiana que funciona tanto pelo visual quanto pelo som.
Combate e arsenal: a alma do boomer shooter
Movimento rápido, inimigos que explodem em pedaços, armas que vão do convencional ao absurdo. A escopeta tem um recarregar pesado, o rifle derruba cabeças à distância, e as variações lovecraftianas. como o peixe que cospe espinhos e o obelisco railgun. transformam o combate em uma caixa de surpresas. Munição escassa força trocas constantes, evitando acomodação.
O sistema de loucura é outro trunfo. Conforme você mata, uma barra enche; ao ativá-la, ganha poderes temporários como roubar vida ou matar com o olhar. Mas usar a loucura acelera a corrupção dos inimigos, que se tornam mais agressivos. É um risco calculado que mantém a tensão.
O ponto fraco é o sistema de perks. São 40 habilidades disponíveis, mas apenas três slots (ativas ou passivas). Isso força escolhas difíceis, mas frustra: muitas habilidades ficam de fora, reduzindo a rejogabilidade. Em um gênero que celebra experimentação, essa trava é um pecado.
Desempenho no PS5: o calo no sapato
O PS5 empaca quando mais importa: no meio do combate. Quedas de quadro são comuns em áreas com muitos inimigos ou fases abertas. Durante os tiroteios mais intensos, o jogo claramente luta para se manter fluido, e os engasgos atrapalham a precisão dos reflexos. Não é um desastre completo. o jogo continua jogável -, mas para um gênero que depende de fluidez, é um ponto de atenção.
Os checkpoints são punitivos: morrer pode te fazer perder vários minutos de progresso, e em algumas áreas com death loops, a frustração aumenta. A ausência de legendas em português também é uma barreira, já que a história, embora minimalista, depende de textos para contextualizar. O jogo não aproveita funcionalidades do DualSense, o que é uma pena, mas não chega a ser grave.
Para quem é Forgive Me Father 2 no PS5?
Se a nostalgia pede ação desenfreada, você está no lugar certo. O visual de quadrinhos, as armas criativas e a trilha sonora de metal criam uma experiência que poucos indies conseguem igualar. A campanha pode ser curta, mas o New Game+ e segredos incentivam uma segunda passada.
Agora, se você prioriza narrativa complexa, performance impecável ou localização em português, talvez não seja a melhor escolha. A versão de PS5 está em um estado que pode frustrar, e a falta de suporte ao português é um obstáculo real. Para esses casos, a versão de PC oferece mais estabilidade. Dito isso, se você releva os defeitos e quer um boomer shooter com personalidade, vale o mergulho no caos lovecraftiano.
Perguntas frequentes sobre review Forgive Me Father 2 PlayStation 5
Preciso jogar o primeiro Forgive Me Father para entender a história?
Não. A história é minimalista e contada por cartas e documentos. O jogo funciona bem como experiência independente.
Tem legendas em português?
Não. O jogo não possui localização em português brasileiro. Todos os textos e diálogos estão em inglês.
O desempenho no PS5 é problemático?
Sim, em alguns momentos. O jogo sofre com quedas frequentes de FPS, especialmente em combates intensos. Não espere fluidez consistente.
Quanto tempo dura a campanha?
A campanha principal dura entre 6 e 10 horas. Com segredos e New Game+, pode chegar a 16 horas.
Vale a pena comprar no PS5 ou é melhor no PC?
O PC roda melhor, sem dúvida. Mas se você só tem PS5 e tolera instabilidade, a experiência ainda vale.
