Anima Gate of Memories I & II Remaster: um action RPG de alma antiga que vale a visita

Atravesse um portal e você está em uma mansão de fantoches vivos, resolvendo um puzzle de luz enquanto inimigos surgem das sombras. Minutos depois, a câmera muda para um ângulo fixo durante uma luta e você toma um hit desnecessário. Anima Gate of Memories I & II Remaster no PS5 é exatamente isso: um action RPG ambicioso e frustrante, com momentos de brilho e decisões de design que já não funcionam tão bem. O pacote reúne duas campanhas do estúdio espanhol Anima Project, inspiradas no RPG de mesa Anima Beyond Fantasy. No PS5, ganha texturas nítidas, iluminação dinâmica e 60 FPS sólidos. O remaster poliu a superfície, mas não esconde o esqueleto de 2016.

Vale a pena? Depende. Se você busca narrativa densa, lore rica e não se importa com câmera teimosa e combate sem peso, Anima entrega algo raro. Se quer polimento AAA, melhor passar reto.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Este pacote é para quem sente falta de action RPGs com personalidade, onde a história pesa mais que os gráficos. Se você tolera câmera rebelde e plataforma imprecisa em troca de atmosfera gótica e lore densa, Anima é sua praia.
  • Para quem busca combate refinado, exploração guiada e cutscenes cinematográficas, títulos como Nier ou DMC entregam fluidez que Anima não tem. Aqui o charme está na simplicidade.
  • Se você curte desvendar sozinho, sem quest log ou waypoints, a Torre Arcana e seus portais vão te recompensar com descobertas e múltiplos finais.

1. Anima Gate of Memories I & II Remaster – Edição Padrão para PlayStation 5

Você alterna entre a Portadora e Ergo durante uma luta contra dois chefes em realidades paralelas, precisando gerenciar posicionamento e ataques simultâneos. Quando funciona, é brilhante. Mas aí você cai de uma plataforma pela terceira vez porque a câmera girou sozinha, e a paciência vai embora. Anima Gate of Memories I & II Remaster é uma coletânea que reúne Gate of Memories (2016) e The Nameless Chronicles (2018) em um só pacote. No PS5, o estúdio Anima Project refinou texturas, iluminação, resolução 4K e manteve 60 quadros por segundo estáveis. O resultado é um jogo visualmente renovado, mas que ainda carrega combates repetitivos, inimigos genéricos e falta de peso nos golpes. O Dual System é o destaque: alternar entre a Portadora (ataques à distância e magia de luz) e Ergo (corpo a corpo e trevas) exige estratégia, mas sofre com controles rígidos sem cancelamento de animação. A exploração na Torre Arcana é labiríntica, sem quest log ou waypoints, e a história é contada por documentos narrados e cutscenes estáticas – a trilha sonora orquestral carrega a atmosfera. No PS5, o desempenho é sólido: 4K/60FPS sem quedas, carregamentos rápidos. A direção de arte gótica e surrealista impressiona, mas modelos e animações entregam a idade. A dublagem em inglês é irregular; a localização de textos em português do Brasil está presente, mas legendas podem não estar em todas as versões. Anima não é para todos: é para quem cresceu com action RPGs de orçamento apertado e coração grande, e topa engolir alguns sapos por uma jornada única.

Prós

  • Duas campanhas completas em um pacote
  • Dual System bem implementado, com estilos de combate distintos
  • Melhorias visuais e de desempenho notáveis no PS5 (4K/60fps)
  • Trilha sonora orquestral marcante
  • História rica em lore, com múltiplos finais

Contras

  • Combate repetitivo e sem peso nos golpes
  • Câmera problemática, especialmente em combates intensos

Combate e alternância de personagens: acertos e tropeços

Quando você alterna entre a Portadora e Ergo no meio de uma luta, sente o potencial. Mas os inimigos se repetem muito, e os golpes não têm peso – parece que você está batendo em sacos de pancada. A câmera, que alterna entre terceira pessoa e ângulos fixos, desorienta nas lutas mais movimentadas. Não adianta esperar cancelamento de animação: uma vez que você ataca, está comprometido. Esquivas não interrompem combos, e projéteis teleguiados derrubam o personagem com facilidade.

O Dual System exige estratégia: a Portadora brilha à distância, Ergo é agressivo no corpo a corpo. Chefes criativos, como a luta em realidades paralelas, mostram o que o jogo poderia ser. Mas a repetição de inimigos e a falta de polimento no combate básico tiram o brilho.

Exploração labiríntica e narrativa fragmentada

Cada portal na Torre Arcana leva a um mundo diferente: uma mansão de fantoches vivos, dungeons abstratas com puzzles de luz, planícies sazonais. Não há mapa, nem seta, nem quest log. Você descobre os caminhos por conta própria, lendo documentos e conectando pistas. Para quem curte desvendar, é um deleite. Para quem quer algo guiado, é frustração pura.

A história é contada por documentos narrados e diálogos em cutscenes estáticas, com personagens congelados que quebram o ritmo. Mas a profundidade do lore e as escolhas que levam a quatro finais diferentes mantêm o interesse. A trilha sonora orquestral faz o trabalho pesado, criando uma atmosfera melancólica e mística.

Remaster técnico: o que melhorou e o que ficou no passado

No PS5, Anima roda em 4K nativo a 60 FPS sem oscilações. As texturas das paredes da mansão de fantoches ganharam relevo, e a iluminação dinâmica faz as sombras dançarem. O carregamento entre portais é quase instantâneo. É o melhor palco possível para um jogo que, visualmente, ainda carrega modelos poligonais simples e animações rígidas.

A direção de arte gótica e surrealista compensa parte disso: cenários como a mansão de fantoches e os mundos sazonais são memoráveis. A trilha sonora orquestral é épica e atmosférica, elevando cada momento. Já a dublagem em inglês varia de competente a fraca, especialmente em personagens secundários. A localização de textos em português do Brasil está presente, mas legendas em português nos diálogos podem não estar em todas as versões.

Perguntas frequentes sobre review Anima Gate of Memories I & II Remaster PlayStation 5

O remaster inclui os dois jogos completos?

Sim. O pacote reúne Anima: Gate of Memories (2016) e The Nameless Chronicles (2018) com todas as suas campanhas e conteúdos.

Tem legendas em português do Brasil?

Há localização de textos em português, mas legendas para os diálogos dublados podem não estar em todas as versões.

Vale a pena para quem nunca jogou os originais?

Sim, se você curte action RPGs com história densa e atmosfera única e não se importa com mecânicas datadas, câmera teimosa e falta de orientação.

Quanto tempo leva para zerar?

A campanha principal leva entre 20 e 30 horas. Para fazer tudo, incluindo segredos e o Verdadeiro Final, pode passar de 50 horas.

O desempenho no PS5 é bom?

Sim. O jogo roda em 4K nativo a 60 FPS estáveis, com carregamentos rápidos. A performance é um dos pontos mais elogiados do remaster.

Nossas recomendações ajudaram você a escolher?

Conheça nossos especialistas

Especialista editorial

Especialista editorial

Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

Equipe de redação

O Quarto Nerd

Produção de conteúdo baseada em análise independente, curadoria especializada e comparação de produtos para apoiar decisões de compra mais claras.

Artigos relacionados

O que você está procurando?

Digite pelo menos 3 caracteres para começar a busca.