A primeira imagem que vejo é o castelo de Alefgard banhado por uma luz dourada que parece nascer do próprio pixel. A grama balança, as sombras das nuvens deslizam sobre as muralhas, e a trilha orquestrada entra com suavidade. Não é nostalgia barata: DRAGON QUEST I & II HD-2D REMAKE é um trabalho caprichado que transforma dois marcos do JRPG em experiências que conversam com 2025 sem perder o jeitão dos anos 80. Passei dezenas de horas no PS5 explorando cada canto dessa coleção, e o resultado é um misto de admiração e algumas reclamações pontuais.
O pacote junta os remakes completos de Dragon Quest I e II, que fazem parte da famosa Trilogia de Erdrick. O primeiro é uma jornada solitária de herói contra o mal; o segundo escala para um grupo com personalidades fortes. agora com a adição da Princesa de Cannock (Matilda), que rouba a cena. A Square Enix e a Artdink capricharam no visual HD-2D, aquele estilo que casa pixel art com cenários 3D e iluminação dinâmica. Mas nem tudo são flores: a falta de legendas em português e alguns picos de dificuldade podem desanimar quem não está acostumado com encontros aleatórios. Vou explicar melhor.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- No menu inicial, escolha entre o modo Dracky (mais tranquilo, ideal para quem quer a história) e o modo Dragon (que vai testar sua paciência com RNG).
- Encontros aleatórios são frequentes e fazem parte da alma do jogo. Se você não curte ser interrompido a cada 10 passos, melhor pensar duas vezes.
- O jogo está em inglês (texto e dublagem parcial) e não tem legendas em português. É um vacilo que a Square Enix precisa corrigir.
- Prepare-se para umas 40 a 60 horas se quiser ver tudo. DQ1 é mais enxuto (umas 10-20h), DQ2 estica para 30-40h.
1. DRAGON QUEST I & II HD-2D REMAKE para PlayStation 5 – Remake dos clássicos da série
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Na Caverna Craggy, a luz da tocha dança nas paredes de pedra enquanto Slimes azuis se aproximam. O herói não fala, mas o brilho nos olhos dele (sim, os pixels têm expressão) já mostra que é hora do primeiro desafio. Esse é o DQ1 que conheço, mas agora cada cenário parece um quadro vivo. A história de Dragon Quest I sempre foi simples. salvar a princesa, derrotar o Dragonlord -, mas o remake adiciona cenas e diálogos que dão mais peso emocional à jornada. A princesa Gwaelin agora reage, o rei tem presença, e até o herói mudo ganha linguagem corporal. Já em Dragon Quest II, a mudança é enorme. A nova integrante, Matilda, não é só mais um corpo no grupo: ela questiona o irmão, tem arco próprio e participa das decisões. As batalhas por turnos ganham mais profundidade com os Pergaminhos de Habilidade e os Sigilos, que permitem customizar ataques e estratégias. Em DQ1, você enfrenta grupos inteiros de uma vez; em DQ2, o combate em equipe fica mais tático com a chegada da princesa. As opções de qualidade de vida salvam o jogo: salvamento automático frequente, acelerar batalhas, marcadores de tesouro no mapa e dificuldade ajustável a qualquer momento. A trilha orquestrada arrepia na hora certa. Mas tem problemas. Os encontros aleatórios em masmorras longas ainda cansam. A dublagem aparece em algumas cenas e desaparece em outras, sem critério claro. E o maior pecado: sem legendas em português. Para um lançamento oficial no Brasil, é um vacilo. Ainda assim, o conteúdo é generoso: DQ2 ganha áreas subaquáticas, masmorras inéditas e uma história mais coesa que justifica o preço. No PS5, o jogo roda a 60 fps firmes, com carregamento instantâneo e zero bugs. Para quem ama a era de ouro dos RPGs de turno, essa é a porta de entrada definitiva.
Prós
- Gráficos HD-2D deslumbrantes, com iluminação dinâmica e pixel art refinado
- Narrativa expandida com novas cutscenes e desenvolvimento de personagens
- Ótimas opções de qualidade de vida: autosave, acelerar batalhas, dificuldade ajustável
- Dragon Quest II ganha muito com a nova personagem e áreas extras
Contras
- Sem legendas em português, limitando a acessibilidade
- Dublagem irregular: presente em algumas cenas, ausente em outras
Luz de tocha e pixel art: o visual que transforma cada caverna
Quando sai do castelo de Alefgard, a luz do sol passando entre as árvores já mostra que este não é o DQ do NES. O remake usa o motor HD-2D para dar profundidade a cada cenário: tochas projetam sombras nas paredes de pedra, a água reflete o céu, e as vilas parecem dioramas vivos. Dragon Quest I ganha cenas que antes não existiam, com enquadramentos cinematográficos que transformam a simples missão de resgate em algo épico. O herói, mudo, agora gesticula e reage com expressões faciais que comunicam mais do que qualquer texto. Em DQ2, a expansão visual é ainda mais notável: o novo personagem Matilda participa ativamente, com animações próprias e falas que revelam motivações. Durante a missão em Cannock, ela discute com o irmão em uma cena que mistura tensão familiar e humor. Detalhes assim fazem o remake parecer a versão definitiva.
Narrativa expandida e novos personagens: o coração do remake
O remake não se contenta em só embelezar. Ele reescreve diálogos, adiciona cenas e transforma a princesa Gwaelin em alguém com quem você realmente se importa. Em Dragon Quest I, a princesa não é mais um mero item de resgate; ela tem falas que constroem um vínculo rápido com o herói. Já em DQ2, a inclusão de Matilda não é só um plus numérico. Ela traz um arco de redenção e conflitos familiares que enriquece a dinâmica do grupo. As novas cenas também conectam os dois jogos de forma mais coesa, fazendo a transição de um herói solitário para uma equipe parecer natural. Durante a exploração, encontrei várias missões secundárias que expandem a lore dos reinos. Em certos momentos, o jogo me pegou de surpresa com uma revelação sobre Erdrick que não estava nos originais. Para fãs de longa data, é um prato cheio.
Desempenho e qualidade de vida: a experiência moderna
No PS5, o jogo não treme: 60 fps firmes, carregamento que mal dá tempo de respirar. A interface foi redesenhada para ser mais clara, e os menus respondem rápido. As opções de qualidade de vida são generosas: você pode ativar marcadores no mapa para baús e pontos secretos, ajustar a velocidade das batalhas (incluindo um modo automático de repetir ações) e alternar entre Dracky (fácil) e Dragon (difícil) a qualquer momento. O salvamento automático salva antes de chefes e em pontos estratégicos, eliminando a frustração de perder progresso. Só senti falta de um modo foto, já que o visual merece registro. Não encontrei nenhum bug ou queda de frame durante minhas dezenas de horas. Se você quer a experiência mais fluida, essa é a plataforma certa.
Perguntas frequentes sobre review DRAGON QUEST I & II HD-2D REMAKE () PlayStation 5
Dá para começar por este pacote sem ter jogado DQ III?
Sim. As histórias de DQ I e II são independentes, embora se passem no mesmo universo. Jogar DQ III HD-2D Remake antes dá mais contexto, mas não é necessário para aproveitar este pacote.
O jogo tem legendas em português?
Não. O texto e as legendas estão disponíveis apenas em inglês (e outros idiomas como japonês). A dublagem é parcial em inglês e japonês. É um ponto negativo para quem não domina o idioma.
Quanto tempo leva para zerar os dois jogos?
A campanha principal de Dragon Quest I dura cerca de 10 a 20 horas, enquanto Dragon Quest II leva de 30 a 40 horas. Com missões secundárias e busca por itens, prepare-se para 50 a 60 horas no total.
Vale a pena para quem nunca jogou a série?
Sim. O remake foi pensado para novos jogadores, com tutoriais integrados, dificuldade ajustável e melhorias de qualidade de vida. Só fique ciente dos encontros aleatórios e da falta de localização em PT-BR.
Qual a diferença entre Dragon Quest I e II neste remake?
DQ I é uma aventura solo, com foco em exploração e combates em grupo (novidade). DQ II é um RPG de grupo com três ou quatro heróis, combate tático e um mundo muito maior. Ambos receberam expansões de história e conteúdo.
