BLEACH Rebirth of Souls: fidelidade que emociona, técnica que decepciona

Desde o primeiro Bankai contra Byakuya, fãs de Bleach sonham com um jogo que não pareça apenas um brinquedo licenciado. Rebirth of Souls tenta realizar esse desejo com a seriedade de quem sabe o peso de cada Resurrección. E, em vários momentos, consegue.

Mas a jornada é irregular. O jogo acerta ao adaptar a história principal com carinho, incluindo momentos que o anime deixou de lado. Porém, as cutscenes estáticas e as texturas de baixa resolução lembram que o orçamento foi direcionado para os combates. E mesmo o combate, com seu sistema de Konpaku e Kikon, tropeça na repetitividade se você ficar só no modo Standard. Para quem viveu a Soul Society na infância, é um prato cheio. Para quem busca um fighting game competitivo, o gosto pode ser mais amargo.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Fidelidade ao anime: cobre do arco Substitute Soul Reaper até a batalha contra Aizen, com missões Secret Stories que expandem o lore, algumas com diálogos inéditos.
  • Estilo de combate: sistema de Konpaku (vidas) e Kikon (golpes decisivos) prioriza viradas dramáticas. Não espere profundidade de Tekken; o foco é no espetáculo.
  • Modos offline: campanha de cerca de 27 horas (com extras até 44 h), versus local e missões. Sem arcade ou além de luta.
  • Online limitado: partidas livres e salas, sem modo ranqueado ou rollback netcode. Longevidade competitiva curta.
  • Apresentação técnica: texturas borradas, cenários sem inspiração. Trilha sonora (Takeharu Ishimoto) e transformações salvam.

1. BLEACH Rebirth of Souls (PS5). Edição Padrão

Rebirth of Souls acerta no que promete: ser uma cápsula do tempo da saga de Bleach. A campanha cobre do arco Substitute Soul Reaper até a batalha contra Aizen em Karakura, incluindo missões Secret Stories que exploram perspectivas paralelas, muitas inéditas. Para quem leu o mangá ou viu o anime, é um mergulho nostálgico. A trilha sonora, composta por Takeharu Ishimoto, merece destaque: jazzística, dramática e com temas próprios para cada despertar. O problema está na execução. As cutscenes são estáticas, com expressões faciais de boneco e animação mínima. Parece que a equipe usou o orçamento de cena nos combates e esqueceu o resto. O combate é o coração do jogo. Cada personagem tem um moveset próprio, com combos básicos, especiais e a mecânica de Konpaku: você precisa reduzir a vida do oponente e acertar um golpe Kikon para destruir uma alma. O sistema de ataque, guarda e quebra-guarda (pedra-papel-tesoura) funciona, mas no modo Standard o fluxo fica repetitivo: diminuir HP, esperar abertura, Kikon. A salvação é o modo Manual, que permite cancelamentos e maior expressão. Personagens como Soi Fon (agressiva) e Shinji (contra-ataques) pedem estilos diferentes, mas a falta de opções defensivas além do Despertar e do Reverse limita a profundidade. No aspecto técnico, o PS5 segura 60 fps nas lutas, mas os gráficos são decepcionantes para a geração. Texturas borradas, serrilhados visíveis e cenários sem vida. As transformações (Bankai, Resurrección) são cinematográficas e salvam a apresentação, mas o pacote visual parece saído de um port de PS4 sem capricho. O online existe, mas sem modo ranqueado ou rollback. Partidas em sala funcionam bem, mas a longevidade competitiva é curta. Para fãs de Bleach que querem reviver a saga, Rebirth of Souls entrega o que promete. Para quem busca um fighting game refinado, o buraco é mais embaixo.

Prós

  • Adaptação fiel da história, com missões Secret Stories que expandem o lore
  • Trilha sonora marcante de Takeharu Ishimoto, com temas individuais
  • Rosto variado: mais de 30 personagens com habilidades e transformações distintas
  • Modo Manual adiciona profundidade ao combate para quem busca mais técnica

Contras

  • Cutscenes estáticas e sem emoção, parecendo slideshow
  • Gráficos datados: texturas de baixa resolução, ambientes sem detalhes

Combate entre almas: acertos e limitações

O sistema de Konpaku é a assinatura de Rebirth of Souls. Em vez de uma barra de vida, você tem almas que representam estoques de HP. Cada Kikon bem-sucedido destrói uma, ou até três se você arriscar no limite. Isso cria momentos de tensão genuína: você vê o oponente com pouca vida e pode virar o jogo com um despertar bem cronometrado. A mecânica de Awakening e Reawakening (como a Segunda Etapa de Ulquiorra) é espetacular visualmente e muda o moveset na hora. O problema é que, fora do modo Manual, os combates seguem um ritmo parecido. Você bate, espera a guarda cair, acumula Fighting Spirit e solta o Kikon. Os personagens têm estilos, mas a base é a mesma para todos. A movimentação também incomoda: os dashes são lentos e as opções defensivas resumem-se a Despertar e Reverse. Para quem vem de jogos de luta tradicionais, falta aresta.

Uma campanha de fã, mas sem variedade

A história é o ponto forte para quem ama Bleach. São três arcos completos, com direito a diálogos e batalhas que o anime cortou. As Secret Stories adicionam missões sob a ótica de outros personagens, algumas com origem exclusiva. Mas a apresentação dói: as cutscenes são quadros estáticos com texto, sem animação facial ou direção de cena. Parece visual novel de 2005. A estrutura também cansa. Você entra num mapa de nós, luta, vê cena, luta de novo. Não há exploração, nem atividades paralelas. As missões laterais são mais do mesmo. Para completistas, o extra de colecionáveis e a galeria de vídeos e áudio ajudam, mas o ritmo fica pesado para quem não é obcecado pelo material original.

Visual, áudio e online: o que esperar no PS5

A trilha sonora de Takeharu Ishimoto é o ponto alto técnico. Cada personagem ganha um tema no Despertar, e a música jazzística dá personalidade aos combates. Os efeitos sonoros das espadas e dos Kikon têm peso. Já o visual decepciona para um título de 2025 no PS5. O cel-shading até captura o traço de Tite Kubo, mas as texturas são de baixa resolução, o serrilhado aparece e os cenários são sem graça. As transformações salvam com partículas e câmera dramática. No online, a ausência de modo ranqueado e de rollback é sentida. As partidas em sala funcionam com filtros de região e conexão, mas a base de jogadores tende a minguar rápido. Sem crossplay, o público fica fragmentado. Para quem quer apenas jogar com amigos, serve. Para quem busca ranqueada, a porta é estreita.

Perguntas frequentes sobre review BLEACH Rebirth of Souls () PlayStation 5

Quanto tempo dura a campanha de BLEACH Rebirth of Souls?

O modo principal leva cerca de 27 horas. Com as missões Secret Stories e extras, o total gira entre 40 e 50 horas. Para completistas, pode chegar a 74 horas.

O jogo tem modo online competitivo?

Sim, mas sem ranqueada. Oferece partidas livres e salas com filtros. Não há rollback netcode nem crossplay. A longevidade online é limitada para quem busca disputa séria.

O jogo tem dublagem em português?

Não. As vozes estão em japonês ou inglês, com legendas em português do Brasil. A tradução dos textos é boa, com alguns pequenos deslizes.

Vale a pena para quem não conhece Bleach?

Depende. A campanha é didática e conta a história do início ao arco Arrancar, mas a apresentação fraca das cutscenes e a falta de variedade tornam a experiência menos atraente para quem não tem vínculo com a obra.

Qual a diferença entre os modos Standard e Manual?

O Standard simplifica os combos e deixa o ritmo mais automático. O Manual permite cancelamentos, maior liberdade de combos e expressão. Para jogar a sério, o Manual é essencial.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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