Desolatium no PS5: nostalgia lovecraftiana que pede paciência

A primeira cena de Desolatium mostra Carter acordando em um quarto estranho, sem memória. A tela escura, o som ambiente vindo de todos os lados e aquela sensação de estar sendo observado criam uma abertura que promete horror psicológico. Por alguns momentos, ela entrega o que promete.

Desolatium não facilita: nenhum objeto interativo recebe destaque. Você precisa examinar cada canto da tela para encontrar o que usar. Quem tem nostalgia dos clássicos vai adorar; quem busca fluidez, a frustração chega rápido.

A Superlumen, estúdio espanhol, se inspirou nos clássicos. Os cenários são baseados em locais reais, renderizados em 360 graus com realismo fotográfico que contrasta com as animações limitadas dos personagens. A direção de arte ajuda na imersão, mas quebra quando um personagem entra em cena.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Paciência para pixel hunting: o jogo não destaca objetos interativos; é preciso examinar tudo manualmente.
  • Curta duração: a campanha principal leva entre 3 e 5 horas, ideal para uma sentada.
  • Atmosfera lovecraftiana autêntica: fãs do gênero vão apreciar as referências e o clima denso.
  • Múltiplos finais: as escolhas afetam o desfecho, mas o replay é limitado pela estrutura linear.

1. Desolatium (PS5). aventura point-and-click lovecraftiana pela Superlumen

Desolatium alterna entre fascínio e frustração. A história de Carter e seus amigos. Sophie, Christopher e James. se desenrola em capítulos que alternam o controle entre eles, cada um com uma perspectiva única do mistério. A trama envolve um culto, experimentos e criaturas dos mitos de Lovecraft, contada através de notas, diálogos e cenas bem dirigidas. Quando o jogo acerta, a tensão é palpável. O ponto fraco está no design de puzzles. A mecânica de pixel hunting domina: clique em cada objeto da tela para descobrir o que é relevante, mas os ambientes são cheios de elementos decorativos inúteis. Sem mapa e sem indicadores de hotspots, a exploração vira um teste de paciência. Itens minúsculos escondidos em cantos escuros passam despercebidos com frequência. Por outro lado, quando você descobre a combinação certa. juntar um item com outro, usar uma ferramenta em um local específico. a sensação de realização é genuína. Os puzzles não são impossíveis, mas exigem atenção aos detalhes e pensamento lateral. A trilha sonora e o áudio ambisônico (8D) ajudam a manter a imersão, mesmo quando a câmera treme ou a dublagem soa artificial.

Prós

  • Atmosfera lovecraftiana densa e imersiva
  • Narrativa intrigante com múltiplos finais
  • Cenários fotorealistas em 360° baseados em locais reais
  • Áudio ambisônico eficiente para criar tensão

Contras

  • Pixel hunting excessivo e sem indicadores
  • Ausência de mapa causa desorientação frequente

O retorno ao point-and-click clássico

Desolatium não tenta modernizar o gênero. Abraça as convenções dos anos 90: telas fixas, clique para mover, inventário limitado e puzzles de combinar objetos. Para jogadores mais novos, isso pode soar arcaico. Mas há um público que sente falta exatamente disso. A diferença é que, naquela época, tínhamos mapas impressos nas revistas ou dicas de amigos; hoje, ficamos perdidos.

O jogo também abraça o horror lovecraftiano com competência. As referências a Cthulhu, cultos e rituais são numerosas, e os easter eggs recompensam quem conhece os mitos. Se você é fã de H.P. Lovecraft, vai se sentir em casa. Se não conhece, a narrativa ainda funciona, mas perde algumas camadas.

Atmosfera e imersão: o forte de Desolatium

A ambientação é o destaque. Entrar em uma biblioteca empoeirada e ouvir cada rangido do assoalho cria um clima opressivo. Em uma cena, encontrar uma chave dentro de uma gaveta enquanto ouve algo se arrastando no andar de cima faz o jogador olhar para o canto da tela várias vezes. O áudio 8D posiciona sons com precisão.

Os cenários em 360 graus, fotografados de locais reais, dão uma sensação de lugar físico. Você pode girar a visão e notar detalhes como uma mancha na parede ou um livro fora do lugar. Mas a rigidez dos personagens quebra a imersão. Eles se movem com animações limitadas, e a dublagem soa artificial em alguns momentos.

Perguntas frequentes sobre review Desolatium PlayStation 5

Quanto tempo dura Desolatium?

A campanha principal leva cerca de 3 horas, com extras e finalizações chegando a 5 horas.

O jogo tem múltiplos finais?

Sim, as escolhas ao longo da história afetam o desfecho, mas as variações não são enormes.

É necessário jogar em ordem?

Não, cada capítulo alterna entre os quatro personagens, mas a história é linear.

O jogo tem suporte a português?

Não há confirmação de legendas em português brasileiro; o jogo está em inglês e outras línguas europeias.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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