Review Clash: Artifacts of Chaos no PS5: visual de cair o queixo, combate que divide

Quando a ACE Team resolveu sair da primeira pessoa e levar a série Zeno Clash para a terceira, o resultado foi um jogo que parece um desenho animado psicodélico ganhando vida. Clash: Artifacts of Chaos chega ao PS5 com um visual que pede atenção: cada criatura, cada cenário parece riscado a lápis de cor, com traços que lembram um caderno de arte esquecido no fundo da mochila.

Pseudo, um mestre de artes marciais amarelo e ranzinza, protege Garoto, uma criatura que parece um filhote de mamute com olhos de anjo. A dupla troca diálogos bem dublados, cheios de humor e estranheza. Mas por trás da beleza, existe um soulslike que ora acerta um uppercut estiloso, ora tropeça nos próprios pés.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Em duelos individuais, o combate de artes marciais revela sua profundidade. Prefira enfrentamentos um contra um para sentir o timing e as posturas.
  • O Ritual de dados pode ser ignorado algumas vezes, mas quando usado com estratégia, ele define regras que podem virar a luta a seu favor.
  • A exploração é guiada pela curiosidade, não por marcadores. Esqueça mapas e bússolas: perder-se faz parte da experiência.
  • No PS5, o jogo roda a 60 FPS estáveis. É a melhor plataforma para jogar, com desempenho sólido.
  • A Zeno Edition inclui conteúdo extra digital: armaduras, art book e trilha sonora, um bônus para quem quer mergulhar no universo.

1. Clash: Artifacts of Chaos. Zeno Edition. PlayStation 5

Clash: Artifacts of Chaos é, antes de tudo, um banquete visual. A técnica de cel-shading com filtro cross-hatch transforma cada tela em uma ilustração viva. É impossível passar por um cenário sem parar para admirar a direção de arte. A dublagem em inglês, surpreendentemente competente para um estúdio médio, dá ainda mais personalidade ao mundo. O combate, baseado em artes marciais com troca de posturas (boxe, lança, entre outras), acerta e erra ao mesmo tempo. Um contra um, a trocação é tensa, com esquivas, parries e uma barra de defesa que substitui a estamina tradicional. Aperfeiçoar o timing e conectar um golpe especial como um shoryuken é recompensador. O problema aparece quando mais de um inimigo entra na tela: a câmera e a IA não lidam bem com múltiplos agressores, e o combate vira um bate-boca mecânico sem muito controle. O minijogo de dados, chamado Ritual, é uma adição criativa: antes de enfrentar um inimigo inteligente, você pode rolar dados que definem regras especiais, desde vantagens como invocar monstros até desvantagens como neblina. É estratégico, mas muitas vezes interrompe o fluxo da exploração e pode parecer injusto quando a sorte não ajuda. Fora isso, o sistema de personalização de golpes e a progressão em fogueiras (com direito a perda de moeda ao morrer) seguem o figurino soulslike, com um toque de identidade própria. No PS5, o jogo roda liso a 60 FPS, sem os problemas de performance relatados em outras plataformas. Ainda assim, a falta de orientação é um pecado original: não há mapa, bússola ou indicação clara de para onde ir. Você vai se perder, e não é raro dar voltas em áreas já exploradas. Quem tem paciência encontra um jogo recompensador, cheio de segredos e diálogos estranhamente cativantes. Quem não tem, provavelmente vai largar o controle na primeira hora. Quem encara o jogo até o fim descobre um título inesquecível, apesar dos defeitos. Se você ama soulslikes excêntricos com visual marcante, Clash: Artifacts of Chaos é uma compra certeira no PS5. Mas se precisa de combate refinado e navegação guiada, melhor passar longe.

Prós

  • Direção de arte deslumbrante e original, com estilo traçado a lápis
  • Dublagem em inglês de alto nível, que dá personalidade ao mundo
  • Sistema de combate com profundidade e personalização de posturas
  • Minijogo de dados tático e criativo, que adiciona estratégia
  • Desempenho sólido a 60 FPS no PS5, sem quedas perceptíveis

Contras

  • Combate contra múltiplos inimigos frustrante e caótico
  • Falta de orientação e mapa, deixando o jogador perdido com frequência

O combate que brilha no um contra um

Pseudo encara um inimigo gigante. O uppercut estiloso, quase um shoryuken, conecta no queixo do oponente. É nesses momentos que o combate brilha. Você pode alternar entre posturas como boxe, lança e outras, cada uma com ataques e propriedades diferentes. O timing de esquiva, o parry bem colocado, a abertura para um golpe especial. A barra de defesa substitui a estamina e se esgota com golpes recebidos, forçando a alternar entre ataque e defesa com cuidado. O problema real surge quando aparecem dois ou mais inimigos. Aí a câmera perde o foco, a IA não consegue gerenciar múltiplos alvos e o combate vira um bate-boca sem graça. Para quem busca duelos marcantes, o jogo entrega; para quem quer limpar salas cheias, a frustração é certa.

Um mundo de lápis e beleza, mas sem bússola

O visual de Clash: Artifacts of Chaos é de cair o queixo, mas navegar por ele é um exercício de paciência. Zenozoik é um lugar de contrastes: cores vibrantes, criaturas que parecem pintadas à mão, cenários que alternam entre florestas psicodélicas e ruínas de pedra. O filtro cross-hatch dá a textura de um desenho animado adulto, e a dublagem em inglês segura a imersão. Mas não há mapa, não há bússola. Os poucos indicadores de missão são vagos. Você vai se perder, sim. A boa notícia é que a exploração recompensa: baús escondidos, armas quebradiças, e a forma noturna de Pseudo, que revela áreas inacessíveis de dia, dão um charme extra. Se você topa se perder, a recompensa existe.

Personalização, rituais e o público ideal

Customizar o estilo de luta vai além das posturas. Estátuas espalhadas pelo mundo ensinam golpes especiais, permitindo montar um moveset sob medida. Dá para montar um moveset que combine com seu ritmo, mais agressivo ou mais defensivo. O Ritual de dados é outro diferencial: antes de lutar contra inimigos sencientes, você pode rolar dados que definem regras como invocar aliados ou cobrir a área de neblina. É um jogo de azar com peso tático, que pode virar o combate a seu favor ou jogar contra. O problema é que ele quebra o ritmo e, em algumas lutas, é obrigatório. No fim, o jogo é ideal para quem ama a estranheza de Zeno Clash, tolera imperfeições e busca um desafio diferente. Quem vem de títulos polidos como Sekiro ou Sifu pode estranhar a falta de refinamento. Para o jogador que curte experimentar, é um prato cheio.

Perguntas frequentes sobre review Clash: Artifacts of Chaos PlayStation 5

Quanto tempo leva para zerar Clash: Artifacts of Chaos?

A campanha principal leva cerca de 13 horas, mas quem explora tudo e faz side content pode chegar a 20 horas. O jogo tem platina, mas a dificuldade é alta.

O jogo tem dublagem ou legendas em português?

Sim, legendas em português brasileiro estão disponíveis. A dublagem original em inglês é excelente e muito elogiada.

É parecido com Dark Souls?

Tem elementos soulslike como pontos de descanso (fogueiras), perda de moeda ao morrer e combate tático, mas o foco em artes marciais e o ritual de dados dão uma identidade própria.

Vale a pena jogar no PS5?

A versão PS5 roda a 60 FPS estáveis, sem os problemas de performance de outras plataformas. É a melhor forma de jogar, especialmente para quem valoriza fluidez.

Clash: Artifacts of Chaos tem modo multiplayer?

Não, é exclusivamente single-player. Toda a experiência é focada na campanha e exploração solo.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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