ArcRunner no PS5: cyberpunk neon, repetição e o charme do cooperativo

ArcRunner não perde tempo: em segundos, você está no corredor de uma estação espacial, neon azul cortando o escuro, e um robô patrulha à frente. Escolheu a classe Ninja, ativa a capa e passa despercebido. Esse é o gancho de um roguelite que aposta na ação rápida e no visual chamativo, mas que logo mostra suas limitações.

Soldier, Ninja ou Hacker: cada classe muda o ritmo de jogo. O Soldier tanka com escudo e martelo, o Ninja flerta com furtividade e katana, o Hacker (desbloqueável) desarma inimigos com EMP. A primeira impressão é de um jogo que sabe exatamente o que quer ser. A trilha eletrônica pulsante e os neons estourados na tela criam uma atmosfera envolvente. O problema? Os cenários se repetem rápido demais. salas retangulares e layouts lineares que cansam antes da terceira zona.

Sozinho, a repetição pesa mais. No cooperativo online para até três jogadores, a bagunça organizada de habilidades compensa parte da mesmice. Com amigos, o caos vira piada interna e a frustração divide o peso. É um jogo que funciona melhor na companhia certa.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • ArcRunner é roguelite: espere morrer e recomeçar várias vezes. A progressão permanente com nanites e desbloqueio de armas por mortes acumuladas torna cada run um passo à frente. Mas não se iluda com a variedade: as salas são basicamente retângulos com poucos layouts, e você vai reconhecer cada corredor antes da quarta hora.
  • O modo cooperativo é o ponto alto. Com três jogadores, as classes se complementam: o Soldier segura a linha, o Ninja flanqueia, o Hacker controla a multidão. A diversão multiplica. Se você joga sempre solo, o jogo perde parte da graça e a repetição aparece mais rápido.
  • Não há checkpoints nas runs. Morrer é voltar ao início da zona. É um design clássico do gênero, mas pode frustrar quem não está acostumado. A vantagem é que o desbloqueio de novas classes e armas dá um gostinho de 'mais uma tentativa'.
  • O jogo tem legendas em português brasileiro, mas a interface (UI) usa fontes e cores que dificultam a leitura em algumas telas. Não é um impeditivo, mas incomoda. especialmente quando você precisa ler um augment rápido durante o combate.

1. ArcRunner. PS5: Roguelite de tiro cyberpunk com foco no cooperativo

ArcRunner é daqueles jogos que acertam no essencial do gênero, sem inventar grandes novidades. O combate é frenético, as classes têm identidade e a progressão com nanites e desbloqueio de armas por mortes acumuladas dá aquele gostinho de 'mais uma run'. A estética neon com toque cartoon é um acerto visual, e a trilha sonora eletrônica segura bem a atmosfera. Mas os problemas aparecem conforme o tempo passa: a repetição de cenários (cerca de cinco tipos de sala) cansa, a mira no controle pode parecer imprecisa e alguns chefes são só esponjas de dano com IA previsível. No PS5, o jogo roda bem na maior parte do tempo, mas engasga em momentos de mais ação. nada grave, mas perceptível. O ponto alto está no cooperativo. Com três pessoas, o caos de habilidades cria momentos genuinamente divertidos que o modo solo não alcança. Se você tem amigos para jogar, ArcRunner vira um ótimo passatempo de sofá (ou online). Sozinho, a falta de variedade e a punição das runs sem checkpoint podem desgastar mais rápido. É um jogo que sabe o que é, mas que poderia ter caprichado mais na diversidade de conteúdo para justificar o investimento.

Prós

  • Visual neon estilizado e trilha sonora eletrônica de alto nível
  • Três classes com habilidades distintas que incentivam rejogabilidade
  • Progressão permanente recompensadora com nanites e desbloqueio de armas
  • Cooperativo online para 3 jogadores é caótico e divertido

Contras

  • Cenários repetitivos: pouca variedade de salas e layouts lineares
  • Interface (UI) com fontes e cores de difícil leitura

Jogabilidade e classes

ArcRunner coloca você na pele de um dos três arquétipos: Soldier (escudo e martelo de energia), Ninja (invisibilidade e katana) e Hacker (desbloqueável, com controle eletrônico e EMP). Cada um muda o ritmo de jogo. o Soldier tanka e bate pesado, o Ninja aposta na agilidade e o Hacker desarma inimigos à distância. A troca entre classes é o principal incentivo para rejogar, já que as armas corpo a corpo e as habilidades ativas pedem adaptações táticas.

Em combate, o jogo é rápido: você atira, usa o melee, ativa a habilidade especial e corre entre coberturas. Mas a mira no controle tem uma dispersão que incomoda. parece que os tiros não saem exatamente para onde o retículo aponta. É possível ajustar a assistência de mira nas opções, mas a sensação estranha não desaparece de vez. Os inimigos, em sua maioria robôs e seguranças, não exigem grande estratégia; o desafio maior está em gerenciar recursos e não morrer antes do chefão. Num momento como Ninja, você ativa a capa e passa despercebido por um corredor, mas ao abrir fogo a precisão duvidosa pode estragar o plano.

Sem checkpoints, cada morte é um recomeço na zona. A progressão permanente com nanites (coletadas nas runs) permite melhorar atributos e desbloquear slots de equipamento. O sistema de desbloqueio de armas por mortes acumuladas também incentiva alternar entre os equipamentos. um loop que funciona bem, mesmo que a repetição dos cenários atrapalhe o pico de empolgação.

Progressão e repetição

Quatro zonas (Cidade, Doca, Eden Heights, etc.) com sete estágios cada. A geração procedural existe, mas a variedade de salas é pequena. você vai ver os mesmos corredores retangulares e plataformas de novo e de novo. A variedade de inimigos também é limitada, e os chefes, apesar de visualmente diferentes, se resolvem com ataque repetitivo e esquiva previsível. É aqui que o jogo mostra sua cara mais genérica.

O sistema de aumentos (augments) entre os estágios ajuda a customizar a build, mas muitos perks são irrelevantes ou pouco impactantes. Algumas armas, como a SMG, são claramente superiores, enquanto outras parecem inúteis. Esse desbalanceamento quebra a graça de experimentar. você aprende rápido o que funciona e ignora o resto. Mesmo assim, a sensação de evolução constante (nanites, novos slots, armas desbloqueadas) segura o interesse por várias horas. Desbloquear a classe Hacker após algumas runs traz um sopro de novidade: você pode desativar torretas e causar caos eletrônico, mas logo a repetição das salas volta a aparecer.

Para quem quer finalizar a campanha principal, o tempo médio é de cerca de 4h30. Para ver tudo (desbloquear todas as classes, armas e upgrades), o jogo pede mais dedicação. Mas a repetição dos cenários pode fazer esse estica ser mais cansativo do que divertido.

Visual, som e cooperativo

ArcRunner é bonito. O estilo cyberpunk cartoon com neons vibrantes e fundos detalhados lembra uma animação sci-fi dos anos 80. A direção de arte é consistente e segura o olhar mesmo nas fases mais repetitivas. A trilha sonora eletrônica, com sintetizadores pulsantes, casa perfeitamente com a ação e ajuda a manter o ritmo. O problema é que a UI parece ter sido desenhada pensando mais no estilo do que na usabilidade: textos pequenos, cores que se confundem com o cenário e ícones que poderiam ser mais claros. Em meio ao combate, tentar ler um augment rápido vira um exercício de frustração.

O cooperativo online para até três jogadores é onde o jogo mais brilha. Cada classe contribui de forma diferente: Soldier segura a linha de frente, Ninja flanqueia e Hacker controla a multidão. A comunicação não é obrigatória, mas quando as habilidades se combinam (um escudo que protege enquanto o Hacker derruba torretas), a experiência ganha camadas. Em um grupo afiado, a combinação das três classes gera uma diversão caótica que o modo solo não oferece. Sozinho, a falta de variedade pesa mais. Em grupo, a bagunça vira piada e a repetição vira pano de fundo para momentos imprevisíveis.

No PS5, o jogo roda na maior parte do tempo fluido, mas notei engasgos em momentos de mais explosões e inimigos na tela. Nada que quebre a diversão, mas poderia ser mais polido. Considerando que o jogo não é um blockbuster AAA, o desempenho geral é aceitável.

Perguntas frequentes sobre review ArcRunner PlayStation 5

ArcRunner tem modo cooperativo?

Sim, o jogo oferece cooperativo online para até três jogadores. É possível jogar a campanha inteira em grupo, e a experiência é significativamente melhor do que solo.

Quantas classes existem em ArcRunner?

São três classes: Soldier (combate direto com escudo e martelo), Ninja (furtividade e katana) e Hacker (desbloqueável, com controle eletrônico). Cada uma tem habilidades únicas e uma arma corpo a corpo diferente.

O jogo tem checkpoints?

Não. ArcRunner segue a tradição roguelite: morrer significa recomeçar a zona do zero. A progressão permanente (nanites e desbloqueio de armas) é mantida, mas as runs são contínuas até a vitória ou derrota.

ArcRunner é legendado em português?

Sim, o jogo tem suporte a legendas em português brasileiro, além de outros idiomas como inglês, espanhol, francês, alemão e coreano.

Vale a pena jogar ArcRunner sozinho?

Depende da sua tolerância à repetição. O jogo é divertido e a progressão é recompensadora, mas a falta de variedade de cenários e inimigos pode cansar mais rápido no modo solo. O cooperativo é o ponto alto.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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