Conrad pisa em Neo Washington e o saudosismo aperta. Trinta e um anos depois do original, Flashback 2 tenta reviver aquela magia com cenários cyberpunk, cutscenes em quadrinhos e uma trilha que acerta o tom. Mas basta o primeiro tiroteio para a nostalgia dar lugar à frustração.
Paul Cuisset e a Microids Studio Paris trouxeram de volta o herói Conrad B. Hart em busca do amigo Ian, enfrentando os Morphs no século 22. A arma com IA A.I.S.H.A. retorna, e boas ideias como os minijogos de hackear e a pilotagem de mecha estão lá. O problema é que tudo ao redor parece ter saído de 1992, e não no bom sentido.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Prepare-se para engolir sapo se sua tolerância a controles imprecisos e combate repetitivo for baixa.
- A campanha leva umas 6 horas, mas cada uma pode exigir paciência de monge.
- O jogo busca 60 FPS, mas engasga com muitos inimigos na tela. Bugs de colisão são rotina.
- A atualização de junho de 2024 ajudou um pouco, mas não milagres.
1. Flashback 2 para PlayStation 5: uma carta de amor que não chega ao destino
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Flashback 2 é, acima de tudo, um exercício de nostalgia. A abertura já joga o jogador de volta ao universo de Conrad com aquela estética que mescla cenários 2.5D e cutscenes em quadrinhos. A ambientação cyberpunk, Neo Washington, selvas, estações espaciais, tem personalidade, e a trilha sonora de Raphaël Gesqua segura bem o tom. Os minijogos de hackear portas (aquele clássico de mover blocos) e as batalhas de mecha são genuinamente divertidos e quebram a mesmice dos tiroteios. O problema começa quando você precisa atirar. A mira por analógico em perspectiva 2.5D é imprecisa, a pistola tem munição infinita mas uma recarga longa de 20 tiros, e os inimigos que surgem em hordas têm inteligência praticamente nula. A dificuldade não vem de estratégia, mas de quantidade bruta. Você morre, respawna no mesmo lugar com vida cheia e repete o ciclo até passar. Em alguns momentos, inimigos voadores são um pesadelo de acertar. E quando um power-up aparece, ele dura 30 segundos, tempo insuficiente para fazer diferença. Os bugs comprometem a fluidez. Conrad fica preso em portas, cai pelo chão, a arma para de funcionar do nada. Em uma das sessões, precisei reiniciar o jogo por causa de um erro de script. A história, que tenta conectar tudo com diálogos expositivos entre Conrad e A.I.S.H.A., soa dispersa e às vezes cômica sem intenção. As faces dos personagens nas cutscenes parecem geradas por IA, sem expressão. Apesar de tudo, há charme aqui. Os fãs do Flashback original vão reconhecer elementos como os elevadores, terminais e a movimentação que tenta replicar o clássico. As atualizações de junho de 2024 melhoraram os controles e o sistema de save, mas o problema central no combate e na IA permanece. Flashback 2 é para quem topa deixar passar muita coisa em nome da saudade. Para quem busca um shooter moderno e polido, a decepção é garantida.
Prós
- Ambientes variados com estética cyberpunk marcante
- Trilha sonora e dublagem que casam bem com a proposta
- Minijogos de hackear e batalhas de mecha são divertidos
- Atualização de junho de 2024 melhorou controles e saves
Contras
- Combate frustrante com mira imprecisa e IA inimiga ruim
- Bugs frequentes: personagem preso, tela preta, arma falhando
Controles e combate: onde a nostalgia vira obstáculo
No primeiro encontro com inimigos voadores, a frustração já aperta. A mira desliza, a recarga da pistola parece eterna, e os Morphs spawnam sem estratégia. Você morre, revive no mesmo lugar com vida cheia, e repete até passar. Não há tática, só teimosia.
Os power-ups de 30 segundos são piada de mau gosto. Você corre para pegá-los, mas quando chega no grupo de inimigos, o efeito já acabou. Os poucos momentos de alívio vêm dos minijogos de hackear portas e das batalhas de mecha, onde o jogo finalmente mostra a que veio.
Os bugs também roubam a cena. Conrad fica preso em portas, cai pelo chão, a arma para de funcionar. Em um dos trechos, precisei reiniciar porque um script não disparou. A sensação é de que o jogo foi lançado cedo demais.
Visual, som e performance: acertos parciais
Neo Washington brilha com seus letreiros de neon e vielas sujas. As selvas têm vegetação densa, e a estação espacial impressiona. A trilha sonora de Raphaël Gesqua é competente, e a dublagem segura o tom.
O problema está nas cutscenes em quadrinhos: as faces dos personagens parecem geradas por IA, sem expressão. No PS5, o jogo busca 60 FPS, mas quando muitos inimigos enchem a tela, o framerate despenca. Bugs de colisão são constantes, e a ausência de opções gráficas nos consoles limita qualquer ajuste. As atualizações de junho de 2024 melhoraram o save e os controles, mas a base técnica ainda parece frágil.
Conteúdo e público: curto, mas para quem?
Seis horas de campanha. Parece pouco, mas cada uma testa sua paciência. A variedade existe: plataformas simplificadas, tiroteios, minijogos de hackear, pilotagem de mecha, escolhas de diálogo. O problema é que só os minijogos e as batalhas de mecha funcionam de verdade.
O sistema de upgrade de armas é básico e mal aproveitado. Para fãs do Flashback original, a nostalgia segura o tranco. Para qualquer outro perfil, especialmente quem busca um shooter moderno e polido, os defeitos pesam demais. Não é um jogo para se jogar no piloto automático: exige tolerância e boa vontade.
Perguntas frequentes sobre review Flashback 2 PlayStation 5
Flashback 2 é uma sequência direta do original de 1992?
Sim, a história começa exatamente onde o primeiro Flashback terminou, ignorando o spin-off Fade to Black. Conrad acorda em uma instalação e parte em busca do amigo Ian, com a ajuda da arma IA A.I.S.H.A.
Quantas horas dura Flashback 2 no PS5?
A campanha principal leva cerca de 6 horas. Quem quiser fazer tudo, incluindo colecionáveis, chega a 7 horas. É curto, ideal para uma ou duas sessões, mas cada hora pode ser uma batalha contra a frustração.
Os patches melhoraram o jogo?
Sim, em junho de 2024 a Microids lançou uma atualização que revisou controles, melhorou o combate e otimizou o sistema de save. A experiência ficou mais fluida, mas bugs de colisão e problemas de IA ainda persistem.
Vale a pena para quem não jogou o Flashback original?
Dificilmente. A nostalgia é o principal combustível do jogo. Quem não tem vínculo com o clássico de 1992 provavelmente vai estranhar os controles datados e o combate frustrante. Existem opções melhores no gênero.
O jogo tem modo multijogador?
Não. Flashback 2 é exclusivamente single-player, com foco na campanha linear. Sem cooperativo ou modos competitivos.
