Acender o primeiro farol sob uma chuva de flechas, com a câmera tremendo e o som sintetizado. essa é a abertura de Arzette: The Jewel of Faramore. E já avisa: não estamos diante de um jogo comum. Criado pela Seedy Eye Software e publicado pela Limited Run Games, o título é uma carta de amor assumida aos infames jogos de Zelda do Philips CD-i, aqueles que viraram piada entre os gamers por causa das cutscenes toscas e da dublagem bizarra. Mas aqui o negócio é diferente: em vez de apenas repetir o meme, o estúdio pegou o espírito da coisa e construiu algo que funciona por mérito próprio.
Na versão de PlayStation 5, Arzette oferece uma aventura de plataforma 2D com pinceladas de metroidvania, visuais em pixel art caprichados e uma trilha sonora sintetizada que gruda na cabeça. A campanha é curta. algo entre 3h30 e 5h para ver tudo. e o combate é deliberadamente simples. Não espere chefes complexos ou movimentos de luta avançados; a graça está em explorar o mundo, interagir com NPCs usando a famosa 'Smart Sword' (que não é nada além de apontar e bater) e aproveitar cada cutscene propositalmente ridícula. É um jogo que sabe exatamente o que quer ser e não pede desculpas por isso.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Se você cresceu com plataforma 2D e exploração no estilo Monster World, vai se sentir em casa. Se paciência para combate raso e inimigos que morrem em dois hits não te incomoda, ótimo. Agora, se a estética 'intencionalmente feia' e hit boxes desalinhadas tiram seu sono, talvez seja melhor olhar outro título.
- Aprecia humor nonsense, dublagem exagerada e cutscenes que parecem saídas de um VHS dos anos 90? Arzette é o seu jogo. Busca uma aventura curta e direta, sem horas de grind ou encheção de linguiça? Também serve. Mas se você não tolera combate raso ou chefes que caem em três golpes, melhor seguir adiante.
- Arzette é ideal para quem quer uma aventura divertida e descompromissada, desde que não se importe com combate raso.
1. Arzette: The Jewel of Faramore. PS5: plataforma 2D com humor e nostalgia
Fonte: Amazon.com.brArzette The Jewel of Faramore PS5
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A primeira cutscene me fez rir na hora: um NPC com voz exagerada solta um diálogo absurdo enquanto Arzette balança a cabeça. Foi o gancho perfeito. Peguei o controle do PS5 esperando uma piada de cinco minutos, mas o que encontrei foi uma homenagem surpreendentemente competente, que sustenta o riso sem virar palhaçada vazia. Desde o primeiro passo de Arzette pelos campos de Faramore, fica claro que a desenvolvedora entendeu o que fazia os jogos do CD-i serem inesquecíveis. aquele tom de 'tentamos fazer algo sério, mas deu nisso'. e transformou isso em virtude. As cutscenes são um show à parte: dublagem over the top, expressões faciais que parecem desenhadas sob efeito de cafeína em excesso e diálogos que flertam com o absurdo sem perder a graça. Na prática, a jogabilidade é fluida. Arzette corre, pula e ataca com a espada de forma satisfatória, e a progressão por faróis e velas sagradas dá uma estrutura leve de metroidvania. Usar a bomba em uma parede rachada e encontrar um baú secreto com upgrade de vida é exatamente o tipo de recompensa que incentiva a exploração. As hit boxes podem causar estranheza no começo, principalmente em plataformas que se confundem com o fundo, mas depois de algumas mortes a adaptação vem natural. O calcanhar de Aquiles é o combate. Sinceramente, é repetitivo e sem graça. você aperta quadrado repetidamente e os inimigos morrem em dois ou três hits. Chefes então? A maioria cai em três golpes, sem oferecer resistência. O modo Casual ameniza ainda mais, com drops de vida e inimigos mais fracos. Já o modo Normal exige mais cuidado, já que não há drops de vida, mas ainda assim não chega a ser punitivo. Para quem busca combate refinado, o jogo decepciona. Onde Arzette brilha de verdade é no carisma. Os personagens são memoráveis, as missões secundárias (como ajudar um lobisomem a se mudar para a cidade) divertem, e a trilha sonora eletrônica gruda na cabeça. Visualmente, o pixel art é lindo, com fundos pintados à mão que lembram a arte original de Rob Dunlavey. O minigame de fechar portas em um corredor infinito é uma piscadela nostálgica para Hotel Mario. E tem mais: o jogo vem completo em português brasileiro, com interface e legendas, o que ajuda muito a aproveitar o humor. No fim, é uma aventura que entrega exatamente o que promete: uma tarde de diversão despretensiosa, com um sorriso no canto da boca e a vontade de ver qual será a próxima cutscene maluca.
Prós
- Homenagem sincera e bem-humorada aos jogos do CD-i, sem ser apenas paródia
- Movimentação fluida e controles responsivos no PS5
- Pixel art encantador com fundos pintados à mão e trilha sonora marcante
- Localização completa em português brasileiro
- Curto e objetivo, sem desperdiçar o tempo do jogador
Contras
- Combate simples e repetitivo, sem profundidade
- Chefes muito fáceis, falta desafio significativo
Controles fluidos que respeitam a herança do CD-i
Quem jogou os títulos originais do CD-i sabe que a parte mais sofrida era o controle: movimentos lentos, detecção de hits duvidosa e uma sensação de que o jogo lutava contra você. Arzette resolve isso com maestria. Correr e pular é leve, muito mais ágil que nos originais. O sistema de itens é integrado de forma orgânica: você coleta bombas, óleo para a lanterna e uma corda que te leva de volta ao mapa rapidamente. tudo recarregável com rubis espalhados pelos cenários. O loop de progressão é simples: entre em uma fase, explore, acenda o farol no final, derrote um miniboss e ganhe acesso a novas áreas. Isso se repete com variações de cenário. pântanos, criptas, vulcões, praias. e com upgrades que expandem as possibilidades, como o pulo duplo e um anel refletor. A estrutura metroidvania é leve, mas funciona: você volta em fases anteriores para pegar itens que antes pareciam fora de alcance. A recompensa por explorar cada canto é real.
Pixel art de encher os olhos, mas plataformas que se escondem
Visualmente, Arzette é um prato cheio para quem ama pixel art bem feito. Os sprites são detalhados e animados com carinho, e os fundos pintados à mão dão profundidade às fases. O problema é que, em algumas áreas, as plataformas se confundem com o cenário de fundo, fazendo você errar pulos que pareciam seguros. É um incômodo que desaparece conforme você se acostuma, mas que volta a aparecer em fases mais escuras ou com muita informação visual. A trilha sonora é um show à parte. Composta com sintetizadores que lembram teclados de brinquedo dos anos 90, ela transita entre temas eletrônicos animados e faixas mais tensas nas criptas. como na fase em que você atravessa uma cripta escura usando a lanterna. A dublagem, propositalmente exagerada, é o ponto alto: cada cutscene é uma pérola de humor nonsense. Os dubladores originais do CD-i, Jeffrey Rath e Bonnie Jean Wilbur, retornam como narrador e guia, e a voz de Arzette (Angel Ray) fecha o elenco com carisma.
Uma tarde de diversão, mas não espere banquete
Arzette: The Jewel of Faramore é um prato cheio para quem cresceu nos anos 90 e ouviu falar dos lendários jogos do CD-i. Mas não pense que é só para quem tem nostalgia: o humor e o estilo visual conquistam até quem nunca viu um Link de boca torta na vida. O jogo é ideal para uma tarde descompromissada, daquelas em que você quer se divertir sem se estressar com mecânicas complexas ou chefes que exigem 50 tentativas. Por outro lado, quem busca combate profundo, desafio progressivo ou uma campanha longa vai se decepcionar. O sistema de luta é simples demais. você aperta quadrado repetidamente. e os chefes raramente oferecem resistência. Além disso, a curta duração (cerca de 4 horas para ver os créditos) pode afastar quem quer um jogo para durar semanas. Arzette é como um doce: gostoso, mas não substitui uma refeição completa.
Perguntas frequentes sobre review Arzette The Jewel of Faramore PlayStation 5
Arzette: The Jewel of Faramore tem localização em português?
Sim. Interface e legendas em português brasileiro. ajuda a aproveitar o humor nonsense das cutscenes.
Quantas horas dura Arzette no PS5?
Campanha principal leva cerca de 3h30 a 4 horas. Para 100% (todos os segredos), umas 5h50.
O combate é muito difícil?
Não. O combate é simplório e chefes caem com poucos golpes, mesmo no Normal.
O jogo é apenas uma paródia ou tem qualidade própria?
É homenagem sincera, não paródia vazia. A jogabilidade é refinada e o humor funciona por mérito próprio.
Vale a pena para quem não conhece os jogos do CD-i?
Sim. O humor é universal e a jogabilidade acessível para qualquer fã de plataforma 2D.
