Cansado de cenários sombrios nos soulslikes? Enotria: The Last Song troca a escuridão por campos ensolarados e ruínas banhadas por luz. A inspiração no folclore italiano e na commedia dell'arte dá uma identidade visual rara no gênero. Mas será que o jogo sustenta essa beleza com uma jogabilidade à altura?
A versão de PS5 revela dois lados: de um, a liberdade das máscaras e a direção de arte deslumbrante; de outro, um combate amarrado ao parry e uma performance instável. Enotria é original, mas exige paciência com seus defeitos. Para quem busca um soulslike diferente, entrega o que promete, com ressalvas.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Enotria é um soulslike que aposta no parry e na stamina como base. O modo história reduz a dificuldade para quem quer uma experiência mais leve.
- A campanha principal dura cerca de 20 horas, podendo chegar a 40 para quem quiser explorar tudo. É single-player do início ao fim.
- O jogo ainda apresenta problemas de performance no PS5, especialmente em áreas abertas. Esteja preparado para oscilações de framerate.
1. Enotria: The Last Song. PlayStation 5
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Enotria: The Last Song tem uma ambientação que rouba a cena. Em vez do castelo gótico, você anda por campos dourados, vilarejos italianos e ruínas sob luz quente. A direção de arte é deslumbrante, com máscaras e referências da commedia dell'arte que dão personalidade ao mundo. O sistema de máscaras é o trunfo. São dezenas delas, cada uma com habilidades próprias, e você monta três loadouts para trocar na hora com um direcional. Quer ser um brutamontes ou um elementalista? Basta trocar a máscara. Essa liberdade é viciante e incentiva a experimentar. O combate, porém, decepciona. O parry é generoso e satisfatório: acertar um parry perfeito em um projétil de canhão dá uma boa adrenalina. Mas o jogo força o uso do parry o tempo todo, e a esquiva tem alcance curto e impreciso. Isso cria uma dependência que tira a graça de outras estratégias. A variedade de inimigos é baixa: você enfrenta os mesmos tipos várias vezes, e alguns chefes são reutilizados com skins diferentes, o que cansa. A performance no PS5 também não ajuda: em áreas abertas, o framerate oscila, e bugs visuais como texturas que demoram a carregar quebram a imersão. A progressão é recompensadora. A árvore de habilidades, o Caminho dos Inovadores, permite especializar em quatro ramos, e são mais de 120 armas. Encontrar uma máscara rara atrás de uma parede ilusória traz aquela sensação autêntica de soulslike. A história é mais direta, contada por um grimório, o que ajuda quem não tem paciência para lore escondida. Em resumo, Enotria acerta no conceito e na identidade visual, mas a execução travada e os problemas técnicos impedem que alcance os grandes do gênero. Para quem busca um soulslike diferente e curto, com paciência para imperfeições, vale as horas, especialmente com o modo história. Quem prioriza combate refinado e performance lisa deve esperar por patches.
Prós
- Ambientação ensolarada e original, com forte identidade italiana
- Sistema de máscaras versátil que permite trocar de build a qualquer momento
- Grande variedade de armas, feitiços e habilidades para customizar o personagem
- Modo história acessível para iniciantes no gênero
Contras
- Combate excessivamente dependente de parry, com esquiva curta e imprecisa
- Performance instável no PS5, com quedas de framerate e bugs visuais
Sistema de Máscaras: o coração da personalização
As máscaras são o centro de Enotria. Cada uma representa um papel da commedia dell'arte, como Pulcinella, Arlecchino e Pantalone, e concede habilidades ativas e passivas que definem seu estilo. Você carrega três loadouts completos, com máscara, armas e itens, e alterna entre eles com o direcional. Quer começar com feitiços e depois ir para o corpo a corpo? É um clique. Esse sistema incentiva experimentação e cada máscara nova parece um presente.
A árvore de habilidades se integra bem: a cada nível, investe pontos em ramos como Bruto, Assassino ou Elementalista, e cada máscara se beneficia de forma única. O resultado é uma liberdade rara no gênero: você pode refinar sua build ou mudar de rumo sem recomeçar. Encontrar uma máscara rara num baú escondido e testá-la contra um chefe na hora é algo que poucos soulslikes entregam.
Combate e desempenho no PS5: o ponto fraco
O combate é a parte mais polêmica de Enotria. O parry é generoso e satisfatório: acertar a defesa perfeita em um projétil de canhão e quebrar a postura do inimigo dá uma boa adrenalina. Mas quase tudo gira em torno dele. A esquiva tem alcance curto e mal tira você do perigo. Os inimigos são desenhados para serem aparados, não desviados. Depois de algumas horas, o combate fica monótono, especialmente contra chefes que repetem padrões.
E a performance no PS5? Infelizmente, o jogo sofre com quedas de framerate em áreas abertas e bugs visuais, como texturas que demoram a aparecer e iluminação que pisca. Não quebra a experiência, mas quebra o encanto. A Jyamma Games tem lançado patches desde o lançamento, então é provável que melhore com o tempo. Na versão que testei (1.04), ainda precisava de ajustes, mas já dava para aproveitar sem sustos.
Para quem Enotria realmente encaixa?
Enotria tem um público claro. Se você está cansado dos tons escuros e quer um soulslike que respire esperança e cores, é uma escolha certeira. A ambientação italiana é um respiro, e a liberdade das máscaras segura o interesse por boa parte da campanha. O modo história reduz a dificuldade, um plus para quem quer explorar sem tanta punição.
Por outro lado, quem valoriza combate polido e responsivo ao estilo de Sekiro ou Lies of P pode sair frustrado. A sensação de que o jogo foi lançado cedo demais é perceptível, e os problemas técnicos atrapalham a imersão. Se você tolera imperfeições em troca de originalidade, Enotria é uma jornada que vale a pena, especialmente para quem curte experimentar builds malucas e não se importa em repetir alguns chefes.
Perguntas frequentes sobre review Enotria The Last Song PlayStation 5
O jogo tem modo cooperativo?
Não. Enotria: The Last Song é exclusivamente single-player, sem qualquer opção de cooperação ou PvP.
Quanto tempo dura a campanha?
A campanha principal leva cerca de 20 horas no modo normal. Para completar tudo, incluindo side quests e New Game+, espere de 30 a 40 horas.
O combate é muito difícil?
A dificuldade padrão é moderada para veteranos de soulslike, mas o jogo oferece um modo história que reduz a agressividade dos inimigos e o dano sofrido, tornando-o mais acessível.
O jogo roda bem no PS5?
A performance no PS5 apresenta oscilações de framerate em áreas abertas e alguns bugs visuais, mas patches recentes têm melhorado a estabilidade. Ainda não é uma experiência 100% lisa.
Vale a pena para quem nunca jogou soulslike?
Sim, desde que você ative o modo história. A ambientação única e o sistema de máscaras facilitam a entrada, mas o tutorial confuso pode ser um obstáculo inicial.
