Review Fight’N Rage no PS5: pancadaria retrô com profundidade de luta

Cresceu nos fliperamas? Então sabe o que é olhar para um beat'em up e sentir aquele calafrio nostálgico. Fight’N Rage entrega exatamente isso: três botões, uma horda de mutantes e a promessa de que você vai morrer, e querer tentar de novo. Não tem história cinematográfica, gráficos fotorrealistas ou tutorial longo. É aquele tipo de jogo que te joga no meio do caos e diz: "se vira".

Criado por um único desenvolvedor uruguaio, Sebastián García, e com trilha sonora de Gonzalo Varela, o jogo saiu em 2017 no PC e chegou ao PS5 em março de 2023 com suporte a 120 FPS. São três personagens: Gal (rápida e precisa), Ricardo (tanque lento) e F. Norris (equilibrado). Cada um com seu moveset, e um sistema de combos que mistura beat'em up com jogo de luta. Parece simples? É. Mas só até você tentar encadear um combo aéreo com Gal, errar o parry e levar um golpe que tira metade da vida.

Passei horas com a versão de PlayStation 5, testando modos, desbloqueando personagens e morrendo para chefes (muitas vezes). E posso afirmar: para fãs do gênero, é obrigatório. Mas tem algumas arestas que merecem atenção antes de comprar.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Dificuldade elevada: o jogo não perdoa. Se morrer e aprender padrões te frustra, melhor pensar duas vezes.
  • Conteúdo que não acaba: mais de 40 finais, dezenas de personagens desbloqueáveis, modos extras e rotas alternativas. Perfeito para quem gosta de explorar cada canto.
  • Cooperativo apenas local, sem online. Reúna até dois amigos no sofá (e preparem o fogo amigo opcional para aumentar a bagunça).
  • 120 FPS no PS5: na maior parte do tempo a fluidez é impecável, mas há um bug reportado que trava em 60 FPS em algumas edições; a desenvolvedora já está investigando.
  • DualSense? Não. Esqueça gatilhos adaptáveis ou feedback tátil. O foco é nostalgia e jogabilidade afiada.

1. Fight’N Rage para PlayStation 5: beat'em up retrô com combate profundo

Pega o controle, escolhe teu personagem e parte pra cima. Fight’N Rage não perde tempo: em segundos você está no meio da ação, desferindo combos em mutantes que insistem em te cercar. São três botões (ataque, pulo, especial), e a simplicidade é enganosa. O parry no momento certo recarrega sua barra de especial e vira o jogo contra chefes. Gal é ágil, precisa de precisão; Ricardo quebra tudo com golpes pesados; F. Norris é o Chuck Norris pixelado. O que mais me pegou foi a quantidade de rotas e finais. Dependendo das escolhas, os estágios mudam, inimigos aparecem em ordens diferentes e você pode chegar a um desfecho inesperado. São mais de 40 finais. Some isso a mais de 20 personagens desbloqueáveis (incluindo inimigos), e você tem um jogo que não acaba nunca. A primeira campanha leva umas 2 horas, mas o 100% exige dezenas. No PS5, 120 FPS na maior parte do tempo: a fluidez é absurda, os combos encaixam com precisão de relógio. Só falta suporte ao DualSense, e há um bug que trava em 60 FPS em algumas versões (a desenvolvedora está investigando). A trilha sonora de Gonzalo Varela é um show: rock, jazz, funk, flamenco, com mais de 40 faixas que embalam a pancadaria. A arte pixelada é linda, com filtros CRT que dão cara de fliperama, mas os efeitos sonoros baixos em comparação à música incomodam um pouco.

Prós

  • Sistema de combate que parece simples mas tem camadas de profundidade: domine o parry e vire um mestre
  • Conteúdo gigantesco: mais de 40 finais, dezenas de personagens desbloqueáveis e modos variados que pedem replay
  • Trilha sonora excepcional, com mais de 40 faixas que variam do rock ao flamenco sem perder o ritmo
  • 120 FPS no PS5 com resposta instantânea; a ação fica ainda mais fluida e precisa
  • Custo-benefício forte para fãs do gênero: horas e horas de conteúdo por um preço justo

Contras

  • DualSense ignorado: sem gatilhos adaptáveis, feedback tátil ou qualquer recurso do controle moderno
  • Bug de 120 FPS em algumas versões (edição física de aniversário) ainda sem correção definitiva; afeta a experiência em momentos específicos

Jogabilidade: simples na superfície, complexa no detalhe

Três botões: ataque, pulo, especial. Parece pouco, né? Até você ver o que dá pra fazer com eles. Um soco, um uppercut que manda o inimigo pro alto, um pulo e uma sequência de golpes no ar, tudo com um timing que exige prática. O parry é a alma do combate: apertar defesa no instante certo interrompe o ataque e recarrega sua barra de especial. Dominar isso é o que separa o novato do veterano.

Cada personagem tem sua pegada. Gal é rápida, precisa de movimentos cirúrgicos. Ricardo é um trator: lento, mas cada golpe derruba. F. Norris é o equilibrado, com dano e velocidade medianos. A escolha define seu estilo, e contra chefes que exigem paciência, o personagem certo faz toda a diferença. O sistema de armas (facas, barras de ferro, porretes elétricos) ainda modifica os combos, adicionando variedade.

O modo Training é um achado: ensina defesa, esquiva, cancelamento, e até premia com uma faixa preta quando você domina. A profundidade aqui rivaliza com jogos de luta; olha que é um beat'em up.

Conteúdo e rejogabilidade: um presente para quem gosta de explorar

Zerar em uma hora e meia? Sim, a campanha inicial é curta. Mas a graça está em repetir. As rotas mudam conforme suas escolhas na seleção de fases, levando a encontros diferentes, chefes alternativos e finais secretos. Mais de 40 finais, alguns tão difíceis de alcançar que vão exigir tentativas e tentativas.

Moedas continuam acumulando mesmo quando você morre e elas destravam trajes, modos (Time Attack, Survival, Battle) e principalmente personagens. Mais de 20 inimigos jogáveis, cada um com golpes únicos. De repente você está controlando um robô que solta mísseis ou um cachorro bombado que morde. Isso renova completamente a experiência.

O cooperativo local para até três jogadores é um dos pontos altos. Juntar os amigos no sofá, ativar fogo amigo e virar uma bagunça divertida, exatamente como nos arcades. Só não espere entrar no meio da partida: é preciso selecionar todos no início.

Desempenho no PS5: 120 FPS, mas com um porém

No PS5, Fight’N Rage roda a 120 FPS na maior parte do tempo. A fluidez é impressionante: golpes saem mais rápidos, a tela não trava mesmo com dezenas de inimigos, e o controle é preciso. Para um beat'em up, isso é crucial, especialmente nos momentos de parry e combos aéreos.

Porém, há relatos de um bug que trava o jogo em 60 FPS em algumas unidades (principalmente na edição física de aniversário). A desenvolvedora já respondeu que está investigando e deve lançar uma atualização. Fora isso, os carregamentos são rápidos e não há quedas perceptíveis de performance.

Outra ausência: o DualSense não é usado. Sem gatilhos adaptáveis, feedback tátil ou luzes. É uma pena, porque um estalo no gatilho ao fazer parry seria legal, mas o foco aqui é nostalgia e jogabilidade, não firulas técnicas.

Perguntas frequentes sobre review Fight’N Rage PlayStation 5

Fight’N Rage tem modo cooperativo online?

Não, apenas cooperativo local para até três pessoas. Sem suporte a multiplayer online.

Quantas horas de jogo tem Fight’N Rage?

Uma campanha inicial leva de 1 a 2 horas, mas para desbloquear tudo (personagens, finais, modos), prepare dezenas de horas.

O jogo é muito difícil?

Sim, a dificuldade é alta, especialmente nos chefes. O jogo exige aprender padrões e usar o parry. São seis níveis de dificuldade, mas mesmo no mais fácil o desafio é real.

Vale a pena comprar no PS5 mesmo sem usar os recursos do DualSense?

Se você é fã de beat'em ups retrô que valoriza jogabilidade afiada e conteúdo desbloqueável, sim. A falta do DualSense não diminui o que o jogo entrega.

O bug dos 120 FPS atrapalha a experiência?

Em algumas versões, o jogo trava em 60 FPS. A desenvolvedora está trabalhando em uma correção. Na maioria das partidas, roda a 120 FPS sem problemas.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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