Review Anno 117: Pax Romana no PS5: Construindo um império com calma e estratégia

Roma não foi construída em um dia, e Anno 117: Pax Romana também não apressa o passo. O mais novo capítulo da série de construção de cidades chega ao PS5 com a proposta de levar o jogador ao auge do Império Romano, em 117 d.C., quando o poder de Roma se estendia da Britânia ao Egito. Só que, aqui, você não é um imperador. É um governador encarregado de erguer e administrar províncias, equilibrando recursos, diplomacia e cultura em um loop que vicia com calma.

Anno 117 acerta no essencial. A campanha dupla, com os protagonistas Marcia Tertia e Marcus Naukratius, serve como um tutorial extenso e envolvente, enquanto o modo infinito liberta o jogador para experimentar à vontade. Mas nem tudo são louros. A interface no console às vezes atrapalha, e o final da campanha decepciona. Para quem ama city-builders ou quer começar no gênero, porém, é uma das melhores portas de entrada dos últimos anos.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • City-builders exigem paciência: o ritmo é calmo, com foco em planejamento e gerenciamento de recursos.
  • Se você é novo no gênero, a campanha de Anno 117 ensina tudo passo a passo, mas o modo sandbox pode ser punitivo.
  • No PS5, a interface é um pouco carregada; considere usar mouse e teclado se tiver dificuldade com o controle.
  • O jogo tem suporte completo a legendas em português brasileiro, o que facilita a imersão.

1. Anno 117: Pax Romana (Standard Edition, PS5): City-builder de estratégia e gestão

Anno 117: Pax Romana é, antes de tudo, um convite a desacelerar. A campanha coloca você na pele de Marcia Tertia ou Marcus Naukratius, cada um com missões e perspectivas diferentes, e guia suas primeiras decisões com segurança. Construir um acampamento de lenhadores, serrar madeira, erguer casas: tudo parece simples até você perceber que a cidade cresceu, que os cidadãos exigem pão, roupas e entretenimento, e que a próxima crise de abastecimento está a poucos cliques de distância. A mecânica de produção em cadeia é familiar para quem jogou Anno 1800, mas aqui ganha um toque especial com o sistema cultural duplo: você pode romanizar a província de Albion ou abraçar tradições celtas, escolhendo divindades que afetam bônus de produção, influenciando a árvore tecnológica e mudando a aparência das construções. No PS5, o que mais impressiona é o visual. O zoom máximo revela soldados marchando, cidadãos carregando ânforas e o reflexo do sol nos telhados de mármore. A trilha sonora, com cordas e metais suaves, casa perfeitamente com o clima de império em expansão. O problema é que o controle nem sempre acompanha a beleza. A interface, cheia de submenus, exige alguns cliques extras para encontrar informações sobre fluxo de recursos ou felicidade dos habitantes. Depois de algumas horas, você se acostuma, mas a adaptação demora mais do que o ideal. Felizmente, o suporte a mouse e teclado no PS5 existe e resolve grande parte da frustração. O modo sandbox (Infinite) é onde o jogo brilha. Sem a pressão de objetivos de campanha, você pode planejar sua cidade com ruas diagonais, zonas de influência e rotas comerciais entre províncias. O multiplayer cooperativo e competitivo adiciona camadas extras de diversão, embora a base de jogadores ainda seja modesta. A campanha, por outro lado, tem um final que parece abrupto: uma pena, porque a narrativa até ali é cativante, com diálogos e escolhas que afetam o destino das províncias. Ainda assim, para quem busca um city-builder profundo, repleto de conteúdo e com identidade própria, Anno 117 é uma compra segura. Não inova tanto quanto alguns esperavam, mas refina a fórmula a um nível que poucos concorrentes alcançam no console.

Prós

  • Sistema cultural duplo aumenta a rejogabilidade e a profundidade estratégica
  • Visual deslumbrante, com nível de detalhe impressionante ao zoom máximo
  • Campanha funciona como tutorial excelente para iniciantes no gênero
  • Localização impecável em português brasileiro (legendas)
  • Modo sandbox e multiplayer oferecem horas extras de conteúdo

Contras

  • Interface no PS5 é sobrecarregada e esconde informações importantes em submenus
  • Final da campanha é fraco e anticlimático

Gameplay: o loop que prende e a liberdade de escolha

A primeira serraria, o primeiro campo de trigo, a primeira padaria: cada passo no Anno 117 parece uma pequena conquista. O jogo começa devagar, construindo uma cadeia de recursos que vai da madeira ao pão, e logo você está administrando rotas comerciais, treinando soldados e decidindo entre romanizar a província celta ou adotar os costumes locais. A escolha de uma divindade patrona, como Júpiter ou Cernunnos, altera bônus de produção e desbloqueia habilidades especiais. É um sistema que incentiva o replay: experimentar caminhos culturais diferentes muda completamente a estratégia. Por trás da tela, a mecânica de zonas de influência força você a pensar no posicionamento de cada edifício. Colocar um mercado perto de residências aumenta a felicidade, enquanto uma forja longe demais atrasa a produção. Esses pequenos puzzles de layout mantêm a mente ocupada por horas.

Experiência no PS5: controles adaptados e algumas arestas

Jogar um city-builder no controle é sempre um desafio, e Anno 117 faz um bom trabalho, mas não perfeito. Os comandos são mapeados de forma lógica após algumas horas de adaptação: o analógico direito controla a câmera, o esquerdo seleciona unidades, e os gatilhos acessam menus rápidos. O problema é a quantidade de informação na tela. Ícones, barras de progresso e notificações disputam espaço, e encontrar o fluxo de um recurso específico exige navegar por submenus que poderiam ser mais diretos. A boa notícia é que o jogo é totalmente jogável com mouse e teclado no PS5. Honestamente, a experiência melhora significativamente. Para quem prefere o sofá, vale a pena ajustar as opções de acessibilidade (aumentar fonte, mudar cores) para aliviar a sobrecarga visual. O desempenho se mantém estável na maior parte do tempo, com algumas quedas de frame em cidades muito populosas.

Conteúdo e longevidade: do tutorial às infinitas possibilidades

A campanha principal dura entre 8 e 12 horas, dependendo do protagonista escolhido e do caminho diplomático ou militar adotado. Mais do que uma história, ela é um tutorial disfarçado, e funciona bem. Ao terminar, o modo Infinite (sandbox) se abre com todas as ferramentas liberadas. É ali que o jogo realmente decola: você pode construir sem objetivos, habitar uma província romana ou celta, traçar rotas comerciais entre Latium e Albion, e até desligar a IA para um desafio puramente pacífico. O multiplayer cooperativo e competitivo adiciona ainda mais horas, seja construindo junto com um amigo ou competindo por recursos. A árvore tecnológica, com três ramos de pesquisa, e o sistema de divindades garantem que cada nova partida seja diferente. Falta apenas um final de campanha mais robusto para amarrar o conjunto. Mas, para quem busca um city-builder que dura meses, Anno 117 entrega de sobra.

Perguntas frequentes sobre review ANNO 117: PAX ROMANA PlayStation 5

Anno 117: Pax Romana é bom para iniciantes em city-builders?

Sim. A campanha funciona como um tutorial extenso, guiando o jogador desde a construção básica até sistemas mais complexos. Porém, a interface no PS5 pode intimidar no começo, e o modo sandbox é menos indulgente.

O jogo roda bem no PlayStation 5?

No geral, sim. O desempenho é estável na maior parte do tempo, mas há relatos de quedas de frame em cidades muito populosas. O suporte a mouse e teclado é uma opção bem-vinda para quem prefere precisão.

Quanto tempo dura a campanha principal?

Entre 8 e 12 horas, dependendo das escolhas do jogador. Cada protagonista (Marcia ou Marcus) oferece missões e perspectivas diferentes, incentivando pelo menos duas campanhas.

Anno 117 tem modo multiplayer?

Sim. O modo Infinite (sandbox) suporta cooperativo e competitivo online, permitindo construir impérios com amigos ou disputar recursos em partidas estratégicas.

Qual edição escolher: Padrão ou Year 1?

A Edição Padrão oferece dezenas de horas com campanha, sandbox e multiplayer. O Year 1 Pass adiciona DLCs futuros, mas não é necessário para começar.

Nossas recomendações ajudaram você a escolher?

Conheça nossos especialistas

Especialista editorial

Especialista editorial

Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

Equipe de redação

O Quarto Nerd

Produção de conteúdo baseada em análise independente, curadoria especializada e comparação de produtos para apoiar decisões de compra mais claras.

Artigos relacionados

O que você está procurando?

Digite pelo menos 3 caracteres para começar a busca.