Colt acorda na praia, confuso, sem armas. A areia fria, o som das ondas, e a única certeza: matar oito pessoas antes que o dia recomece. Essa é a premissa de DEATHLOOP, o FPS criativo da Arkane Lyon que chegou ao PS5 em 2021 e continua sendo um dos títulos mais comentados da geração. Misturando loop temporal, investigação e tiroteio, ele promete liberdade total. E cumpre, pelo menos nas primeiras horas.
Blackreef é uma ilha dos anos 60, colorida e decadente. Cada distrito muda com o horário: Updaam à noite tem festas, The Complex de manhã é silêncio. Você pode explorar, coletar pistas, experimentar armas e habilidades, e cada tentativa gera conhecimento que fica. Morrer não é castigo: é parte do processo. Mas a repetição, inevitável, cansa.
Deslizar por um corredor enquanto balas passam, chutar um inimigo para fora da janela, sentir o DualSense tensionar a cada tiro: a Arkane acertou em cheio o combate. A movimentação é fluida, as armas têm peso, e a resposta tátil do controle é das melhores que já senti. Cada gatilho tensiona diferente, cada tiro vibra com intensidade. É quase um personagem à parte. Mas essa fluidez esconde um problema: depois de algumas horas, a ilha começa a parecer menor, e a IA, simplória.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Seu ritmo dita o quanto o loop vai te prender: DEATHLOOP não é um roguelike onde você perde tudo; o conhecimento e itens infundidos ficam. Mas a repetição de cenários e objetivos pode cansar quem prefere progressão linear.
- Dificuldade sob demanda: o jogo tem um sistema que ajusta o desafio conforme seu desempenho. Se você for bem, os inimigos ficam mais espertos. Ainda assim, a IA base é fraca e pode quebrar a imersão.
- Multiplayer opcional: a invasão de Julianna (controlada por IA ou outro jogador) é tensa e adiciona variedade. Mas se você não curte PvP assimétrico, pode desativar. A experiência single-player já vale o ingresso.
- Duração aproximada: a campanha principal leva cerca de 16 horas; completar tudo passa das 30. Não é um jogo curto, mas o conteúdo se repete. Avalie se você se importa em revisitar os mesmos mapas com missões parecidas.
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Em DEATHLOOP, você é Colt, um homem preso em um loop temporal na ilha de Blackreef. A cada ciclo, aprende mais sobre os oito Visionários que precisa eliminar. O combate é ágil: deslizar, chutar, usar teleporte ou invisibilidade. As armas têm peso, e o DualSense responde a cada tiro com vibrações e gatilhos que tensionam. A narrativa não linear é contada com diálogos afiados entre Colt e Julianna. O estilo visual retrô-futurista é encantador, com trilha sonora dos anos 60. Porém, a inteligência artificial dos inimigos deixa a desejar, mesmo após atualizações, eles demoram a reagir e não flanqueiam. E o jogo segura demais a mão na reta final. A repetição dos mesmos mapas pode cansar, e o excesso de poder tira o desafio. No geral, é uma experiência memorável para quem busca inovação, mas pode frustrar quem espera um FPS com desafio constante.
Prós
- Combate fluido e responsivo, com DualSense que transforma cada tiro em sensação
- Design de mundo rico em detalhes e personalidade, estilo visual único
- Liberdade total de abordagem: stealth, combate direto, parkour
- Narrativa inteligente com diálogos bem escritos entre Colt e Julianna
Contras
- Inteligência artificial dos inimigos fraca, mesmo com patches
- Repetição de cenários e objetivos pode cansar após 12-16 horas
O loop que ensina
Morrer em DEATHLOOP não é castigo: é aula. Ao contrário de um roguelike tradicional, você não perde tudo quando morre. O conhecimento é mantido: pistas, senhas, rotinas dos alvos. Você pode infundir armas e habilidades com Residuum, garantindo que fiquem permanentemente no seu inventário. É libertador, mas tira a tensão. Cada ciclo você fica mais forte, e o jogo fica mais fácil.
Nada de mapa com marcadores. Você descobre os horários e locais dos Visionários por tentativa e erro. Conecta os pontos: fulano aparece em Updaam à tarde se você ativou um dispositivo no Complex pela manhã. É recompensador montar o quebra-cabeça, mas os primeiros loops podem ser frustrantes quando tudo parece confuso.
Julianna: a invasão que muda o jogo
Outro jogador (ou a IA) assume Julianna e invade sua sessão. O rádio chia, anuncia a chegada dela, e o plano que você montou vira fumaça. Um tiro bem colocado ou um deslize e o progresso do ciclo se perde. Funciona bem, mas pode frustrar quem só quer explorar. Felizmente, dá para desativar o online e deixar a IA controlar Julianna: ela é mais previsível.
A melhor parte? Quando você, como Colt, sente a presença de outro jogador na ilha. O jogo vira outro: você para de seguir o plano e começa a caçar ou ser caçado. Esses momentos aleatórios são os mais memoráveis.
Quando o loop perde o encanto
Depois de umas 12 horas, a repetição pesa. Você já viu todos os cantos de Karl's Bay, já sabe os padrões dos inimigos, e a IA não ajuda. Eles tropeçam em barris, demoram a reagir, e você passa a atropelar tudo sem dificuldade. A atualização Goldenloop melhorou um pouco, mas não o suficiente. O jogo parece ter medo de te punir.
A corrida final, então, é literalmente guiada. O jogo te dá dicas na tela, marca objetivos, praticamente te leva pela mão. Quebra a imersão. Para quem veio de Dishonored ou Prey, falta aquele risco genuíno. Ainda assim, a campanha principal é sólida e o desfecho, mesmo que apressado, amarra bem a narrativa.
Perguntas frequentes sobre review DEATHLOOP PlayStation 5
DEATHLOOP é um jogo longo?
A história principal leva cerca de 16 horas. Para fazer tudo, incluindo missões secundárias e explorar todos os finais, prepare-se para umas 30 horas.
A inteligência artificial dos inimigos é ruim mesmo?
Sim, comparada a outros FPS, a IA é fraca. Eles demoram a reagir, não fazem flanqueios e caem em armadilhas fáceis. Atualizações melhoraram, mas não corrigem totalmente.
Preciso jogar online?
Não. O modo invasão de Julianna pode ser jogado com IA offline. O online é opcional e adiciona imprevisibilidade, mas a experiência single-player é completa.
Vale a pena para quem não gosta de roguelike?
Sim, porque não é um roguelike puro. Você não perde progresso real: conhecimento e itens infundidos ficam. A estrutura é mais de puzzle investigativo do que de repetição punitiva.
Qual a diferença entre as edições Standard e Deluxe?
A Deluxe inclui itens cosméticos: armas e poderes alternativos, além de conteúdo bônus. A Standard contém o jogo base. A experiência fundamental é a mesma.
