Estourar a cabeça de um robô com uma pá modificada enquanto uma versão distorcida de uma canção soviética ecoa ao fundo. Atomic Heart não perde tempo mostrando suas intenções: um FPS que abraça o absurdo e a estética atômica com uma confiança rara. Você assume o Major P-3 numa Rússia alternativa de 1955, onde robôs enlouqueceram e o caos impera. O jogo da Mundfish chega ao PS5 prometendo combate versátil, mundo aberto hostil e muito estilo visual. E, sim, ele entrega boa parte disso, mas nem tudo sai como planejado.
A fórmula mistura tiroteios frenéticos, crafting, poderes de luva de polímero e puzzles no estilo Portal, resultando em algo que lembra Bioshock e Metro. Na prática, o jogo sabe o que quer, mas tropeça em vícios de design. O início é lento, cheio de quebra-cabeças que pedem paciência. O combate corpo a corpo não tem o peso que deveria. E a história, apesar da premissa interessante, patina com diálogos fracos e personagens rasos. Ainda assim, quando o mundo se abre e você começa a combinar armas de fogo, golpes elétricos e granadas caseiras, Atomic Heart mostra seu verdadeiro potencial.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Prepare-se para um início lento: as primeiras 2-3 horas são repletas de puzzles e tutoriais, mas a recompensa é um mundo aberto cheio de ação.
- Explore os campos de testes (Testing Grounds) para encontrar loot raro, upgrades e armas novas. isso faz diferença no combate.
- Use a luva de polímero para escanear inimigos e descobrir fraquezas (choque para robôs, fogo para orgânicos). Isso economiza munição.
- Munição é escassa no começo; invista em armas de energia (que recarregam) e no crafting de cartuchos elementares.
- Se você curte desafio, o modo Armageddon (Hardcore) é brutal e recompensa planejamento. mas não é para iniciantes.
1. Atomic Heart (PlayStation 5): FPS com alma atômica e algumas arestas
Fonte: Amazon.com.brFocus Home Interactive Coração Atômico (Playstation 5)
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Atomic Heart é um jogo de contrastes. Acerta em cheio na direção de arte e no combate criativo, mas escorrega na narrativa e nos puzzles. Cada corredor do complexo 3826 é uma vitrine de propaganda soviética distorcida, com estátuas douradas, máquinas retrô e uma paleta de cores que vai do branco imaculado ao vermelho sangue. Os inimigos são criativos, de robôs bailarinos a criaturas biomecânicas nojentas, e as animações de recarga variam se o pente está vazio ou não, um detalhe que mostra cuidado. Em termos de combate, o jogo oferece uma caixa de ferramentas generosa: mais de 12 armas (de bestas a metralhadoras), poderes da luva como choque, congelamento e telecinese, e um sistema de cartuchos elementares que permite eletrocutar grupos ou incendiar tanques de óleo. A variedade é real, e depois que você pega o ritmo, scanear, trocar arma, usar o ambiente, o combate brilha. Mas nem tudo é perfeito. O combate corpo a corpo não convence: os golpes não têm impacto e os inimigos viram esponjas de bala, especialmente no modo normal. A inteligência artificial é agressiva e robôs de reparo podem reviver inimigos derrotados, o que força reposicionamento, mas também cansa. O stealth é quase inviável, você raramente consegue passar sem ser notado. E os puzzles, embora lembrem Portal, aparecem em excesso no início e quebram o ritmo. A narrativa, que poderia sustentar o mundo, decepciona com diálogos constrangedores e uma história previsível. O protagonista P-3 tem falas que beiram o constrangimento, e o CHAR-les tenta ser carismático, mas soa forçado. Ainda assim, quem veio pelo tiroteio e pela exploração encontra diversão genuína. No aspecto técnico, o PS5 segura bem o tranco. A maior parte do tempo roda liso, mas cutscenes sofrem com quedas de quadro e as expressões faciais parecem de outro jogo. A dublagem em português brasileiro é um ponto alto: elenco dedicado, texto bem adaptado. O problema é a mixagem de som, muitas vezes a música ou efeitos abafam as falas. E não espere fast travel: você vai correr bastante entre os cinco complexos científicos, e os inimigos respawnam, o que pode ser bom ou ruim dependendo do seu humor. No fim, Atomic Heart é um tiro certeiro para quem ama a estética retrô-futurista e quer um FPS com personalidade, mesmo que imperfeito. Para quem prioriza narrativa ou desempenho polido, é melhor pesquisar mais.
Prós
- Direção de arte espetacular e design de inimigos memoráveis
- Grande variedade de armas, poderes da luva e combos táticos
- Dublagem em português brasileiro de alto nível e localização completa
- Mundo rico em detalhes e lore interessante nos documentos
- New Game+ e dois finais diferentes incentivam replay
Contras
- Combate corpo a corpo sem peso e inimigos com muito HP
- Excesso de puzzles no início, que arrastam o ritmo
Combate: versatilidade que compensa as falhas
O combate de Atomic Heart é um estudo de contrastes. De um lado, você tem um arsenal criativo: uma besta que gruda granadas, uma metralhadora que aceita cartuchos de gelo, uma luva que levanta inimigos e os arremessa. Tudo isso combinado com o sistema de crafting na máquina NORA (aquela geladeira falante) permite personalizar cada arma com módulos que mudam o comportamento. O resultado é que você raramente fica sem opções. Quando a munição acaba, parte para o corpo a corpo ou usa energia. Do outro lado, o combate direto sofre. Os inimigos absorvem muito dano, mesmo os robôs mais fracos, e a falta de peso nos golpes corpo a corpo tira a satisfação. A inteligência artificial é agressiva, mas previsível: eles avançam em linha reta. O stealth é tão raso que mal existe. O melhor é abraçar o caos: use o scanner da luva para achar fraquezas, troque de armas com frequência e explore o ambiente para vantagens táticas.
Mundo e atmosfera: um banquete visual com alguns espinhos
Se tem uma coisa que Atomic Heart faz melhor que a concorrência é construir um mundo. Cada sala do complexo parece um museu vivo da União Soviética que nunca existiu. As texturas são ricas, os efeitos de luz e reflexos no PS5 impressionam, e os robôs têm um design que mescla arte deco com horror mecânico. O problema é que esse mundo lindo é, por vezes, frustrante de navegar. O mapa não é dos mais claros, objetivos podem ficar ambíguos, e não há fast travel. Você vai percorrer corredores e áreas abertas repetidamente, e os inimigos respawnam com frequência, o que cansa. Por outro lado, os campos de testes (Testing Grounds) são pequenas dungeons com puzzles e loot excelente. Explorar cada canto recompensa com upgrades que fazem diferença. O equilíbrio entre admiração e irritação é tênue, mas para quem curte imersão, o saldo é positivo.
Localização e desempenho: o PT-BR salva, mas o PS5 hesita
Um dos grandes acertos de Atomic Heart é a localização completa em português brasileiro. Todos os diálogos e textos estão dublados com um elenco que claramente se dedicou, algo raro em lançamentos do gênero. As vozes combinam com os personagens e as expressões coloquiais funcionam bem. O problema é que a mixagem de som atrapalha: em cenas agitadas, a música e os efeitos sonoros cobrem as falas, e você perde parte do diálogo. No aspecto visual, o PS5 entrega uma experiência sólida na maior parte do tempo, com taxas de quadros estáveis e carregamentos rápidos. Porém, cutscenes sofrem com quedas de frame perceptíveis, e as animações faciais são claramente inferiores ao resto da qualidade gráfica. São problemas que não quebram o jogo, mas mancham um pacote que, em outros aspectos, é bem caprichado. Uma atualização em junho de 2024 adicionou opções de acessibilidade (auto-solve de puzzles, modo daltônico), o que ajuda, mas não resolve todos os incômodos.
Perguntas frequentes sobre review Atomic Heart PlayStation 5
Quanto tempo dura Atomic Heart no PS5?
A campanha principal leva cerca de 15 horas. Para fazer 100% (todos os segredos, upgrades e finais), prepare-se para 35 a 40 horas. Há dois finais e New Game+ após zerar.
Atomic Heart tem modo multiplayer ou cooperativo?
Não. Atomic Heart é exclusivamente single-player. Não há multiplayer local nem online. Toda a experiência é focada na campanha solo.
A dublagem em português brasileiro é boa?
Sim, a dublagem em PT-BR é um dos pontos altos do jogo. O elenco entrega atuações convincentes e o texto foi bem adaptado. O único senão é a mixagem de som, que às vezes abafa as falas.
Atomic Heart tem New Game+ e finais alternativos?
Sim. Após zerar, você pode iniciar o New Game+ mantendo upgrades e armas. Além disso, há dois finais diferentes baseados em escolhas ao longo da história.
Vale a pena para quem não gosta de puzzles?
Depende. Os puzzles são frequentes no início e lembram Portal. Se você não curte quebra-cabeças, as primeiras horas podem ser frustrantes. Depois que o mundo abre, eles diminuem, mas ainda aparecem nos campos de testes.
