Review Crypt Custodian (PS5): Um Metroidvania Charmoso que Limpa o Além

Pluto era só mais um gato preto vivendo sua vida até ser atropelado. Agora, no além, ele recebe uma vassoura, uma condenação a limpar o lugar para sempre e uma certeza: a morte não é o fim, é o começo de uma faxina cósmica. Essa premissa absurda e genial é o ponto de partida de Crypt Custodian, um metroidvania top-down que mistura combate ágil, exploração generosa e um coração do tamanho de um felino.

Desenvolvido por Kyle Thompson, o mesmo criador de Islets e Sheepo, o jogo chega ao PS5 com a promessa de ser um dos títulos mais acessíveis do gênero sem abrir mão de profundidade. Depois de passar boas horas varrendo o além, posso dizer que ele entrega exatamente isso: uma aventura encantadora, com controles que grudam nos dedos e uma história sobre luto e amizade que teima em emocionar até quem não tem gato.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Crypt Custodian é um metroidvania com visão de cima para baixo, foco em exploração e combate com vassoura.
  • O jogo oferece dificuldade ajustável no início, ideal tanto para novatos quanto para veteranos do gênero.
  • Há suporte a português brasileiro, o que facilita acompanhar a narrativa emocionante e os diálogos dos fantasmas.
  • No PS5, o desempenho é sólido, sem travamentos, e o carregamento rápido graças ao SSD.
  • A versão digital dá acesso ao cross-buy entre PS4 e PS5, e há também uma demo disponível para testar antes de comprar.

1. Crypt Custodian (PS5): Um Metroidvania Top-Down com Gato Zé Pelintra

Pluto acorda no além com uma vassoura na pata. A Guardiã Kendra diz que ele tem que limpar tudo. para sempre. Mas o que parece castigo vira uma aventura surpreendente. Crypt Custodian é um metroidvania top-down, daqueles que lembram Zelda: A Link to the Past, mas com personalidade própria. Os controles são precisos: cada golpe de vassoura tem peso, cada esquiva (com i-frame) salva sua pele. O combate é simples. ataque, esquiva, ataque especial. mas a execução é tão firme que você sente cada acerto. O mundo é enorme: mais de dez biomas, de florestas douradas a parques de diversões decadentes, cavernas neon a porões sombrios. O backtracking não irrita porque você pode teletransportar para qualquer ponto de salvamento já visitado, sem custo. Novas habilidades como arremesso de vassoura e dash aéreo abrem caminhos antigos. E o sistema de upgrades é um capricho: três camadas (progressão, melhorias compradas com lixo, e nodos de equipamento. mais de 75 slots para montar sua build). Trocar nodos é livre, então você testa sem medo. O que realmente gruda, porém, é a história. Pluto recruta outros fantasmas para invadir o palácio de Kendra. Cada um tem uma história de vida e morte: o cachorro que não aceita ter partido, o pássaro que precisa de perdão. O roteiro fala de luto com honestidade, sem pieguice, e o humor seco aparece nas horas certas. A arte cartoon dos anos 30/40 é linda, e a trilha sonora de Eric Thompson (irmão do dev) é daquelas que você busca no Spotify. Mas incomoda. O combate, por mais preciso que seja, fica repetitivo. Você faz a mesma coisa por horas. E a navegação: em certos momentos, o jogo não deixa claro para onde ir. Mesmo com a loja de dicas, você fica perdido, sem saber se aquele chefe é obrigatório ou opcional. A esquiva no R1 sem opção de remapear também irrita. Ainda assim, para iniciantes em metroidvania, é uma porta de entrada excelente. Dá para ajustar a dificuldade no começo. A duração fica entre 10 e 14 horas, com modos extras (Boss Rush, Shuffle Mode, Speedrun). Não é o jogo mais profundo do gênero, mas é charmoso, bem escrito e gostoso de jogar. Se você quer uma aventura que aquece o coração, vale cada centavo.

Prós

  • Controles precisos e responsivos que dão prazer a cada golpe de vassoura
  • Mundo enorme com teleporte irrestrito que elimina o atrito da exploração
  • Narrativa emocionante sobre luto e amizade, com personagens cativantes e humor na medida
  • Arte charmosa inspirada em cartoons clássicos e trilha sonora marcante
  • Acessível para iniciantes no gênero, com dificuldade ajustável e demo disponível

Contras

  • Combate simples pode se tornar repetitivo ao longo da campanha
  • Navegação por vezes confusa: nem sempre fica claro para onde ir ou se um chefe é opcional

Jogabilidade que gruda e um sistema de upgrades inteligente

Na prática, Crypt Custodian é sobre ritmo. Você corre, ataca com a vassoura, desvia de projéteis e, de vez em quando, solta um ataque especial. Parece simples. e é. Mas a execução é tão firme que cada esquiva bem-sucedida ou combo contra um chefe dá uma satisfação genuína. Os upgrades são divididos em três categorias: habilidades de progressão (como dash aéreo ou arremesso de vassoura) que abrem novas áreas, pontos de melhoria comprados com lixo na taverna Sinner's Inn e nodos de equipamento que você encaixa para ganhar bônus passivos ou novos ataques especiais.

O sistema de nodos lembra Hollow Knight, mas com mais de 75 slots disponíveis, a customização é generosa. Você pode montar uma build focada em dano, defesa ou até em velocidade de recarga de ataque especial. O melhor: o jogo incentiva a experimentação porque não há penalidade para trocar os nodos a qualquer momento. Isso, combinado com o teleporte irrestrito para qualquer poço de salvamento, faz com que a exploração flua sem aquela sensação de punição típica do gênero.

História de luto contada com delicadeza e personagens inesquecíveis

Pluto não está sozinho no além. A cada novo fantasma que você recruta para invadir o palácio de Kendra, uma história de vida (e morte) se revela. Tem o cachorro que não aceita ter partido, o pássaro que precisa se perdoar, o rato que esconde um segredo. O roteiro trata o luto com honestidade, sem melodrama barato, e o humor surge nos momentos certos. as falas dos personagens são afiadas e cheias de personalidade.

Visualmente, o jogo é um deleite visual. A paleta de cores vibrante e as animações fluidas lembram desenhos dos anos 30, mas com um toque moderno. Cada bioma tem identidade própria: da floresta amarelada ao parque de diversões decadente, passando por cavernas de cristais neon. A trilha sonora, composta por Eric Thompson, varia de temas melancólicos a faixas animadas, e as animações de texto com áudio dos personagens são um mimo que poucos indies oferecem.

Público ideal: quem pode amar e quem pode passar batido

Crypt Custodian é, acima de tudo, um metroidvania para quem quer uma experiência mais tranquila. A dificuldade selecionável no início, o teleporte sem restrições e a ausência de penalidade por morte fazem dele uma porta de entrada excelente para novatos. Se você nunca jogou um metroidvania porque achava punitivo demais, comece por aqui. Para veteranos que buscam combate complexo com dezenas de armas e combos, o jogo pode parecer raso. o loop de atacar e esquivar não muda muito.

Outro ponto: a navegação. O mapa é enorme, e em certos momentos você vai se perguntar se aquele caminho leva a um segredo ou à progressão principal. A loja de dicas ameniza, mas não resolve. Quem prefere jogos com roteiro mais guiado pode se frustrar. No fim, Crypt Custodian é um jogo de nicho dentro do nicho: feito para quem valoriza atmosfera, história e controles precisos acima da profundidade mecânica. E, claro, para quem ama gatos.

Perguntas frequentes sobre review Crypt Custodian PlayStation 5

Crypt Custodian tem suporte a português brasileiro?

Sim, o jogo oferece legendas e menus em português do Brasil, além de outros idiomas como inglês, espanhol, francês e japonês.

Quanto tempo leva para zerar Crypt Custodian?

A campanha principal leva entre 10 e 12 horas, e para quem busca 100% (colecionáveis, modos extras), pode chegar a 14 horas ou mais.

Crypt Custodian é difícil? Posso ajustar a dificuldade?

Sim, no início do jogo você pode escolher entre dificuldades que afetam a agressividade e o dano dos inimigos. O jogo é acessível e não penaliza mortes.

Vale a pena jogar no PS5? Tem algum diferencial?

No PS5, o jogo roda com carregamentos muito rápidos e desempenho estável. Porém, não utiliza recursos específicos do DualSense como feedback tátil avançado. A experiência é excelente mesmo assim.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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