Review Blades of Fire: forja ousada, jornada de contrastes

Você está na bigorna, ajustando o perfil da lâmina com cuidado. Um movimento errado e o aço perde o fio ideal. Essa é a essência de Blades of Fire, o novo action-adventure da MercurySteam que coloca a forja de armas no centro de tudo. Aqui, você não coleta equipamentos prontos: você os constrói, peça por peça, e cada decisão na bigorna define sua sobrevivência.

Mas a jornada de Aran de Lira, o último ferreiro capaz de forjar aço verdadeiro contra a rainha Nerea, não é só de acertos. A narrativa tropeça em diálogos repetitivos e ritmo irregular, e a navegação sem marcadores testa a paciência. O resultado é um jogo de contrastes: genial nas mecânicas centrais, frustrante na história.

Para quem valoriza personalização e desafio tático, há aqui um dos sistemas mais originais dos últimos anos. Para quem busca uma campanha envolvente, talvez seja melhor buscar outro caldeirão.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Cada botão do controle ataca uma direção: triângulo para cabeça, quadrado para esquerda, círculo para direita, X para pernas. Acertar o ponto fraco é essencial. inimigos têm indicadores coloridos (verde, amarelo, vermelho) de onde causam mais dano.
  • Forjar armas exige um minijogo de encaixe: quanto mais preciso, melhor o equipamento. Mas armas quebram e têm reparos limitados indicados por estrelas. quando acabam, a arma se perde para sempre.
  • O mundo é interligado com atalhos no estilo Metroidvania. Não espere marcadores de objetivo: você se guia pelo diário de Adso. A exploração recompensa, mas andar em círculos é uma possibilidade real.
  • Prepare-se para mais de 60 horas de campanha. Há picos de diversão, mas também trechos de preenchimento que podem cansar.

1. Blades of Fire Day 1 Edition para PlayStation 5: forja, combate tático e exploração

Certa vez, perdi minha espada favorita por não ter reparado a tempo. Corri para a bigorna mais próxima enquanto inimigos renasciam, improvisando com um martelo mal feito. É assim que Blades of Fire funciona: você não apenas coleta armas prontas. você as constrói, peça por peça. Escolhe o tipo de lâmina, o cabo, o aço, e passa por um minijogo de conformação que define a qualidade final. Uma decisão errada na bigorna pode significar uma arma que quebra no meio do combate. O combate direcional é um achado: cada botão do controle aponta para uma direção, e você precisa ler os pontos fracos do inimigo. Acertar um golpe na cabeça de um guerreiro blindado depois de quebrar a guarda dele é uma satisfação que poucos jogos oferecem. Por outro lado, a história é contada de forma frágil, com diálogos repetitivos e textos longos que quebram o ritmo. A navegação sem marcadores também frustra: você depende do diário de Adso, o que pode fazer você andar em círculos por minutos. O jogo claramente privilegia a mecânica em detrimento da narrativa, e isso pode afastar quem busca uma história bem contada. Ainda assim, para quem curte personalização e desafio tático, há aqui um dos sistemas mais originais dos últimos anos.

Prós

  • Sistema de forja profundo e gratificante: cada arma criada tem impacto direto no combate, e o minijogo de encaixe exige precisão
  • Combate tático com ataques direcionais que exige leitura de padrões e posicionamento. acertar o ponto fraco é uma dança calculada
  • Exploração com atalhos no estilo Metroidvania que recompensa a curiosidade com gemas, pergaminhos e passagens secretas
  • Trilha sonora de Óscar Araujo que casa com a ambientação, criando uma atmosfera densa e épica

Contras

  • Narrativa mal desenvolvida, com história contada quase exclusivamente por textos e diálogos repetitivos; falta carisma aos personagens
  • Navegação confusa, sem indicadores claros, que força o jogador a depender de anotações internas e andar em círculos em áreas extensas

Como funciona a forja e por que ela é o coração do jogo

Você está na bigorna, ajustando o perfil da lâmina com cuidado. Um movimento errado e o aço perde o fio ideal. Em Blades of Fire, sua evolução passa pelo martelo e pela bigorna. Você coleta materiais dos inimigos e do cenário, depois escolhe entre sete famílias de armas (de adagas a martelos) e define cada parte: o cabo influencia o equilíbrio, o formato da lâmina afeta velocidade e durabilidade, o tipo de aço define se o dano é cortante, perfurante ou contundente. O minijogo de forja exige que você ajuste barras dentro de um perfil; errar ou exagerar reduz as propriedades do equipamento.

Cada arma tem uma classificação por estrelas que indica quantas vezes pode ser reparada antes de quebrar de vez. Isso força você a manter um arsenal variado e a pensar duas vezes antes de usar a mesma espada em toda luta. Quando uma arma quebra em combate, o desespero é real: correr para a bigorna mais próxima enquanto inimigos renascem vira uma mini-aventura.

Combate direcional: dança de golpes e leitura de inimigos

O combate não é um hack'n'slash. Cada um dos quatro botões de face corresponde a uma direção de ataque: triângulo para cabeça, quadrado para esquerda, círculo para direita, X para pernas. Inimigos exibem indicadores coloridos (verde, amarelo, vermelho) que mostram onde causam mais dano. Um guerreiro de armadura pesada pode ser invulnerável no tronco, mas frágil nas pernas. O segredo é ler os padrões e escolher o ângulo certo.

Stamina é recurso precioso: bloquear regenera um pouco, mas parry quebra a defesa do inimigo. Armas pesadas têm impacto visual, mas a falta de feedback de contato em alguns golpes incomoda: você acerta, mas não sente o peso. Em espaços abertos, o combate brilha. Em corredores apertados com vários inimigos, vira um caos que muitas vezes pune mais por falta de espaço do que por erro tático.

Exploração: recompensas e frustrações de um mundo interligado

O mapa de Blades of Fire é um emaranhado de áreas que se conectam por atalhos, lembrando Metroidvania. Abrir uma passagem que encurta o caminho entre duas regiões distantes traz uma satisfação genuína. Baús escondidos guardam gemas de vida ou estamina que aumentam seus atributos, e pergaminhos de forja desbloqueiam novos tipos de lâmina.

O problema é a navegação. Não há marcadores de objetivo: você precisa se guiar pelo diário de Adso, o companheiro estudioso. Em áreas extensas e visualmente parecidas, é fácil se perder e andar em círculos. Algumas portas só abrem depois de derrotar chefes específicos, e o jogo não dá pistas claras. Quem curte explorar sem mão guiada vai adorar. Quem prefere um direcionamento mais claro pode se frustrar.

Perguntas frequentes sobre review Blades of Fire PlayStation 5

Blades of Fire é um soulslike?

Pega influências claras: combate que exige paciência, estamina limitada, morte que dropa a arma no local e necessidade de recuperar. Mas a progressão via forja e a ausência de níveis tradicionais o diferenciam. É um action-adventure com alma de soulslike, mas com personalidade própria.

Quanto tempo dura a campanha?

Entre 60 e 80 horas para quem faz tudo. A história principal fica em torno de 55 horas, e o verdadeiro final exige conteúdo pós-jogo. É um jogo longo, com picos de diversão mas também trechos de preenchimento.

Precisa jogar no PS5 Pro para ter boa performance?

Não. No PS5 base, roda de forma fluida com resolução dinâmica, com quedas raras em combates carregados. A experiência já é sólida no console padrão.

Vale a pena para quem não gosta de forjar armas?

A forja é o centro de tudo. Se você não curte customizar equipamentos e prefere loot pronto, o jogo pode não agradar. A diversão está em criar suas próprias ferramentas e sentir o impacto delas no combate.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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