Review Darksiders II Deathinitive Edition no PS5: a morte ficou mais bonita, mas ainda tropeça

Morte salta de um penhasco, estende a mão e o Death Grip o puxa para uma plataforma distante. A sombra do cavalo Desesperation se projeta no chão com nitidez, graças ao ray tracing. Esse é o Darksiders II Deathinitive Edition no PS5: um remaster que rouba a cena visualmente, mas mantém os ossos de 2012 rangendo.

De um lado, Joe Madureira nunca esteve tão bem servido, com 4K nativo, iluminação dinâmica e 60fps estáveis. Do outro, a câmera insiste em atrapalhar combates apertados, e a esquiva com R1 falha mais do que deveria. O feedback tátil do DualSense adiciona uma camada física que o original nem sonhava: cada golpe de foice, cada salto de Desesperation, cada impacto de magia chega com uma vibração direcional que ancora a ação. Mas, por baixo do brilho técnico, o esqueleto de 2012 continua lá. A câmera ainda fecha demais em combates apertados, a esquiva com R1 ainda parece imprecisa, e alguns bugs visuais atravessaram gerações sem correção. A questão é de expectativa: você está disposto a relevar arestas em troca de uma aventura de mais de 30 horas com loop de gameplay viciante?

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • A Deathinitive Edition inclui todas as três expansões (Abyssal Forge, Argul's Tomb e Demon Lord Belial) integradas à campanha, então você não perde conteúdo.
  • Quem já tem a versão de PS4 ou Xbox One pode fazer o upgrade gratuito, sem custo extra.
  • Não há opção de escolher entre modo qualidade e desempenho: o jogo roda fixo em 4K com ray tracing a 60fps, sem alternativas.
  • A versão física pode exigir etapas adicionais para o upgrade automático.

1. Darksiders II Deathinitive Edition (PS5): remaster com 4K, ray tracing e 60fps

A Deathinitive Edition no PS5 entrega visual espetacular, mas o combate ainda esbarra na câmera e nos controles originais. A arte de Joe Madureira ganha nova vida com resolução 4K nativa e ray tracing que suaviza sombras e iluminação sem pesar no desempenho. Os 60fps se mantiveram estáveis na maior parte do tempo, com engasgos pontuais e screen tearing em áreas específicas. O DualSense é o grande acerto: o feedback tátil transmite a textura do terreno, o peso dos ataques e até o trote do cavalo Desesperation. O combate hack and slash continua frenético e satisfatório, com árvore de habilidades generosa, loot variado e dungeons com puzzles inspirados em Zelda e Portal. Mas a câmera em combates fechados vira uma luta à parte, e a falta de remapeamento nos controles pesa. Para quem nunca jogou, esta é a versão definitiva: todo o conteúdo de DLC integrado, mais de 30 horas de campanha, performance sólida e o melhor acabamento visual possível no PS5. Para quem já zerou no PS3 ou PS4, o upgrade gratuito vale pelo ganho técnico, mas não espere uma transformação. É um remaster honesto, que poliu a fachada sem reformar a estrutura.

Prós

  • Visual impressionante em 4K nativo com ray tracing e 60fps estáveis na maior parte do tempo
  • Feedback tátil do DualSense bem implementado, com vibrações direcionais e sensação de terreno
  • Inclui todos os 3 DLCs integrados à campanha, sem conteúdo cortado
  • Carregamentos praticamente instantâneos (2 a 3 segundos entre áreas)
  • Mais de 30 horas de conteúdo com side quests, loot e árvore de habilidades

Contras

  • Câmera problemática em combates fechados e cantos apertados
  • Controles datados: sem remapeamento, esquiva imprecisa e plataforma frustrante em certos momentos

Combate, exploração e o peso de 2012

Pegar as foices de Morte e sair cortando hordas de demônios ainda é tão catártico quanto em 2012. O combate é rápido, com combos que se expandem conforme você sobe de nível e desbloqueia habilidades como Death Grip, Soul Splitter e o sempre útil Reaper. A árvore de habilidades permite especializar em magia, combate corpo a corpo ou utilidade, dando uma liberdade rara para a época. O sistema de loot, com armas e armaduras de raridades variadas e estatísticas aleatórias, injeta um vício de Diablo que incentiva a explorar cada canto do mapa. O problema é que a câmera não acompanha o ritmo. Em ambientes fechados ou contra grupos, ela fecha demais e você perde a noção do que está vindo pelas laterais. Os controles também pedem adaptação: a esquiva mapeada em R1 às vezes não registra, e a falta de remapeamento pesa. As seções de plataforma, especialmente durante escaladas e saltos precisos, sofrem com a física imprecisa, e Morte pode ficar preso em bordas ou errar um pulo por causa do ângulo da câmera. Ainda assim, quando o loop funciona, funciona bem: entrar em uma masmorra, resolver puzzles, derrotar chefes e sair com equipamento novo é um ciclo que prende.

O espetáculo visual e o uso do DualSense

Colocar Darksiders II em 4K com ray tracing é como ver um desenho animado ganhar profundidade. A paleta de cores vibrantes de Joe Madureira, que vai do dourado dos reinos celestiais ao púrpura sombrio dos abismos, fica ainda mais impactante com sombras dinâmicas e iluminação global aprimorada. O ray tracing foca em sombras sem custo perceptível de performance, e dá um realismo sutil aos cenários. O desempenho se mantém em 60fps na quase totalidade do jogo, com engasgos raros e concentrados em transições de área ou invocações de magia pesada. O DualSense, porém, é a verdadeira estrela técnica. Cada tipo de superfície gera uma vibração diferente: o galope de Desesperation em terra firme não soa igual ao passo sobre pontes de pedra. Os golpes de foice transmitem impacto direcional, e ao usar a habilidade Reaper, o controle treme em sintonia com a tela. Os carregamentos, que no PS3 chegavam a 30 segundos, agora são de 2 a 3 segundos graças ao SSD. Isso transforma o ritmo: morrer e tentar de novo não quebra a imersão.

Para quem encaixa e quem deve passar longe

Quem curte ação com pitadas de RPG vai se sentir em casa com Darksiders II Deathinitive Edition. Se você gosta de God of War clássico, mas sente falta de exploração com quebra-cabeças, aqui encontra um meio-termo saboroso. A campanha principal leva cerca de 20 horas, e com todas as side quests e DLCs passa das 30, sem incluir o grind por loot raro. É um jogo generoso, que não exige que você compre nada extra. O upgrade gratuito para donos de versões anteriores também é um acerto raro nessa indústria. Por outro lado, quem prioriza controles polidos e câmera livre de problemas vai se irritar. A falta de remapeamento e a imprecisão em plataformas são limitações reais, não frescuras. Se você não tem nostalgia pelo original, pode sentir que o jogo envelheceu em aspectos fundamentais. Também não espere uma narrativa profunda: a história de Morte tentando limpar o nome de Guerra é funcional, mas repleta de diálogos exagerados e reviravoltas previsíveis. Para jogadores que valorizam ritmo e precisão acima de tudo, talvez seja melhor buscar títulos mais modernos. Para os demais, é uma aventura honesta, bonita e recheada.

Perguntas frequentes sobre review Darksiders II Deathinitive Edition PlayStation 5

Darksiders II Deathinitive Edition no PS5 tem modo qualidade/desempenho?

Não. O jogo roda fixo em 4K nativo com ray tracing e 60fps, sem opção de escolher entre modos. O desempenho é consistente na maior parte do tempo, com raros engasgos.

Vale a pena comprar se eu já tenho a versão de PS4?

Para quem possui a versão de PS4, o upgrade gratuito está disponível: insira o disco ou acesse a versão digital na biblioteca para baixar a melhoria. As diferenças visuais e de carregamento são significativas.

O jogo inclui todos os DLCs?

Sim. A Deathinitive Edition vem com os três pacotes de expansão: Abyssal Forge, Argul's Tomb e Demon Lord Belial, todos integrados à campanha principal.

A câmera ainda é problemática?

Infelizmente, sim. Em combates fechados e ambientes apertados, a câmera tende a fechar demais ou posicionar mal, atrapalhando a visão. É um dos pontos mais criticados e que o remaster não corrigiu.

Quanto tempo dura a campanha?

A história principal leva cerca de 20 horas. Com side quests e DLCs, o total ultrapassa 30 horas. Para 100% (todos os colecionáveis e conquistas), espere cerca de 50 horas.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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