Review Dragon Age: The Veilguard no PS5. combate afiado, narrativa irregular

O templo treme. Solas está prestes a destruir o Véu. Você e Varric avançam, mas o ritual escapa do controle. Em segundos, dois deuses élficos estão soltos e o mundo desaba. Dragon Age: The Veilguard não perde tempo: coloca você no meio do caos desde o primeiro minuto.

O combate chega rápido. A roda de habilidades aparece ao apertar L2, pausa a ação, e você coordena ataques entre Rook, Neve e Bellara. Um congelamento seguido de uma explosão elétrica derruba o primeiro inimigo. É fluido, responsivo, quase coreografado. Mas a narrativa principal não acompanha o ritmo. O tom é leve demais, os diálogos soam como piadas de sessão da tarde, e a tensão some entre uma cutscene e outra.

A decisão de compra depende do que você valoriza. Se a ideia de criar um personagem com quase 100 opções de cabelo, escolher uma facção e sair batendo em deuses com um grupo bem escrito soa irresistível, The Veilguard entrega. Agora, se você espera o peso político e os dilemas morais de Origins, é melhor recalibrar as expectativas.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • The Veilguard é um RPG de ação com combate em tempo real e pausa tática. Se você prefere CRPGs contemplativos ou estratégia por turno, o ritmo pode não agradar.
  • A história principal desaponta pelo tom leve e diálogos genéricos, mas os arcos de companheiros (como a missão de lealdade de Emmrich) são emocionantes e bem escritos.
  • A campanha principal leva de 30 a 40 horas. Para fazer tudo, incluindo missões secundárias e desbloqueios, você passa das 80 horas. Ideal para quem quer mergulhar de cabeça.
  • O criador de personagem oferece quase 100 opções de cabelo, tatuagens, cicatrizes, além de escolha de raça, classe e facção. É um dos mais robustos do gênero.

1. Dragon Age: The Veilguard (PS5). Edição Padrão da Electronic Arts

Pause, mire, exploda. No primeiro combate contra um Ogre, você congela o inimigo com Neve e detona com Bellara. O sistema de combate é ágil e recompensa quem usa a roda de habilidades. A criação de personagem é igualmente impressionante: Rook pode ser um elfo mago dos Grey Wardens ou um qunari ladino dos Antivan Crows, e cada escolha muda diálogos e missões. Visualmente, The Veilguard é um dos jogos mais bonitos desta geração no PS5, com iluminação realista e cenários de tirar o fôlego. A trilha sonora de Hans Zimmer e Lorne Balfe só reforça a grandiosidade. A história principal, infelizmente, não acompanha esse nível. A premissa de Solas e os deuses élficos é interessante, mas o tom excessivamente leve e os diálogos genéricos minam a tensão. O primeiro ato é corrido e didático. Felizmente, os companheiros (Bellara, Emmrich, Lucanis) têm arcos fortes e emocionantes, especialmente na segunda metade do jogo. Para quem busca um RPG de ação com combate viciante e customização profunda, The Veilguard é uma ótima compra. Fãs de Origins que esperam política densa e escolhas pesadas vão sentir falta, mas quem quer um blockbuster divertido e bonito vai se satisfazer.

Prós

  • Combate fluido e responsivo, com profundidade nas árvores de habilidades
  • Criação de personagem extremamente robusta e flexível
  • Visuais deslumbrantes e trilha sonora épica de Hans Zimmer e Lorne Balfe
  • Arcos de companheiros bem escritos e emocionantes na segunda metade

Contras

  • Narrativa principal fraca e com tom excessivamente leve
  • Diálogos por vezes genéricos e Marvel-izados

Combate e customização: o que faz The Veilguard brilhar

No primeiro campo de batalha, você aperta L2 e o mundo congela. Neve está prestes a lançar um feitiço de gelo, Bellara carrega uma descarga elétrica. Você escolhe: congelar o alvo primeiro ou detonar os dois de uma vez? Essa pausa tática transforma o combate em um quebra-cabeça de timing. O mago, no entanto, sofre com a trava de mira. Às vezes o cursor escapa e você acerta o inimigo errado, e a poluição visual de partículas pode atrapalhar.

A criação de personagem merece atenção especial. São quase 100 opções de cabelo, tatuagens, cicatrizes, maquiagem e ajustes faciais e corporais. Você escolhe raça (humano, elfo, anão, qunari), classe (guerreiro, mago, ladino) e uma das seis facções que influenciam diálogos e até o rumo da história. É o tipo de criador que faz você perder uma hora sem perceber. Quando Rook finalmente aparece no jogo, ele carrega suas escolhas: a cicatriz no rosto, a tatuagem qunari, a armadura da facção.

O sistema de facções vai além da estética: ser um Shadow Dragon ou um Mourn Watch abre portas narrativas diferentes. Em uma missão, a filiação aos Grey Wardens rende um diálogo extra que muda a abordagem de um conflito. Pequenos momentos assim fazem a diferença e incentivam uma segunda jogada com outra facção.

Narrativa e tom: o ponto que divide opiniões

O ritual de Solas dá errado, os deuses élficos são libertados. A premissa é excelente, mas o tom do jogo é incompatível. Os diálogos entre os companheiros parecem saídos de uma sitcom: todo mundo faz piada, ninguém leva a tensão a sério. É como se a BioWare tivesse medo de deixar o jogador desconfortável. O primeiro ato acelera demais, sem tempo para respirar, e a narrativa principal nunca recupera o fôlego.

Isso não significa que não haja bons momentos. As missões de lealdade dos companheiros são emocionantes e bem escritas. A de Emmrich, o necromante, por exemplo, apresenta uma escolha que define o destino do personagem de forma genuinamente impactante. É onde o jogo mostra sua força: no vínculo com o grupo. O problema é que a trama principal não sustenta esse peso. O chefão final e a resolução apressada deixam a sensação de que faltou um ato inteiro de desenvolvimento.

Novatos na série vão se sentir em casa: o jogo contextualiza tudo, o combate é intuitivo, a narrativa não exige bagagem. Veteranos, por outro lado, vão sentir falta das escolhas difíceis e do peso político de Origins. The Veilguard é um RPG de ação competente e visualmente deslumbrante, mas que falha justamente no que a franquia tinha de melhor: contar uma história que gruda na memória.

Perguntas frequentes sobre review Dragon Age: The Veilguard PlayStation 5

Dragon Age: The Veilguard é um bom jogo para quem nunca jogou Dragon Age?

Sim, é perfeito para novos jogadores. A história se passa 10 anos após Inquisition, mas o jogo explica o necessário. O combate é direto, a criação de personagem oferece liberdade total. Se você curte RPGs de ação, pode começar por The Veilguard sem se preocupar com a bagagem dos títulos anteriores.

O jogo roda bem no PS5?

Sim, roda muito bem no PS5. O modo desempenho mantém fluidez estável, e há opção de ray tracing para quem prefere gráficos mais realistas. Em áreas muito densas, pode ocorrer uma queda de quadros pontual, mas nada que atrapalhe a jogatina.

Quantas horas leva para zerar Dragon Age: The Veilguard?

A campanha principal leva de 30 a 40 horas. Fazendo todas as missões secundárias e de companheiros, você chega a 60 horas. Para quem quer ver tudo (colecionáveis, desfechos alternativos), prepare-se para mais de 80 horas de conteúdo.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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