Review Dunjungle: um roguelite macaco que vicia (e cansa) no PS5

Você está no hub, olhando para as classes desbloqueadas. Escolhe um macaco xamã que começa com um cajado elétrico. Primeira sala: portas trancam, hordas surgem, e o medalhão de cura já pede sangue. Dunjungle saiu do Early Access em dezembro de 2025 e, desde então, vem ganhando destaque entre os roguelites 2D com uma receita que mistura Dead Cells e Spelunky, mas com personalidade própria. São 16 classes, mais de 70 armas, 100 relíquias e 17 chefes espalhados por 7 biomas: números que prometem muitas horas de replay.

Mas tanta abundância tem um preço. A geração procedural das masmorras, mesmo com salas feitas à mão, começa a ficar repetitiva depois de algumas dezenas de runs. A dificuldade vai do justo ao punitivo. Aqui, o que vale é entender para quem essa aventura de macaco realmente encaixa.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Roguelite de ação 2D: cada partida é diferente, mas não espere progressão linear.
  • Combate rápido com ênfase em esquiva e escolhas de risco-recompensa.
  • Mais de 70 armas combináveis com elementos (fogo, gelo, trovão, vento).
  • 16 classes desbloqueáveis que alteram o estilo de jogo.
  • Modo infinito e três dificuldades após zerar o jogo.

1. Dunjungle: roguelite de ação com pixel art e conteúdo massivo

Primeira sala: um ferreiro oferece upgrade grátis na sua espada. Você aceita. Segunda tentativa? 25% de chance de destruir a arma. Essa tensão define Dunjungle. Você começa no hub, escolhe uma classe (cada uma com vantagens e penalidades próprias) e é lançado em uma masmorra gerada proceduralmente. O combate é fluido: pulo duplo, rolamento evasivo, golpes básicos e especiais mapeados em quatro botões. O medalhão mágico que carrega ao matar inimigos permite uma cura parcial quando cheio, e o sistema de progressão com fichas oferece aquela tensão gostosa: aplicar fichas em upgrades pequenos ou juntar três para uma melhoria maior. O ferreiro também adiciona camadas de risco: a primeira melhoria é grátis, mas a segunda pode destruir sua arma favorita com 25% de chance. A variedade de builds é absurda. São 33 armas principais (espadas, lanças, martelos, etc.), 39 secundárias entre magias, projéteis e familiares, e mais de 100 relíquias que concedem buffs passivos. Combinar elementos como fogo e gelo para causar queimadura ou congelamento vira uma obsessão. Você entra em uma sala, as portas trancam, e lá vem horda de macacos corrompidos. Gerenciar espaço, timing de esquiva e o cooldown das habilidades secundárias exige atenção, mas quando o combo encaixa, a sensação de poder é recompensadora. A repetitividade, porém, aparece. As salas, embora desenhadas à mão, seguem padrões que se repetem bioma após bioma. Depois de umas 10 horas, você já viu a maioria das variações: o que tira um pouco a graça da exploração. Os picos de dificuldade também são reais: alguns inimigos têm ataques com hitboxes generosas e a progressão exige que você morra várias vezes para desbloquear upgrades permanentes. Quem não tem paciência para tentar e falhar pode largar o controle antes de sentir o melhor do jogo. A localização em português do Brasil é completa e caprichada: menus, legendas e descrições de itens estão no nosso idioma, o que facilita muito a vida. A pixel art é vibrante, com animações bem feitas e uma direção de arte que compensa a simplicidade técnica. A trilha sonora acompanha o ritmo frenético sem roubar a cena. No PS5, o jogo roda sem engasgos e com carregamentos rápidos. No balanço geral, Dunjungle é um roguelite honesto, generoso em conteúdo, mas que não esconde suas limitações de design. Ideal para quem busca mais uma run sem se importar em repetir os mesmos cenários algumas vezes.

Prós

  • Combate fluido e controles precisos que respondem bem aos comandos
  • Variedade absurda de armas, relíquias e classes que incentivam rejogabilidade
  • Pixel art bonita e bem animada, com paleta de cores vibrante
  • Localização completa em português do Brasil, incluindo descrições de itens
  • Progressão recompensadora com sistema de risco-recompensa inteligente

Contras

  • Masmorras geradas proceduralmente tendem à repetição de salas após várias horas
  • Picos de dificuldade que podem frustrar jogadores menos pacientes

Combate e fluidez: a alma do macaco

Rolamento evasivo com frames de invencibilidade, pulo duplo para desviar, ataque básico e especial segurando o botão. Dunjungle não inventa a roda, mas afia bem os dentes. O combate é rápido e responsivo, incentivando agressividade. Você tem três slots para habilidades secundárias (magias, projéteis ou invocações) e uma relíquia passiva. A telegrafia dos inimigos é clara: um flash vermelho antecede golpes fortes. A cura via medalhão mágico, que enche ao eliminar oponentes, força você a avançar sem hesitar. É um loop que funciona bem, especialmente em runs de 30 a 50 minutos.

Variedade que sustenta (quase) tudo

Um martelo flamejante que deixa queimadura enquanto você ataca à distância com projéteis elétricos. Essa sinergia é possível com as 16 classes, que mudam radicalmente o estilo: uma pode começar com mais vida e dano reduzido, outra com uma arma elemental de gelo. As 33 armas principais variam entre golpes lentos e pesados ou rajadas rápidas. Combinar elementos (fogo, gelo, trovão, vento) com armas secundárias pode criar combos devastadores. As 100 relíquias adicionam buffs aleatórios por run, garantindo que cada partida tenha pelo menos alguma surpresa. Esse caldeirão de possibilidades é o que faz você querer tentar só mais uma vez.

Dificuldade, repetição e o público ideal

O jogo não é bondoso. Os primeiros chefes vão derrubar você várias vezes até que os padrões de ataque sejam aprendidos. A ausência de checkpoints dentro da masmorra significa que cada morte reinicia a run: e isso pode cansar. A geração procedural, embora feita com salas artesanais, começa a se repetir depois de umas 8 horas de jogo. Você reconhece o layout da sala do ferreiro, da máquina caça-níqueis, da arena com hordas. Para quem ama roguelites e já está acostumado com o ciclo morte-melhoria-nova tentativa, Dunjungle é uma adição sólida. Quem busca uma jornada com narrativa envolvente ou progressão mais linear vai se decepcionar. O modo infinito e as três dificuldades extras ajudam a prolongar a vida útil, mas a essência permanece a mesma.

Perguntas frequentes sobre review Dunjungle PlayStation 5

Dunjungle tem legendas em português?

Sim, o jogo conta com localização completa em português do Brasil, incluindo menus, descrições de itens e diálogos. É um dos pontos fortes da versão para o mercado brasileiro.

Quanto tempo dura uma partida de Dunjungle?

Cada run bem-sucedida leva entre 30 e 50 minutos. Para ver a história principal, a média é de cerca de 5 horas, e com extras chega a 7 ou 8 horas. O modo infinito e as dificuldades adicionais estendem bastante a vida útil.

O jogo é muito difícil?

A dificuldade inicial é elevada. Os chefes exigem aprendizado de padrões e a ausência de checkpoints pune erros. Porém, a progressão com upgrades permanentes no hub alivia a curva. Após zerar, é possível escolher entre três níveis de dificuldade.

Dunjungle tem modo cooperativo?

Não. O jogo é estritamente single-player, focado na experiência individual de runs e progressão pessoal. Não há qualquer modo multiplayer ou cooperativo relatado.

Vale a pena para quem não é fã de roguelites?

Depende. Se você não gosta de repetição e de morrer várias vezes para evoluir, provavelmente vai se frustrar. Dunjungle é feito para quem aprecia o ciclo de tentativa e erro, com builds variadas e combate ágil. Caso contrário, melhor testar a demo antes.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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