Cinco pontos de ação. Três cartas na mão: ataque a distância, cura e um totem de bônus. Ro avança um quadrado, gasta um ponto. O inimigo está a dois movimentos. Atacar consome dois pontos. Se atacar agora, não sobra energia para recuar. Um erro aqui custa metade da vida. Death Howl mistura soulslike e deckbuilding com sinceridade brutal. Quando o baralho colabora, a sinergia vicia. Quando o RNG vira as costas, a frustração é real.
Ro não é uma heroína clássica. Ela é uma mãe que perdeu o filho e atravessa reinos espirituais. O jogo não trata a dificuldade como castigo: ela faz parte da narrativa. Cada morte é um passo no luto, cada vitória um alívio. Death Howl não agrada todo mundo. Exige paciência, memória e teimosia. Se você tem isso, a jornada pode ser inesquecível.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Pense no tipo de jogador que você é: tem paciência para repetir batalhas e refinar estratégia? Death Howl exige isso.
- O jogo prioriza tática por turnos em grid, com cartas que consomem ação. Se você prefere ação frenética, pode estranhar.
- A versão de PS5 inclui a campanha completa e as mesmas mecânicas do PC, mas com menus adaptados para controle (que podem ser confusos).
- Death Howl não tem legendas em português confirmadas, só inglês. Verifique antes se o idioma é um problema.
1. Death Howl para PlayStation 5: deckbuilding tático com alma soulslike
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Death Howl entrega uma experiência que surpreende pela originalidade e pela coragem de ser difícil. O combate em grid, com cartas que representam ataques, movimentos e habilidades, lembra Into the Breach na essência tática, mas tempera tudo com uma atmosfera melancólica rara. Em cada turno, você tem cinco pontos de ação para gastar entre andar e jogar cartas. Um erro de posicionamento pode custar metade da vida. A mão de cartas é aleatória, o que significa que às vezes a melhor estratégia do mundo não adianta se o baralho não colaborar. É frustrante, sim, mas quando a sinergia aparece (aquela combinação de totem que envenena o inimigo enquanto você se cura), a sensação de controle é viciante. A progressão não é linear: cada um dos quatro reinos espirituais tem seu próprio conjunto de cartas, e usar cartas de outra região custa mais mana. Isso força você a se adaptar, a abandonar o baralho favorito e construir do zero com o que encontrar. O ciclo de grind (derrotar inimigos, coletar Death Howls, voltar ao Bosque Sagrado para criar cartas) pode se repetir mais do que o ideal, especialmente nas primeiras horas. Algumas batalhas parecem injustas, com inimigos que aparecem em posições que anulam sua vantagem. Mas superar um chefe depois de cinco tentativas dá uma satisfação que jogos mais fáceis não oferecem. Visualmente, Death Howl é um colírio. A pixel art, que mistura influências escandinavas com traços expressionistas, cria cenários que parecem quadros vivos. A trilha sonora ambiente, minimalista, reforça o isolamento de Ro. A história sobre luto materno é contada com delicadeza, sem apelar para o melodrama. Você sente a dor dela através do silêncio e das escolhas difíceis. No PS5, o jogo roda liso, mas a navegação nos menus é um ponto baixo: o cursor travado e o traçado automático nos ícones transformam tarefas simples em exercício de paciência. Falta um botão de desfazer, e isso dói quando você clica no lugar errado. Death Howl acerta ao propor uma mistura ousada e executá-la com personalidade. Não é um jogo para todos: quem não tolera RNG em jogos táticos ou não tem paciência para grind vai se irritar rápido. Mas para quem busca um desafio que exige raciocínio, memória e resiliência, a jornada de Ro vale cada hora.
Prós
- Pixel art lindíssima e atmosfera envolvente
- Combate tático profundo com decisões que pesam
- História emotiva sobre luto, contada com sensibilidade
- Quatro reinos com mecânicas próprias que renovam a estratégia
Contras
- Aleatoriedade das cartas pode frustrar estratégias bem planejadas
- Grind repetitivo para conseguir cartas e recursos
Combate em grid: tática, sorte e a dor de não ter desfazer
O combate em grid de Death Howl não perdoa deslizes. A cada rodada, Ro tem cinco pontos de ação para mover e ativar cartas. O baralho é seu, a mão é sorte. Planejar uma sequência pode ser inútil se as cartas certas não vêm. E quando você erra um clique (a interface do console é um pouco imprecisa), não há volta. Não existe botão de desfazer. Uma ação errada pode custar a batalha.
Na Floresta das Sombras Uivantes, por exemplo, você enfrenta uma criatura que aplica veneno a cada golpe. Se o totem de resistência está ativo, o dano cai pela metade. Mas a carta de veneno pode aparecer no turno errado, e o estrago está feito. A sensação de impotência é real. Mas quando a sequência certa sai: posicionar Ro no canto, usar a carta de longo alcance, finalizar com ataque corpo a corpo. A recompensa cerebral compensa o esforço.
Arte, som e a dor que vira narrativa
Death Howl é um deleite visual. Cada reino tem paletas distintas: a Floresta das Sombras Uivantes em azul profundo, os Campos da Ilusão em sépia. A animação dos inimigos é minimalista, mas expressiva: um golem que range ao se mover, uma ave espectral que abre as asas lentamente. A trilha sonora ambiente, composta por Chris Bjørnslet e Malte Burup, não tenta roubar a cena. Ela vive no fundo, entre um grunhido e outro, criando tensão constante.
A história de Ro é contada por cenas curtas e diálogos esparsos. Ela perdeu o filho, e a jornada pelos reinos espirituais é o luto em forma de mapa. A dificuldade absurda não é acidental: ela representa a luta interna da personagem. Quando você morre para um chefe pela quinta vez, entende que o jogo não quer te punir. Quer que você sinta o desespero de Ro. É poético e cruel na mesma medida.
Desempenho no PS5 e o preço da paciência
No PlayStation 5, Death Howl roda liso. Os carregamentos são rápidos, e a taxa de quadros se mantém estável mesmo com vários efeitos na tela. O maior problema está na interface: os menus são densos, o cursor não desliza suavemente e, por vezes, você acaba selecionando a opção errada porque o traçado automático pula para o ícone ao lado. É um atrito que incomoda, especialmente porque o jogo já é punitivo por natureza.
Para quem busca a platina, prepare-se: zerar completamente, incluindo todos os troféus, pode levar mais de 50 horas. O grind é real, e o RNG pode estender ainda mais o tempo. Se você não tem paciência para repetir o mesmo confronto várias vezes por conta de uma mão ruim, essa versão de PS5 pode testar seus limites. Mas se a proposta de um soulslike com cartas te atrai, Death Howl entrega uma experiência única, mesmo com seus defeitos.
Perguntas frequentes sobre review Death Howl PlayStation 5
Death Howl é muito difícil?
Sim, a dificuldade é elevada, especialmente nas primeiras horas. A curva de aprendizado é íngreme, e o RNG das cartas pode tornar algumas batalhas frustrantes. Fãs de jogos táticos punitivos vão se identificar, mas jogadores casuais podem desanimar.
O RNG atrapalha a estratégia?
Em alguns momentos, sim. A mão aleatória de cartas pode arruinar um plano bem traçado, e não há botão de desfazer. Ainda assim, é possível mitigar isso com construção de deck e totens que reduzem a variabilidade.
Quanto tempo leva para zerar Death Howl?
A campanha principal gira em torno de 28 horas, com extras chegando a 33 horas. Para completar tudo, incluindo platina, espere mais de 50 horas, dependendo do seu desempenho e tolerância ao grind.
Vale a pena para quem não gosta de soulslike?
Depende. O jogo pega emprestado a mecânica de perder recursos ao morrer e a necessidade de aprender padrões. Se você não curte esse tipo de punição, o jogo pode ser mais irritante do que divertido.
O PS5 tem problemas de controle ou desempenho?
O desempenho é bom, sem quedas de quadros. O problema está na navegação dos menus, que é confusa com o controle: o cursor travado e o traçado automático atrapalham, mas não impedem a jogabilidade.
