Review CRYMACHINA Deluxe Edition: uma história que emociona, um combate que cansa

CRYMACHINA começa com Leben abrindo os olhos em um corpo sintético, perdida entre ruínas metálicas. Em minutos, você já está lutando contra máquinas em um combate frenético. A premissa é clara: a humanidade se foi, e três E.V.E. precisam provar que merecem existir. O gancho emocional funciona, e os primeiros capítulos entregam justamente o que os fãs de RPGs de ação com drama pesado procuram.

O problema é que o combate perde o brilho com o tempo. As fases são corredores que se repetem, e a ausência de checkpoints antes dos chefes faz cada morte ser mais frustrante do que deveria. Ainda assim, quem valoriza uma história bem contada e personagens cativantes pode encontrar aqui uma jornada que vale a pena, desde que você tolere a repetitividade.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • O combate diverte nas primeiras horas, mas se torna repetitivo; certifique-se de que a história e os personagens são suficientes para você continuar.
  • A Deluxe Edition inclui mini art book, trilha sonora digital e capa reversível. itens interessantes para colecionadores, mas que não mudam a experiência do jogo base.
  • Não há legendas em português: o texto é todo em inglês, com áudio em japonês. Se você não se sente confortável com o idioma, pode ser um obstáculo.
  • A campanha principal tem duração moderada, e quem busca o 100% pode passar mais tempo. É um título que não se estica além da conta.

1. CRYMACHINA Deluxe Edition (PS5): Análise Completa

A abertura é de tirar o fôlego: Leben acorda em um corpo androide, sem entender o que aconteceu, e o jogador é jogado direto em um combate frenético contra criaturas mecânicas. A sensação de urgência e o mistério por trás da trama me prenderam de imediato. A arte cyberpunk, a trilha de Sakuzyo e os diálogos entre as protagonistas criam um clima que gruda. Cada personagem tem sua própria personalidade e motivação, e a relação entre elas é o coração da narrativa. Porém, com o passar das horas, o brilho vai sumindo. As fases são todas parecidas: um corredor, algumas salas com inimigos que se repetem, um chefe no final. Não há exploração significativa, nenhum puzzle ou desvio. O combate, que começa divertido com combos e esquivas, rapidamente se torna uma coreografia repetitiva. Pior: quando você morre contra um chefe, volta ao início da fase inteira. isso aconteceu comigo algumas vezes, e a sensação de injustiça é grande. A Deluxe Edition, por sua vez, entrega um belo art book e uma trilha sonora que merece ser ouvida separadamente, mas o valor agregado é mais para fãs dedicados. Quem aprecia narrativas densas vai se sentir em casa, mas quem prioriza variedade nos combates pode se frustrar. No fim, é um jogo que me fez sentir muito por suas personagens, mas que também me fez revirar os olhos com cada fase repetida.

Prós

  • Narrativa profunda e emocionante, com temas sobre humanidade e existência
  • Personagens carismáticos e bem desenvolvidos, com diálogos que aquecem o coração
  • Trilha sonora atmosférica e arte cyberpunk de alto nível
  • Combate rápido e fluido nos primeiros momentos, com boa variedade de armas e personalização

Contras

  • Fases extremamente lineares e repetitivas, sem exploração ou variedade
  • Ausência de checkpoints antes dos chefes, gerando frustração com repetições forçadas

Combate que empolga e cansa

Leben brande sua lança, Mikoto gira o machado, Ami dispara à distância: cada personagem tem seu estilo, e trocar entre eles no calor da batalha é satisfatório. O sistema de personalização de armas permite adicionar efeitos elementais e modificar atributos, dando uma profundidade que logo se revela limitada. Logo na segunda hora, porém, a estrutura fica clara: você entra em uma fase, caminha por corredores idênticos, enfrenta grupos de inimigos que variam pouco, e no final um chefe que exige paciência e esquivas perfeitas. Não há atalhos, não há segredos. A repetição pesa, e o que era divertido vira obrigação.

O ponto mais controverso é a falta de checkpoints. Em um chefe mais exigente, morrer significa refazer todo o trajeto. um design que parece punir o jogador à toa. Em contrapartida, o sistema de parry e esquiva com indicação visual colorida é claro e responsivo, e os combos aéreos são legais. Se o jogo tivesse fases mais curtas ou pontos de salvamento adicionais, a experiência seria muito mais fluida.

Narrativa que sustenta o conjunto

O que realmente segura CRYMACHINA é a história. As três protagonistas não são apenas peças de combate: Leben carrega o rancor de uma vida interrompida, Mikoto busca conhecimento com entusiasmo contagiante, e Ami exerce uma maternidade forçada em um mundo sem humanos. As interações no hub Imitation Garden são genuinamente emocionantes, com diálogos que exploram o que significa ter sentimentos em um corpo artificial. A trama aborda o Paradoxo de Fermi, a senciência das IAs e a esperança de recomeço, tudo costurado com uma trilha sonora que acentua cada momento.

É uma pena que essa qualidade não se reflete no gameplay. As cenas mais impactantes acontecem entre as missões, e quando você volta a jogar, o contraste é grande. Ainda assim, fãs de jogos como Nier ou a série Crystar vão se identificar com a proposta. CRYMACHINA não reinventa a roda, mas entrega uma experiência narrativa honesta e um elenco que fica na memória.

Perguntas frequentes sobre review CRYMACHINA Deluxe Edition PlayStation 5

CRYMACHINA tem multiplayer?

Não. O jogo é estritamente single-player, com apenas um protagonista controlado por vez, embora você possa alternar entre as três personagens livremente.

O jogo tem legendas em português?

Não. O texto está disponível apenas em inglês, com áudio original em japonês. Não há suporte para português brasileiro.

Quanto tempo dura a campanha?

A história principal tem duração moderada. Se quiser fazer tudo (extras, colecionáveis e platina), prepare-se para mais horas de jogo.

Vale a pena comprar a Deluxe Edition?

Se você é fã da arte e da trilha sonora, os brindes (mini art book, soundtrack digital e capa reversível) são legais. Mas o conteúdo adicional não muda o jogo base: escolha pela sua paixão pela franquia.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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