A Plague Tale: Requiem no PS5. Beleza de cair o queixo, mas ritmo irregular

Seis meses depois dos eventos do primeiro jogo, Amicia e Hugo de Rune estão de volta, carregando o peso da Mácula e a esperança de uma cura. A Plague Tale: Requiem é uma sequência que promete expandir tudo aquilo que tornou Innocence especial. E entrega muito do que promete, mas não sem tropeços.

Campos ensolarados se estendem até o horizonte, mas o chão é tomado por ratos. Catedrais em ruínas contrastam com o azul do céu. A Asobo Studio caprichou na direção de arte: cada cenário parece uma pintura viva, com iluminação dinâmica e uma quantidade absurda de ratos na tela que impressiona de verdade. Por trás do espetáculo visual, porém, o jogo carrega uma campanha de cerca de 17 capítulos que alterna entre momentos de tensão afiada e passagens arrastadas demais.

Se você jogou Innocence, a estrutura é familiar: furtividade, puzzles de luz e sombra, e uma progressão linear que lembra os trabalhos da Naughty Dog. A diferença está no refinamento dos movimentos de Amicia, nas novas ferramentas e na profundidade emocional da trama. Mas será que isso basta para justificar a jornada? Vamos aos detalhes.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • História emocionante é o forte aqui: a relação entre Amicia e Hugo é o coração do jogo e vale cada minuto.
  • Stealth é prioridade máxima. Combate direto é punitivo e limitado. o jogo incentiva furtividade e uso estratégico do ambiente. Se você prefere ação desenfreada, talvez estranhe.
  • Performance no PS5: prepare-se para 30 FPS com quedas e screen tearing. Não há modo performance, e áreas densas sofrem mais. Se você é sensível a instabilidade técnica, isso pode incomodar.
  • Campanha linear: sem mundo aberto ou exploração livre. Os capítulos são bem desenhados, mas a rejogabilidade é baixa além do New Game+.

1. A Plague Tale: Requiem – PS5 – Aventura stealth cinematográfica

A Plague Tale: Requiem é um daqueles jogos que acertam tanto na atmosfera que dá para relevar boa parte dos defeitos. A história de Amicia e Hugo continua emocionante, com reviravoltas genuínas e um desfecho que divide opiniões. Os gráficos são de cair o queixo. os cenários variam de florestas douradas a cidades medievais sufocantes, e os ratos em massa são um espetáculo técnico. A trilha sonora e a dublagem em inglês (com legendas em português) elevam a imersão. O ritmo, porém, sofre bastante no meio da campanha: capítulos inteiros parecem encher linguiça, com puzzles repetitivos e pouca evolução na trama. A jogabilidade não inova muito em relação ao primeiro jogo. você ainda passa a maior parte do tempo se escondendo, atirando pedras e acendendo tochas. A inteligência artificial dos inimigos é fraca, e o combate corpo a corpo, apesar de ter sido incrementado com a besta e facas descartáveis, ainda é desajeitado. Para o jogador certo, no entanto, Requiem é uma experiência marcante. Se você comprou um PS5 para viver histórias cinematográficas e não se importa com um gameplay mais familiar, vai encontrar aqui um dos títulos mais bonitos da geração. Só esteja ciente de que a performance deixa a desejar. 30 FPS com quedas e screen tearing tiram um pouco o brilho de tanto capricho visual. Ainda assim, é uma jornada que vale a pena para quem se deixar levar pelo drama dos irmãos de Rune.

Prós

  • Narrativa emocionante com personagens bem desenvolvidos
  • Gráficos deslumbrantes e direção de arte impecável
  • Trilha sonora marcante e dublagem de alto nível
  • Sistema de progressão com árvores de habilidades que incentiva diferentes estilos

Contras

  • Ritmo irregular com capítulos intermediários arrastados
  • Mecânicas de jogabilidade pouco inovadoras em relação ao antecessor

Gameplay: mais do mesmo, mas com estilo

Requiem não reinventa a roda: você controla Amicia em terceira pessoa, usando furtividade, alquimia e o ambiente para superar obstáculos. A novidade fica por conta da besta, das facas de uso único e da possibilidade de contra-atacar. Hugo também ganha habilidades especiais que permitem controlar os ratos em certos momentos, quebrando um pouco a monotonia.

Os quebra-cabeças envolvendo luz e ratos se repetem ao longo dos capítulos, e a inteligência artificial dos guardas é previsível. eles caem nos mesmos truques. Combate direto é raro e geralmente termina em morte rápida. A árvore de habilidades. dividida em Prudência, Agressividade e Oportunismo. adiciona uma camada tática, mas não transforma a experiência. É competente, mas não surpreende.

Onde o jogo realmente brilha é nos momentos de espetáculo: uma perseguição em um povoado em chamas, com barris de piche explodindo ao redor; uma fuga desesperada por um campo de ratos enquanto a luz das tochas se apaga; um navio cortando o oceano ao pôr do sol, com a promessa de uma ilha profetizada. Essas cenas carregam tanto peso emocional e visual que você acaba esquecendo dos problemas na jogabilidade.

Narrativa e personagens: o coração da jornada

A história, por outro lado, é o que segura tudo. Amicia e Hugo continuam sendo um dos duos mais bem escritos dos games. A dinâmica entre a irmã protetora e o irmão doente é explorada com maturidade e sem pieguice. O momento em que Hugo usa o poder de controlar ratos para abrir caminho em um acampamento inimigo é poderoso. e mostra como a Mácula pode ser tanto uma maldição quanto uma ferramenta. Os novos aliados, como o alquimista Lucas, adicionam camadas ao enredo, enquanto a ameaça da Mácula e a busca pela ilha profetizada mantêm o suspense.

A campanha tem altos e baixos de ritmo. Os capítulos iniciais e finais são excelentes, mas o meio pode cansar. A linearidade absoluta também tira um pouco a sensação de descoberta. você segue um corredor atrás do outro, com pouca margem para exploração. Ainda assim, quando a trama engrena, é difícil largar o controle. O final, em particular, é corajoso e vai dividir opiniões, mas fecha o arco dos personagens de forma satisfatória.

Desempenho no PS5: beleza com custo

Os cenários de Requiem são de cair o queixo. desde florestas iluminadas pelo sol até cavernas escuras infestadas de ratos. A direção de arte é impecável, com iluminação de tirar o fôlego. Mas a beleza cobra seu preço: o jogo roda a 30 FPS, e mesmo assim sofre com quedas de frame rate e screen tearing em áreas mais densas. A ausência de um modo performance é frustrante, especialmente em um console que promete 60 FPS fluídos.

O uso do controle DualSense é um ponto positivo: o feedback tátil nos passos de Amicia e nos disparos da besta adiciona imersão. Os gatilhos adaptáveis oferecem resistência ao puxar a corda do arco. Mas, para quem prioriza fluidez, a experiência técnica pode decepcionar. Torcemos para que um patch futuro resolva esses problemas, mas no estado atual, é algo a considerar.

Perguntas frequentes sobre review A Plague Tale: Requiem PlayStation 5

Quanto tempo leva para zerar A Plague Tale: Requiem?

A campanha principal dura entre 15 e 20 horas, dependendo do nível de dificuldade e da exploração. Completar todos os colecionáveis e fazer o New Game+ pode estender esse tempo.

A Plague Tale: Requiem tem legendas em português?

Sim, o jogo possui legendas em português do Brasil e menus localizados. A dublagem é em inglês, mas a qualidade da atuação é excelente.

Preciso jogar o primeiro jogo antes?

É altamente recomendado. A história é uma continuação direta de A Plague Tale: Innocence, e os eventos e relacionamentos fazem muito mais sentido se você conhecer o contexto.

O jogo tem multiplayer ou modo cooperativo?

Não. A Plague Tale: Requiem é uma experiência estritamente single-player, focada na narrativa linear.

Nossas recomendações ajudaram você a escolher?

Conheça nossos especialistas

Especialista editorial

Especialista editorial

Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

Equipe de redação

O Quarto Nerd

Produção de conteúdo baseada em análise independente, curadoria especializada e comparação de produtos para apoiar decisões de compra mais claras.

Artigos relacionados

O que você está procurando?

Digite pelo menos 3 caracteres para começar a busca.