Cooking Companions PS5: a visual novel que esconde um terror perturbador

Seus quatro amigos sorriem, mas a neve não para de cair. A comida está acabando. Cooking Companions começa como uma visual novel fofa. Você está em uma cabana isolada nas Montanhas Tatra, cozinhando receitas veganas e brincando com vegetais chamados Chompettes. A iluminação quente, os traços delicados, as piadas inocentes. Tudo parece um convite para relaxar. Até que a enchente isola o grupo, os sorrisos vão se desfazendo e o que parecia um simulador de culinária infantiloide se revela um terror psicológico dos mais incômodos dos últimos anos.

Lançado originalmente no PC em 2021 e agora disponível em consoles com uma edição física Premium caprichada, o jogo do Deer Dream Studios e publicado pela Serenity Forge (a mesma de Doki Doki Literature Club Plus) aposta em subverter expectativas. A versão de PlayStation 5 chega com legendas em português brasileiro, troféus e um Modo Pesadelo que faz questão de te lembrar que nada ali é seguro. Se você gosta de narrativas que machucam, prepare o fone de ouvido e apague as luzes.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Confira se você curte visual novels com foco narrativo e pouco gameplay ativo.
  • A campanha principal dura cerca de 2 a 3 horas, mas os múltiplos finais e modos extras elevam a rejogabilidade para 6 horas ou mais.
  • A edição Premium física inclui capa ilustrada, cartão lenticular de conversão de cozinha, adesivos glitter e suportes de chipboard reversíveis. É ótima para colecionadores.
  • O jogo tem classificação ESRB M (Violência e Sangue) e contém avisos de epilepsia fotossensível. Não é recomendado para menores ou pessoas sensíveis a sustos.

1. Cooking Companions Premium Edition – PS5: Análise Completa

Cooking Companions é um daqueles jogos que pedem para você não confiar nas aparências. A premissa parece simples: você e mais quatro amigos (Karin, Mariah, Anatoly e Gregor) ficam presos em uma cabana durante uma enchente e precisam cozinhar para sobreviver. O problema é que o jogo não está interessado em conforto. Ele usa o visual fofo e as interações leves para criar uma falsa sensação de segurança, e quando você menos espera, o pânico real se instala. Mariah vira para você e pergunta: "Você confia em mim?" A resposta parece pequena, mas pode selar seu destino. O sistema de relacionamentos, com cinco corações por personagem, sugere que suas escolhas importam. Na prática, a história principal segue um trilho fixo, e as decisões afetam principalmente os finais (são onze no total) e alguns diálogos. Isso pode frustrar quem espera um dating sim com peso narrativo real, mas a graça aqui está justamente na tensão de tentar manter todo mundo feliz enquanto o ambiente desaba. O gameplay é enxuto: você explora os cômodos da cabana, interage com objetos, escolhe com quem passar o tempo e participa de minijogos envolvendo os Chompettes, aqueles vegetais fofinhos que, spoiler, não são tão fofinhos assim. Os minijogos trazem variedade e recompensam com desbloqueáveis, mas a verdadeira estrela é a atmosfera. A arte simples com traços suaves contrasta com imagens perturbadoras e uma trilha sonora que alterna entre o aconchegante e o agonizante. É um casamento visual e sonoro que gruda na mente. Para quem busca conteúdo, o pacote é honesto. São 80 troféus, mais de 55 artworks, quatro receitas veganas (sim, você pode aprender a cozinhar de verdade) e dois modos extras desbloqueáveis: o New Game+, que altera algumas interações, e o Modo Pesadelo, que adiciona jumpscares e uma camada extra de paranoia. A rejogabilidade é alta, especialmente para quem quer ver todos os finais e descobrir os segredos escondidos nos cenários. A versão física Premium, além do disco, traz itens colecionáveis de qualidade, como o cartão lenticular e a folha de adesivos brilhantes. É um mimo para fãs, mas o preço é mais salgado que a versão digital. No fim, o que fica é a sensação de ter passado por algo único: um terror que não precisa de sangue para doer, apenas de uma cabana, uma tempestade e algumas escolhas erradas.

Prós

  • Arte fofa que contrasta brutalmente com o terror psicológico
  • Múltiplos finais (11) e alta rejogabilidade com New Game+ e Modo Pesadelo
  • Trilha sonora e efeitos sonoros que mantêm a tensão do início ao fim
  • Conteúdo extra generoso: 80 troféus, 55+ artworks, minijogos, receitas veganas
  • Edição física Premium recheada de itens colecionáveis para fãs

Contras

  • Campanha principal curta (cerca de 2-3 horas)
  • Sistema de relacionamento parece ter pouco impacto no arco principal da história

Jogabilidade e decisões: entre o doce e o macabro

Não espere um simulador de culinária complexo. A jogabilidade de Cooking Companions é deliberadamente minimalista: você anda pela cabana, clica em objetos, conversa com os amigos e escolhe com quem passar o tempo. O sistema de relacionamento, representado por cinco corações por personagem, sugere que você pode conquistar ou decepcionar cada um. Na prática, a trama principal segue um roteiro fixo. Você não vai impedir a tragédia com um diálogo bem-feito. O impacto está nos finais: são onze variações que dependem das suas alianças e decisões. Os minijogos com os Chompettes aparecem como alívio cômico, mas também escondem recompensas e pistas. É um loop que funciona pela tensão, não pela profundidade mecânica.

O jogo brinca com suas expectativas de forma eficiente. Uma escolha aparentemente inocente pode render um sorriso amarelo cinco minutos depois. O Modo Pesadelo, desbloqueável após a primeira campanha, adiciona jumpscares e altera pequenos detalhes do cenário, forçando você a revisitar a cabana com outros olhos. É um convite para quem quer sentir o medo na pele. Recomendo jogar com fones e no escuro.

Narrativa e atmosfera: o terror que se esconde na neve

Cooking Companions usa a construção de atmosfera como sua principal força. A cabana é um personagem à parte: cada cômodo tem objetos que contam histórias, cada retrato na parede parece te observar. O jogo usa o folclore do Leste Europeu como pano de fundo, e as referências a criaturas e lendas locais dão um ar de veracidade ao horror. Os cinco amigos não são apenas peças de xadrez: cada um esconde segredos, medos e motivações que vão sendo revelados aos poucos. A escrita alterna entre humor negro e momentos de pura angústia, e o ritmo é controlado com precisão para que o susto venha quando você estiver mais vulnerável.

A parte técnica ajuda: a arte simples, com cenários em 2D e sprites estáticos, ganha vida com as expressões faciais e a iluminação. A trilha sonora começa com temas leves de cozinha e gradualmente se transforma em drones incômodos e silêncios carregados. É um trabalho de design sonoro que merece elogios. Se você é fã de Doki Doki Literature Club, vai reconhecer o DNA, mas Cooking Companions tem personalidade própria, mais focada no isolamento e na paranoia do que na meta-narrativa.

Conteúdo extra e rejogabilidade: além da primeira jornada

Terminar a campanha principal leva cerca de duas horas e meia, mas o jogo não termina ali. São 80 troféus para desbloquear, mais de 55 artworks escondidas e quatro receitas veganas que você pode reproduzir na vida real, um toque inusitado que conecta o jogo ao mundo fora da tela. O New Game+ permite explorar caminhos alternativos, e o Modo Pesadelo é quase um jogo novo, com sustos e mudanças na ambientação que recompensam a exploração cuidadosa. Para os completistas, são umas seis horas e meia até platinar.

A edição física Premium eleva a experiência para quem valoriza o colecionismo. Além do disco, a caixa traz uma capa interna ilustrada, um cartão lenticular de conversão de cozinha (que muda de imagem conforme o ângulo), uma folha de adesivos glitter e suportes de chipboard reversíveis. É um material de primeira linha, mas o preço é salgado em comparação com a versão digital. Se você é fã declarado de visual novel de terror e quer ter algo físico na estante, vale cada centavo. Caso contrário, a versão digital é mais em conta e entrega o mesmo jogo.

Perguntas frequentes sobre review Cooking Companions Premium Edition PlayStation 5

O jogo tem suporte a português brasileiro?

Sim. A versão física Premium para PS5 oferece legendas e textos em português brasileiro, além de inglês, espanhol, japonês e chinês. O áudio é apenas em inglês.

Quantos finais existem e como desbloqueá-los?

São 11 finais diferentes. Eles dependem das suas escolhas de relacionamento com os personagens e de decisões ao longo da história. Vale jogar mais de uma vez para ver todos.

Preciso jogar o New Game+ para aproveitar todo o conteúdo?

Não é obrigatório, mas o New Game+ desbloqueia o Modo Pesadelo e permite rever algumas interações. Para platinar e ver todos os finais, é recomendado.

O Modo Pesadelo é muito assustador?

Sim. Ele adiciona jumpscares e uma atmosfera mais opressiva. A recomendação é jogar com fones de ouvido no escuro para sentir o efeito completo.

Vale a pena comprar a edição física Premium em vez da digital?

Para colecionadores, sim. A edição vem com itens exclusivos como cartão lenticular, adesivos e capa ilustrada. Mas o preço é bem maior que o da versão digital. O conteúdo do jogo é o mesmo.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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