Bendy and the Dark Revival no PS5: um mergulho visual com altos e baixos

Você está escondido em um barril, ouvindo passos do Ink Demon se aproximando. A tela treme, a respiração de Audrey acelera. É um daqueles momentos em que o survival horror funciona, mas não dura. Bendy and the Dark Revival chega ao PS5 com a promessa de mais tinta e terror, e entrega em partes. Mas a experiência é tão irregular quanto os corredores tortuosos do estúdio de animação maldito.

Você assume o papel de Audrey, uma animadora presa num universo de desenho animado corrompido. A premissa é boa, e a narrativa expande o lore da série, respondendo perguntas que ficaram do primeiro jogo. O problema é o caminho até lá: o gameplay oscila entre tensão genuína e uma frustração que poderia ter sido evitada.

Explorar os cenários encharcados de tinta, decifrar quebra-cabeças e desvendar segredos é recompensador. A direção de arte é um show, o contraste entre o traço cartoon e o horror grotesco funciona de novo. Mas o combate não está à altura do capricho visual.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Curte jogos com foco em narrativa e exploração? O jogo recompensa quem vasculha cada canto.
  • Prepare-se para um combate simples e corpo a corpo. A Gent Pipe é sua única arma, e os upgrades são opcionais.
  • O Ink Demon aparece de forma aleatória. Se você não curte perseguidores imprevisíveis, isso pode irritar.
  • A campanha principal gira em torno de 7 horas. Se busca algo mais longo, talvez seja pouco.
  • As legendas estão em inglês e os áudios não têm legenda, apenas transcrição no menu.

1. Bendy and the Dark Revival para PlayStation 5: survival horror com estilo único e combate irregular

Bendy and the Dark Revival faz questão de mostrar serviço: o universo do estúdio de animação está mais rico, a história avança e a atmosfera é de primeira. Você entra no lugar de Audrey, explorando corredores que parecem saídos de um pesadelo dos anos 30. O design de som e a trilha sonora são excelentes, criando uma tensão que gruda na pele. Encontrar um código 451 rabiscado na parede e descobrir uma sala secreta com um blueprint para melhorar a Gent Pipe é gratificante. O calcanhar de Aquiles está no combate. A Gent Pipe não tem peso, a hitbox é imprecisa e não há bloqueio ou esquiva dedicada. A furtividade também deixa a desejar: inimigos muitas vezes não reagem, e o Ink Demon, que deveria ser um terror constante, vira um incômodo previsível após as primeiras aparições. Ainda assim, para quem veio pela história e pelo visual, o jogo segura bem a peteca. A versão de PS5 roda liso, com carregamentos rápidos e sem bugs gritantes. No fim, Bendy and the Dark Revival é um prato cheio para fãs da série e de BioShock, desde que você não espere um combate refinado. Acerta no tom, no estilo e na narrativa, mas esbarra nos próprios limites mecânicos. Se você valoriza mais a ambientação e a história do que a ação, vai se divertir, e provavelmente passar raiva com alguns encontros, mas no bom sentido.

Prós

  • Estilo visual único e atmosfera imersiva, com direção de arte de primeira
  • Trilha sonora e design de som excelentes, que elevam a tensão
  • História interessante que expande o universo da série e responde perguntas
  • Exploração recompensadora com segredos e colecionáveis bem espalhados

Contras

  • Combate corpo a corpo frustrante, com hitbox imprecisa e sem opções defensivas
  • IA de stealth fraca e encontros aleatórios com o Ink Demon que perdem o impacto

Gameplay: entre a exploração e a frustração

O loop principal é andar, resolver puzzles, esconder do Ink Demon e enfrentar criaturas de tinta. A exploração é o ponto alto: cada sala esconde notas, áudios e upgrades opcionais. Você encontra um código 451 rabiscado na parede, digita num painel e descobre uma sala secreta com um blueprint. É gratificante.

O problema começa na luta. O combate se resume a apertar o botão de ataque enquanto tenta acertar inimigos que se movem de forma errática. Não há bloqueio, e a esquiva é basicamente correr para trás. A hitbox é imprecisa, seus golpes muitas vezes passam por inimigos que estão claramente no alcance. A furtividade também falha: você agacha e passa por um inimigo que simplesmente não reage, quebrando a imersão.

O Ink Demon é o grande trunfo e a grande decepção. Nas primeiras aparições, ele gera tensão genuína. Você ouve os passos, a tela treme, e precisa achar um barril ou ventilação para se esconder. Mas depois de algumas horas, o padrão fica claro e o susto vira tédio. Morrer para ele significa carregar o último save, o que pode ser punitivo se você não salvou recentemente.

Para quem é esse jogo?

Se você jogou Bendy and the Ink Machine e quer mais do mesmo universo, a sequência é obrigatória. A história responde questões e introduz novos personagens interessantes, como o vilão Wilson. O visual e a atmosfera são ainda mais polidos, com destaque para a iluminação e as animações.

Agora, se você busca um survival horror com combate refinado e variedade de armas, melhor procurar outro lugar. A inspiração em BioShock é clara, mas falta a profundidade dos plasmidios e a fluidez dos tiroteios. Também não recomendo para quem não tem paciência com perseguidores aleatórios e morte punitiva. Duração é outro ponto: com 7 horas de campanha, pode deixar quem quer um jogo mais longo com sensação de que poderia ser mais.

No fim, Bendy and the Dark Revival é uma experiência de nicho. Acerta no que promete para os fãs, mas tropeça em aspectos que poderiam torná-lo um jogo mais universal.

Perguntas frequentes sobre review Bendy and the Dark Revival PlayStation 5

O jogo tem legendas em português?

Não. As legendas estão em inglês, e os áudios (gravações de voz) não possuem legendas. apenas transcrição disponível no menu do jogo.

Quantas horas dura a campanha?

A história principal leva cerca de 7 horas. Com exploração e colecionáveis, pode chegar a 8,5 horas. Para completar 100%, espere cerca de 20 horas.

O jogo roda bem no PS5?

Sim. A versão digital de julho de 2025 está estável, com carregamentos rápidos e boa fluidez. Não houve travamentos nem quedas de performance.

Preciso jogar o primeiro jogo antes?

É recomendado, pois a história é uma continuação direta. Mas o jogo dá contexto suficiente para novos jogadores entenderem o básico.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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