Quinze anos. Foi o tempo que o terceiro Class of Heroes levou para cruzar o oceano e chegar oficialmente em inglês. e, por tabela, ao Brasil. Originalmente lançado para PSP e PS3 em 2010, o jogo era uma daquelas pérolas que só quem fuçava importação conhecia. Agora, remasterizado e com várias melhorias, ele finalmente aporta no PlayStation 5, Switch e PC. A pergunta que fica: será que a espera valeu a pena?
A resposta depende do seu apetite por grind, personalização profunda e uma dificuldade que não pede desculpas. Você cria um grupo de estudantes, escolhe uma das três academias e, antes de pisar na primeira masmorra, já está rerolando dados na criação de personagem, torcendo para sair um valor acima de 20 pontos bônus. É puro suco dos RPGs de antigamente. com tudo que isso implica de bom e de frustrante.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Escolha a academia com cuidado: Drakken é para iniciantes, Preciana tem equilíbrio médio e Takachino é para veteranos que gostam de sofrer.
- Não pule a etapa de rerolar atributos na criação de personagem: começar com mais de 20 pontos bônus faz diferença enorme nas primeiras horas.
- Forme sua party pensando em funções: tanques na frente, magos e arqueiros atrás. A formação clássica Wizardry ainda é a regra.
- Itens de alquimia custam um décimo do preço de loja. aprenda a usar o sistema de crafting cedo para economizar.
- Invista em Smoke Bombs (50 moedas de ouro) para fugir de batalhas impossíveis. O comando de fugir falha com frequência.
1. Class of Heroes 3 Remaster (PlayStation 5): dungeon crawler denso e personalização profunda
Fonte: Amazon.com.brClass of Heroes 3 Remaster – Playstation 5
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Nas primeiras duas horas, você já vai ter passado mais tempo na tela de criação de personagem do que em combate. Rerolar dados até conseguir 28 pontos bônus, escolher raça e classe, montar uma party de seis membros. e então começar a jornada com a sensação de que qualquer erro é fatal. Class of Heroes 3 Remaster não esconde suas origens: é um dungeon crawler em primeira pessoa que segue fielmente a escola Wizardry. O combate é tático, com fileiras frontal e traseira, e exige que você pense antes de sair batendo. Encontros aleatórios podem colocar até 18 inimigos na tela. já aconteceu de eu ter que usar uma Smoke Bomb desesperada para escapar de um grupo assim. O grande trunfo está na personalização: mais de 45 classes e 10 raças, combinadas com um sistema de relacionamentos que gera vínculos positivos ou negativos entre os membros do grupo. Você pode, por exemplo, fazer dois personagens se odiarem e ainda assim desbloquear um ataque combinado. É caótico e divertido. A parte visual, porém, denuncia a idade. Os cenários têm texturas de baixa resolução, as animações de ataque são fracas e, em alguns momentos, o framerate oscila. A arte dos personagens é charmosa, mas os retratos são limitados e as expressões, repetitivas. A trilha sonora é funcional, mas não memorável, e a dublagem japonesa (única opção) varia entre o razoável e o exagerado. O conteúdo é massivo: cerca de 34 horas na campanha principal e mais de 100 para quem quiser ver tudo, incluindo as três escolas e o pós-jogo extenso. O problema é que boa parte desse tempo será gasto grindando. Sem autosave, sem botão de acelerar batalhas e com uma curva de aprendizado íngreme, o jogo não faz concessões. Perder um membro da party por um save corrompido (sim, há relatos) é um soco no estômago. No fim, Class of Heroes 3 Remaster é uma carta de amor para quem cresceu com Wizardry, Etrian Odyssey ou os primeiros dungeon crawlers japoneses. Para esse público, o investimento é justo pelas dezenas de horas de conteúdo e pela verdadeira sensação de progressão. Para quem busca uma experiência moderna, com tutoriais claros e fluidez, o choque pode ser grande.
Prós
- Personalização extremamente profunda com centenas de combinações de raça, classe e equipamentos
- Sistema de relacionamentos que adiciona profundidade tática e roleplay
- Conteúdo massivo: três escolas, muitas quests e pós-jogo extenso
- Dificuldade ajustável pela escolha da academia, permitindo rejogabilidade
Contras
- Gráficos datados com texturas de baixa resolução e animações fracas
- Ausência de autosave e relatos de bug no sistema de salvamento
A criação de personagem que vicia (e frustra)
Você mal terminou de escolher a academia e já está rerolando dados na tela de criação, torcendo para sair um valor acima de 20 pontos bônus. Rerolou cinco, seis, quinze vezes até conseguir um arqueiro khulaz com 28 pontos iniciais. É um microcosmo do jogo inteiro: repetitivo, mas estranhamente recompensador. A party pode ter até seis membros, e a formação em fileiras segue o manual do Wizardry: tanques na frente, suporte e magia atrás. Cada classe tem seu papel, e a possibilidade de trocar de classe a qualquer momento (sem herdar habilidades) incentiva experimentação. O problema é que o jogo não explica quase nada. A descrição das escolas é vaga, e você pode escolher a Takachino achando que é a mais fácil. e se arrepender amargamente.
Felizmente, existem guias internos: a NPC Katya no hub dá instruções importantes, e o sistema de álbum de NPCs ajuda a rastrear informações. Mas a sensação de desamparo nas primeiras horas é real. Quem já jogou outros dungeon crawlers vai se sentir em casa; quem é novo no gênero vai precisar de paciência.
Relacionamentos que mudam o combate
Enquanto os gráficos entregam a idade, o sistema de afinidade brilha. Você pode definir vínculos positivos ou negativos entre quaisquer dois personagens. Um vínculo positivo aumenta buffs em batalha; um negativo gera debuffs, mas também pode desbloquear ataques especiais se os dois estiverem na mesma fileira. É um jogo de xadrez emocional: faz sentido colocar o tanque que odeia o mago ao lado dele se isso liberar um ataque combinado devastador? A escolha é sua, e o gráfico de compatibilidade ajuda a planejar.
Na prática, o sistema adiciona uma camada de RPG que vai além dos números. Você começa a criar histórias internas: o ladrão que sempre rouba o item do baú antes do guerreiro, a sacerdotisa que cura só quem está em seu círculo de amizade. Não espere uma narrativa elaborada. a história principal é propositalmente simples, um pano de fundo para a exploração -, mas o roleplay que surge das relações entre os alunos é genuinamente divertido.
Dificuldade implacável e falta de frescuras
Você passou 40 minutos explorando uma dungeon, derrotou um chefe, achou um baú lendário. e aí seu save corrompeu. Class of Heroes 3 Remaster não tem autosave. Você precisa voltar ao hub e salvar manualmente. Esqueceu? Perdeu meia hora de progresso. E se o save corromper (há relatos de bugs que removem membros da party), a frustração é grande. Também não há opção de acelerar batalhas ou pular inimigos fracos. você vai lutar contra cada grupo de slimes até ficar azul. Isso é proposital: o grind faz parte da proposta. Subir de nível, craftar equipamentos melhores na alquimia (que custa um décimo do preço de loja) e desbloquear novas habilidades é o ciclo que sustenta o jogo.
Para quem gosta, é viciante. A sensação de voltar para uma dungeon que antes era impossível e passar por ela sem suar é deliciosa. O problema é que o jogo não dá alívio: a dificuldade é constante, e a falta de explicações claras transforma cada descoberta em uma pequena vitória. Só não espere ser mimado.
Perguntas frequentes sobre review Class of Heroes 3 Remaster PlayStation 5
Class of Heroes 3 Remaster tem modo multiplayer?
Não. O jogo é exclusivamente single-player, focado na gestão de uma party de até seis personagens controlados pelo jogador.
O jogo tem legendas em português?
Não. A versão remasterizada traz textos em inglês e dublagem em japonês, sem suporte para português brasileiro.
Preciso jogar os anteriores para entender a história?
Não. Cada jogo da série tem história independente. Você pode começar por este sem perder nada, já que a trama é simples e serve apenas como pano de fundo.
Quanto tempo dura a campanha principal?
A campanha principal leva cerca de 25 a 40 horas. Para completar todo o conteúdo, incluindo as três escolas e pós-jogo, é possível ultrapassar 100 horas.
