Elden Ring Nightreign é um experimento ousado. A FromSoftware pegou a estrutura de seus mundos abertos, descartou a exploração contemplativa e apertou o acelerador. Em expedições de até três jogadores, a sobrevivência em três dias e três noites é tudo que importa, enquanto o mapa encolhe como em um battle royale e chefes colossais espreitam na última noite. O resultado é um dos cooperativos mais intensos do gênero, mas não sem defeitos.
Esta análise é sobre a versão de PlayStation 5, e mais especificamente sobre a Collector's Edition (aquela caixa que vem com estátua, artbook, SteelBook e mimos). Para fãs da franquia, o conteúdo físico é tentador. Mas o que importa de verdade é o jogo. E, spoiler: ele merecia mais cuidado em certos pontos.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Pense no seu estilo de jogo: Nightreign foi projetado para grupos de três. Sozinho, a experiência é frustrante e mal balanceada.
- O ciclo roguelike exige paciência: cada corrida recomeça do zero, e a aleatoriedade dos itens pode forçar improvisação de builds.
- A Collector's Edition é pesada e cara: o conteúdo físico é de alta qualidade, mas o jogo base é o mesmo de edições mais baratas.
- Verifique se você tem amigos com o jogo ou se está disposto a usar apps externos para comunicação, já que não há chat de voz integrado.
1. Elden Ring Nightreign Collector's Edition PS5: um roguelike cooperativo que brilha em grupo
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Nightreign não é expansão nem continuação direta. É um spin-off que pega combates, texturas e até modelos de Elden Ring e Dark Souls e os reorganiza em um loop de 30 a 45 minutos de purpurina e desespero. Você escolhe um dos oito Nightfarers, cada um com habilidades únicas (do tanque Guardiam ao ágil Duquesa) e cai em Limveld, uma região condenada à noite eterna. O mapa muda a cada partida, pontos de interesse se reposicionam, eventos como invasões de chefes clássicos ou Shifting Earth que alteram o terreno mantêm cada corrida imprevisível. O ciclo é direto: dois dias para explorar, farmar equipamentos e subir de nível, e no terceiro dia, enfrentar um Nightlord. A maré negra (Night's Tide) aperta o cerco como um círculo de battle royale, forçando o grupo a se movimentar e decidir entre risco e recompensa. Com um time que se entende, Nightreign atinge picos de adrenalina raros. Ressuscitar um aliado caído sob pressão do círculo que se fecha, escolher entre três recompensas após um chefe sabendo que aquela arma não encaixa na sua build, ou ver o Nightlord de duas fases surgir no horizonte são momentos que grudam na memória. As boss fights são o ponto alto. Cada Nightlord tem design visual e conjunto de ataques que pede coordenação quase cirúrgica. A FromSoftware acertou em cheio na variedade de padrões e na sensação de superação. Mas o jogo tropeça no solo. Jogar sem companheiros é provação: sem revives, com inimigos escalados para três pessoas e progressão punitiva. A aleatoriedade também vira contra: drops que não servem para sua classe, eventos que consomem tempo por recompensas duvidosas. A falta de crossplay e chat de voz nativo complica a vida de quem não tem grupo fixo. Mesmo assim, para quem entra na proposta com amigos, Nightreign é um dos cooperativos mais originais e viciantes do ano. A Collector's Edition entrega itens de boa qualidade, mas o verdadeiro presente é o jogo.
Prós
- Sessões em grupo com coordenação afiada geram adrenalina pura
- Boss fights espetaculares e variadas que exigem sincronia
- Progressão permanente com relíquias incentiva repetições
- Localização completa em português e versão PS5 otimizada
- Conteúdo físico da Collector's Edition de alto padrão
Contras
- Modo solo mal balanceado e pouco convidativo
- Aleatoriedade pode frustrar o planejamento de builds
Expedições, classes e o ciclo dos três dias
Nightreign abandona o mundo aberto de Elden Ring por uma estrutura de corridas. Cada expedição começa na mesa de seleção, onde você escolhe um Nightlord como alvo final e um dos oito heróis. Wylder é o equilibrado, Guardiam segura a linha, Duquesa aposta em agilidade e magia, Reclusa é a feiticeira de área, Ironeye ataca à distância, Corsair usa força bruta, Pinionfolk tem asas e mobilidade extra. Cada classe tem duas habilidades especiais (uma rápida e uma pesada) que definem o papel no grupo.
O ciclo de três dias é o coração da experiência. Nos dois primeiros dias (que duram poucos minutos cada), o mapa está aberto e cheio de masmorras, baús e chefes opcionais. Subir de nível é instantâneo: um botão só, sem escolha de atributos. A maré negra começa a avançar, e no terceiro dia você é empurrado para a arena do Nightlord. Se sobreviver às duas fases do chefe, a corrida acaba com recompensas e relíquias permanentes. Se morrer, pelo menos leva as relíquias. A sensação é de urgência constante: cada segundo conta, a tensão cresce.
A experiência em grupo: coordenação e recompensa
Com amigos, Nightreign atinge seu pico. As classes se complementam: Duquesa pode invocar aliados, Guardiam atrai agressão, Reclusa limpa grupos. A sincronia necessária para derrubar um Nightlord é gratificante: um revive no último segundo, uma troca de aggro no timing certo, um upgrade que transforma a build. Fora das lutas, explorar o mapa dividido rende achados e riscos. Um jogador encontra um baú lendário enquanto os outros dois seguram um mini chefe.
Mas o matchmaking com estranhos é loteria. Sem chat de voz, a comunicação depende de gestos e pings. Muitas partidas terminam em wipe silencioso porque ninguém se entendeu. Se você tem um grupo fixo, ou usa Discord, a experiência decola. Se não, prepare se para frustrações. O jogo foi claramente pensado para times organizados, e essa barreira de entrada é real.
Pontos de atenção: solo, aleatoriedade e repetição
O modo solo é o calcanhar de Aquiles. Sem revives, sem backup, a margem de erro é mínima. Os inimigos foram projetados para três jogadores, então sozinho você enfrenta hordas intermináveis e um chefe que nunca desvia o foco. As relíquias ajudam, mas não compensam o design. A FromSoftware recomendaria ter companheiros, e com razão: jogar sozinho não é a experiência ideal.
A aleatoriedade também cobra seu preço. Você pode passar uma corrida inteira sem encontrar uma arma que se encaixe na sua classe. Eventos como invasões de chefes clássicos são legais, mas às vezes atrapalham o ritmo. E embora a geração procedural do mapa evite a mesmice total, depois de algumas dezenas de horas os layouts começam a soar familiares. Para quem busca variedade infinita, Nightreign não entrega. Mas para um jogo que custa menos que os triple A padrão e oferece um loop cooperativo viciante, as ressalvas são contornáveis (desde que você esteja no grupo certo).
Perguntas frequentes sobre review Elden Ring Nightreign Collector's Edition PlayStation 5
Preciso ter jogado Elden Ring para aproveitar Nightreign?
Não. Nightreign é um spin off standalone. Ele usa assets e referências da série, mas a história e a jogabilidade são independentes. Iniciantes vão se adaptar rapidamente, embora fãs reconheçam elementos familiares.
É possível jogar Elden Ring Nightreign sozinho?
Sim, mas não é recomendado. O modo solo é desbalanceado: sem revives e com inimigos escalados para um grupo de três, a dificuldade se torna injusta. A experiência ideal é com dois amigos.
Quantos jogadores suporta o cooperativo?
O jogo oferece cooperativo online para até três jogadores. Não há modo local ou split screen. Cada jogador controla um Nightfarer diferente em expedições simultâneas.
O que vem incluído na Collector's Edition de PS5?
A edição inclui o jogo em disco, SteelBook, artbook de capa dura de 40 páginas (em inglês), oito cartas de Nightfarer, código da trilha sonora digital, estátua do Wylder de 25 cm, código do DLC e uma caixa colecionadora.
Elden Ring Nightreign tem legendas em português?
Sim, o jogo possui localização completa em português do Brasil, com legendas e menus traduzidos. A dublagem permanece em inglês, mas a tradução é de qualidade.
