Assassin’s Creed Shadows: dois protagonistas, um Japão deslumbrante e alguns tropeços

O sol nasce sobre o castelo de Osaka, iluminando telhados curvos e guerreiros que patrulham as muralhas. Assassin's Creed Shadows mergulha você no Japão do século XVI com uma riqueza de detalhes que impressiona desde o primeiro minuto. Pela primeira vez, temos dois protagonistas com estilos de jogo radicalmente diferentes: Naoe, a shinobi ágil e silenciosa, e Yasuke, o samurai africano que abre caminho na base da força bruta. Essa dualidade é o coração do jogo e, na maior parte do tempo, funciona muito bem.

Mas Shadows não é perfeito. O ritmo da narrativa é irregular, e as missões principais repetem a mesma fórmula até o desgaste. Para quem busca um RPG de ação imersivo e não se importa com uma história que demora a engrenar, o jogo é um prato cheio. Para quem quer uma experiência mais enxuta e direta, talvez seja melhor mirar em outro título.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Escolha seu estilo: Naoe prioriza furtividade, gancho e parkour; Yasuke é combate direto com armas pesadas e destruição de cenário. O jogo alterna entre os dois, mas você pode focar mais em um.
  • Prepare-se para dezenas de horas: só a campanha principal leva de 35 a 40 horas, e o 100% pode passar de 80 horas. Conteúdo não falta.
  • A Limited Edition inclui o Pacote de Personagens Sekiryū (itens cosméticos e armas) e a expansão 'Garras de Awaji' (10h extras). Se você pretende mergulhar fundo, ela agrega valor.
  • O jogo roda muito bem no PS5, com modo desempenho mantendo 60 FPS na maior parte do tempo. Quedas pontuais no esconderijo são relatadas, mas não comprometem.

1. Assassin's Creed Shadows – Limited Edition, PlayStation 5

Não é só um jogo: é um convite para explorar cada canto do Japão feudal. A recriação é de uma beleza que segura o jogador só pela vontade de percorrer vales, templos cobertos de neve e campos de bambu balançando ao vento. As estações do ano mudam dinamicamente, transformando áreas conhecidas em novos desafios: o gelo reduz a visibilidade, a chuva abafa os passos, a vegetação alta esconde inimigos. É um mundo que respira, com vida e detalhes que fazem a imersão valer cada segundo. No centro da experiência estão Naoe e Yasuke. Naoe desliza pelos telhados, usa o gancho para alcançar pontos altos e elimina guardas com a lâmina oculta em segundos. Yasuke, por outro lado, é um tanque: entra pela porta da frente, quebra paredes com o kanabo e enfrenta grupos inteiros sem piedade. A diferença não é cosmética. cada um tem árvores de habilidades próprias, armas exclusivas e uma abordagem de combate que realmente muda a forma de jogar. Nas missões que alternam entre eles, a experiência nunca fica monótona. O combate, aliás, é o melhor da série em anos. A furtividade de Naoe é precisa, com opções de distração e eliminação silenciosa que lembram os melhores momentos de Splinter Cell. Já os combates de Yasuke são brutais e satisfatórios, com bloqueios perfeitos e golpes que derrubam inimigos e partes do cenário. Só não espere uma IA brilhante: em alguns momentos, guardas parecem surdos ou cegos, quebrando um pouco a tensão. O calcanhar de Aquiles de Shadows está no ritmo. A história principal demora a engrenar. o primeiro capítulo é morno e a transição entre os protagonistas acontece de forma abrupta. As missões seguem uma estrutura cansativa de ir ao ponto A, investigar, ir ao B, eliminar, e reportar. São muitos objetivos em cascata, e a sensação de repetição aparece depois de algumas horas. A narrativa tem seus momentos, mas não está entre as melhores da franquia. Felizmente, as missões secundárias e os contratos oferecem variação suficiente para quem quiser desviar do caminho principal. No aspecto técnico, o PS5 dá conta do recado. O modo desempenho mantém 60 FPS na maior parte do tempo, com quedas muito localizadas no esconderijo. Os gráficos são deslumbrantes, com ray tracing e texturas de alta qualidade. A dublagem em português brasileiro é competente, e a trilha sonora, com influências tradicionais japonesas, eleva a atmosfera. No fim, Shadows é um jogo enorme, bonito e divertido, mas que poderia ser ainda melhor se cortasse um pouco da gordura narrativa. Para fãs de RPG de mundo aberto, é uma jornada que vale cada hora.

Prós

  • Dois protagonistas com gameplay radicalmente diferentes e bem implementados
  • Mundo aberto deslumbrante, com estações dinâmicas que afetam a jogabilidade
  • Combate refinado: furtividade precisa e combate direto impactante
  • Desempenho sólido no PS5, modo 60 FPS estável na maior parte do tempo

Contras

  • Missões principais repetitivas, seguindo fórmula investigar-eliminar-reportar
  • Primeiro capítulo lento e transição abrupta entre protagonistas

A dança dos protagonistas

Com Naoe, cada infiltração vira um puzzle. Você observa padrões de guardas, usa o gancho para alcançar beirais, distrai com kunai ou shuriken e elimina silenciosamente. O parkour é fluido, e a sensação de ser uma sombra nos telhados é gratificante. Com Yasuke, é força bruta: seu combate direto com katana, kanabo ou arco é brutal e impactante. Os ambientes destrutíveis permitem que você abra caminho por paredes de madeira e cause estragos em grupos inteiros. A árvore de habilidades de cada um (seis ao todo) expande ainda mais as possibilidades, e a progressão não linear lembra a de Odyssey: você escolhe a ordem das missões e o foco do seu personagem. Essa dualidade é o maior trunfo de Shadows e justifica boa parte da empolgação.

Um Japão que pulsa

Mudança repentina de estação: uma área antes verdejante agora coberta de gelo, afetando a visibilidade e a movimentação. Cada região do mapa tem identidade: florestas de bambu banhadas por névoa, castelos imponentes cercados por fosso. As estações do ano não são apenas visuais. elas alteram a jogabilidade. No inverno, a neve acumulada abafa os passos de Naoe e torna a furtividade mais fácil, mas também reduz a visibilidade. No outono, folhas secas estalam sob os pés, traindo movimentos descuidados. O ciclo dia-noite e o clima dinâmico (tempestades, garoa, vento) influenciam a detecção e o combate. É um mundo que reage ao jogador e que convida à exploração. A trilha sonora, com instrumentos tradicionais como shamisen e taiko, é melancólica e épica na medida certa. Juntando tudo, a imersão é das mais altas da série.

O preço do escopo

A campanha principal, com seus 14 capítulos, segue uma estrutura previsível: identificar um alvo, investigar pistas espalhadas pelo mapa, completar missões secundárias para avançar, eliminar o alvo. Esse ciclo se repete muitas vezes, e a sensação de 'missão A-B-C' cansa. O início do jogo é especialmente lento; o prólogo introduz Yasuke de forma apressada, e a coesão narrativa demora a se firmar. Além disso, o excesso de objetivos secundários pode sobrecarregar. são contratos, templos, kuji-kiri, trilhas escondidas, missões de aliados… É conteúdo de sobra, mas nem sempre bem distribuído. No PS5, o desempenho é bom, com quedas esporádicas de FPS no esconderijo e alguns bugs visuais (texturas que somem, expressões faciais robóticas). Nada que quebre a experiência, mas que mostra que o jogo não é perfeito tecnicamente. Shadows é um colosso que se equilibra entre acertos e repetições, e cabe a cada jogador decidir se esse tamanho compensa.

Perguntas frequentes sobre review Assassin’s Creed Shadows Limited Edition PlayStation 5

Quanto tempo leva para zerar Assassin's Creed Shadows?

A campanha principal leva entre 35 e 40 horas. Para completar todo o conteúdo (100%), espere de 60 a 100 horas, dependendo do ritmo e do nível de exploração.

Preciso jogar com os dois protagonistas?

Sim, a história alterna entre Naoe e Yasuke. Você pode focar mais em um, mas muitas missões exigem a troca. Cada um tem árvores de habilidades próprias que vale a pena explorar.

Vale a pena comprar a Limited Edition?

Sim, se você planeja se dedicar ao jogo. Ela inclui o Pacote de Personagens Sekiryū (itens cosméticos) e a expansão 'Garras de Awaji' com mais de 10 horas de conteúdo. Para fãs, o custo adicional se justifica.

O jogo tem dublagem em português?

Sim, a dublagem em português brasileiro é muito boa, com vozes adequadas para os protagonistas. Você também pode optar pelo áudio original em japonês com legendas em português.

Shadows é melhor que Ghost of Tsushima?

São jogos diferentes. Shadows foca mais em RPG e furtividade, com dois personagens e mais conteúdo. Ghost of Tsushima tem narrativa mais coesa e combate mais 'samurai'. Fãs de mundo aberto vão gostar de ambos.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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