Puxar o gatilho em Borderlands 4 é a melhor coisa que a série já fez. Literalmente. A sensação de impacto de cada tiro, o recoil que você sente nos ombros do personagem, a forma como as balas arrancam pedaços dos inimigos, tudo ficou mais carnudo. E a mobilidade nova, com gancho, planador, dash e pulo duplo, transforma cada tiroteio em um balé de caos calculado. Quem jogou os anteriores vai estranhar no começo: não dá mais para ficar parado atrás de uma cobertura.
Mas nem tudo são flores no planeta Kairos. O mundo aberto, apesar de bonito e sem telas de carregamento, tem uma sensação de vazio que lembra mais um parque de diversões abandonado do que um cenário vivo. E a performance no PS5, infelizmente, não acompanha a ambição. Texturas que aparecem do nada, quedas de quadros nas batalhas mais intensas, a Unreal Engine 5 cobrou seu preço.
O combate revolucionário compensa as arestas? Depende. Para fãs da série, a resposta é sim, com ressalvas. Para quem busca um tiro certeiro e sem tropeços técnicos, talvez seja melhor esperar patches. Mas vamos ao que interessa: o jogo em si.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Borderlands 4 é um looter shooter focado em repetir o loop de atirar e saquear. Se você não curte grind e builds, o jogo pode cansar rápido.
- A campanha principal dura entre 16 e 30 horas, dependendo do estilo de jogo, mas o conteúdo completo passa das 70 horas. Prepare-se para investir tempo se quiser ver tudo.
- O cooperativo é o grande trunfo: funciona com até quatro jogadores, com cross-play entre todas as plataformas. A dificuldade escala individualmente, então cada um joga no seu ritmo.
- No PS5, o jogo sofre com pop-in de texturas e quedas de FPS nos momentos mais caóticos. Se você é sensível a problemas técnicos, é bom saber disso antes.
- Não espere uma revolução narrativa: a história é melhor que a de Borderlands 3, mas ainda serve mais como pano de fundo para o tiroteio do que como motivo para jogar.
1. Borderlands 4 para PlayStation 5. o ápice da jogabilidade da série, com tropeços técnicos
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Borderlands 4 acerta onde importa: o combate. A nova mobilidade com gancho, planador e dash dá uma fluidez que os títulos anteriores nunca tiveram. Cada Vault Hunter é distinto, com três habilidades ativas e árvores de habilidades que permitem builds criativas. O loot continua viciante, com armas que se transformam em lança-chamas ou atiram projéteis que grudam e explodem. É o tipo de jogo que você começa uma missão secundária e, três horas depois, percebe que nem avançou na história. O problema está no mundo aberto. Kairos é visualmente lindo com seu cel-shading caprichado, mas a sensação de exploração é prejudicada por áreas que parecem cenários montados para um jogo de ação, não um ecossistema vivo. Missões seguem o formato de ir ao ponto A, matar tudo e voltar, a velha fórmula Ubisoft que cansa. Além disso, a performance no PS5 decepciona: no modo performance, as texturas demoram a carregar; no modo qualidade, o FPS despenca em combates com muitos efeitos. Uma pena, porque o combate merecia um palco mais estável. A história melhora em relação a Borderlands 3, com um vilão (Timekeeper) que tem presença, mas os novos personagens não têm o carisma de um Handsome Jack. O humor é mais contido, o que pode agradar ou desagradar. No fim, Borderlands 4 é um ótimo jogo de tiro disfarçado de RPG de saque. Se você é fã da série, não vai se arrepender. Mas se espera um jogo polido desde o primeiro dia, segure a empolgação.
Prós
- Melhor gunplay da série, com sensação de peso e variedade de armas
- Mobilidade nova (gancho, planador, dash) transforma o combate em algo fluido e criativo
- Árvores de habilidades flexíveis permitem builds muito diferentes entre os quatro Vault Hunters
- Cooperativo com cross-play funciona bem e a dificuldade escala individualmente
- Endgame robusto com Ultimate Vault Hunter Mode, chefes repetíveis e eventos semanais
Contras
- Mundo aberto soa repetitivo e vazio em muitas áreas, lembrando fórmula Ubisoft
- Performance no PS5 instável: pop-in de texturas e quedas de FPS em batalhas intensas
Combate: o verdadeiro protagonista
Se você jogou Borderlands 3 e achou que a movimentação era travada, prepare-se. Aqui, o gancho não serve só para alcançar plataformas: dá para puxar barris explosivos em pleno ar e arremessar contra grupos. O planador permite cruzar abismos enquanto você atira, e o dash em quatro direções transforma o esquivo em algo ágil. Cada Vault Hunter tem três habilidades ativas que podem ser trocadas conforme a build. Eu passei horas testando combinações com a Vex, a Sereia invocadora, e a sensação de controle é outra.
As armas ganharam modos de fogo alternativos: uma SMG que vira lança-chamas, um rifle que dispara granadas teleguiadas. Isso, somado aos fabricantes que agora combinam atributos em híbridos, faz com que cada loot seja uma surpresa. O problema é que a dificuldade solo pode ser ingrata: alguns inimigos viram esponja de bala, e a penalidade de perder dinheiro ao morrer desestimula arriscar. Mas no cooperativo, a escala de dificuldade individual resolve boa parte disso.
Mundo aberto: nem tudo que reluz é ouro
Kairos é um planeta vasto e sem telas de carregamento. Pilotar uma hover bike pelo deserto, pular de um penhasco e planar até um vilarejo distante: a liberdade é real. O problema é que muitas áreas parecem decoradas para missões, não para exploração orgânica. Você encontra baús e inimigos, mas raramente uma história ambiental que prenda. A estrutura de pontos de interesse no mapa lembra muito a abordagem de Far Cry ou Assassin's Creed: limpe o acampamento, pegue o baú, siga para o próximo. Funciona para quem gosta de checklist, mas quem busca imersão vai sentir falta de um mundo que respire.
As missões secundárias têm bons momentos, mas o design genérico do mundo acaba pesando. Felizmente, a chamada para o combate é tão forte que muitas vezes você nem se importa. Difícil não se perder em Kairos: você começa indo atrás de um objetivo, topa com um bando de bandidos, encontra uma arma lendária em um baú e esquece completamente a rota original.
Performance no PS5: um equilíbrio instável
Borderlands 4 é lindo. A arte cel-shaded ganhou ainda mais contraste e detalhes, e a Unreal Engine 5 permite cenários densos. Mas o preço é alto. No PS5, o modo performance sofre com texturas que aparecem na sua frente: você vê o chão liso e, de repente, a grama surge. O modo qualidade tenta entregar mais resolução, mas as quedas de FPS em combates com muitos efeitos são frequentes. Não chega a quebrar o jogo, mas a instabilidade é perceptível e quebra um pouco do ritmo. A Gearbox já prometeu patches, mas no lançamento, é algo a se considerar. Jogadores mais exigentes com fluidez podem se irritar.
No PC, os relatos de bugs e problemas de otimização são ainda maiores. Aqui no PS5, pelo menos o jogo roda, mas está longe do ideal. Se você tem um PS5 Pro, talvez a experiência seja melhor, mas não testamos essa versão.
Perguntas frequentes sobre review Borderlands 4 PlayStation 5
Borderlands 4 é um jogo como serviço?
Não. A Gearbox deixou claro que não é live service. O jogo tem campanha, endgame e conteúdo pós-lançamento gratuito, mas sem a estrutura de temporadas e loja que caracteriza jogos como serviço.
Quanto tempo dura a campanha principal?
As estimativas variam entre 16 e 30 horas, dependendo do seu ritmo e de quanto você se dedica a missões secundárias. Uma jogatina completa com tudo pode passar das 70 horas.
Borderlands 4 tem cross-play?
Sim. O jogo oferece cross-play total entre PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S. Você pode jogar com amigos independentemente da plataforma.
Vale a pena jogar solo ou é melhor no cooperativo?
Ambos funcionam bem. A dificuldade escala individualmente, então cada jogador enfrenta inimigos no seu nível. Solo é perfeitamente jogável, mas alguns chefes e inimigos comuns podem ser esponjas de bala. No cooperativo, a diversão multiplica.
O jogo tem suporte a split-screen no PS5?
Sim, Borderlands 4 mantém a tradição da série com cooperativo local de tela dividida para até dois jogadores. O modo online suporta até quatro.
