Review de Resident Evil Village no PS5: terror gótico, ação e um elenco subaproveitado

A primeira cena de Resident Evil Village é quase caseira. Ethan Winters toma café, Mia mexe no celular, tudo calmo. Até Chris Redfield estourar a porta e atirar na sua esposa. Dali em diante, o jogo não dá respiro. Você é arrastado para um vilarejo europeu congelado, cercado por licantropos uivando e uma atmosfera que mistura o melhor do terror gótico com a ação desenfreada que a série vem abraçando desde RE4.

Se RE7 te cansava com corredores apertados e pouca munição, Village abre o espaço e a cadência. Sequência direta do anterior, o jogo troca o bayou por um mapa semiaberto. A munição é menos escassa, os inimigos vêm em bando e Ethan ganhou novos movimentos: defesa, chute e a possibilidade de usar o cenário. O resultado é um survival horror mais dinâmico, que troca tensão constante por picos de adrenalina.

No PS5, o pacote ganha força extra. O DualSense range a cada disparo, os gatilhos adaptativos tensionam ao mirar e o feedback háptico traduz passos pesados de Lady Dimitrescu no assoalho do castelo. A 60 quadros por segundo firmes, o jogo desfia uma direção de arte caprichada: do castelo gótico à fábrica enferrujada de Heisenberg, cada área tem identidade. Mas a faca tem dois gumes. Os vilões, tão usados no marketing, sumiram rápido demais. Lady Dimitrescu, que virou ícone pop, aparece por cerca de uma hora. É pouco para tanto carisma.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Escolha a edição certa: a Gold Edition inclui a expansão Shadows of Rose e o modo terceira pessoa, ideal para quem quer mais conteúdo ou não curte primeira pessoa.
  • Teste sua preferência por terror versus ação: Village é mais intenso em combate do que RE7; se você prefere sustos lentos e claustrofobia, talvez estranhe o ritmo.
  • Aproveite o PS5: o suporte ao DualSense e a performance a 60 fps fazem diferença real; no PS4 o jogo também roda bem, mas perde a imersão tátil.
  • Considere a duração: a campanha principal leva cerca de 10 horas; com extras e o modo Mercenários, chega a umas 13. Se busca um jogo longo para semanas, pode achar curto.

1. Resident Evil Village (PS5) – Survival horror com mais ação e cenários variados

Resident Evil Village é um acerto ousado da Capcom. Ele pega a base de RE7, expande o combate, areja os cenários e entrega uma aventura que equilibra ação e terror melhor do que qualquer título recente da série. A abertura é um soco no estômago: a vila sendo devastada por licantropos, portas sendo arrombadas, você correndo atrás de munição. O DualSense torna cada tiro visceral: a espingarda estrala nos ombros, a pistola trepida na mão. É um daqueles jogos que pede headset e luz apagada. O calcanhar de Aquiles são os lordes. Lady Dimitrescu, Heisenberg, Moreau e Donna Beneviento são apresentados com personalidade, mas cada um recebe menos de duas horas de tela. Você termina o castelo querendo mais da Lady, mas o jogo já te empurra para o próximo bioma. A campanha, de cerca de 10 horas, passa rápido demais. Para quem vem de RE7, a troca de horror lento por ação mais solta pode decepcionar. Ainda assim, quando Village engrena, seja enfrentando o mutante na fábrica ou fugindo de bonecas na casa de Donna, ele lembra por que a franquia é referência.

Prós

  • Gráficos deslumbrantes com iluminação volumétrica e direção de arte impecável
  • Uso do DualSense transforma a imersão: gatilhos adaptativos e feedback háptico de primeiríssima
  • Variedade de cenários e inimigos: castelo, pântano, fábrica, casa de bonecas. cada área tem seu próprio terror
  • Combate fluido com opções de defesa, chute e crafting que lembram o melhor de RE4
  • Dublagem em português bem-feita, com expressões regionais que encaixam no tom

Contras

  • Vilões icônicos subaproveitados: aparecem por apenas uma ou duas horas, deixando vontade de mais
  • Campanha principal curta: ~10 horas, o que pode deixar quem busca um jogo longo insatisfeito

Combate e exploração: mais RE4 do que RE7

Se RE7 era sobre sobreviver em corredores apertados com três balas, Village escancara as portas. O vilarejo central funciona como um hub que conecta quatro áreas temáticas, cada uma comandada por um lorde. Você pode voltar para explorar cantos que deixou para trás, caçar animais para cozinhar receitas que dão bônus permanentes, ou simplesmente gastar as moedas com o Duque, o mercador mais carismático da série. O combate ganhou uma camada tática: Ethan pode aparar ataques e aplicar um chute que cria distanciamento. Itens quebráveis no cenário (barris, caixas) rendem recursos sem precisar equipar faca. E o inventário estilo maleta de RE4 força escolhas: levo mais munição ou aquela erva rara?

Cada lorde oferece um tipo de desafio. Lady Dimitrescu persegue você por salões ornamentados com suas filhas, exigindo jogo de gato e rato. Heisenberg aposta em combate direto com engrenagens e metal retorcido. Donna Beneviento entrega um terror psicológico silencioso, com bonecas e uma sequência de arregalar os olhos. Moreau é o mais fraco, uma luta de chefe aquática que não empolga. A progressão lembra um Metroidvania leve: você ganha ferramentas que destrancam novos caminhos na vila. É uma estrutura que incentiva voltar atrás, mas o jogo é tão curto que você mal sente o gosto da exploração completa.

Performance e imersão no PS5

Rodando a 60 quadros por segundo com resolução dinâmica, Village no PS5 é liso. A iluminação volumétrica e os reflexos em tempo real dão vida ao castelo gelado e aos pântanos podres. Mas o grande trunfo é o controle: cada arma se comporta de forma única nos gatilhos adaptativos. A pistola tem um meio-termo, a espingarda exige mais força, a metralhadora vibra em disparos contínuos. O feedback háptico traduz passos, impactos e até a chuva. Não é exagero dizer que o DualSense transforma a experiência: você sente o peso de cada tiro. Para quem tem um headset com som 3D, a imersão sobe mais um degrau: licantropos uivam atrás, portas estalam à direita, o coração de Ethan acelera. Não perca essa camada.

Vale notar que a versão PS4 também roda bem, mas perde os 60fps (fica em 30) e o suporte háptico completo. A Capcom oferece upgrade gratuito de PS4 para PS5 digital, então se você encontrar a versão de PS4 mais barata, pode comprar sem medo. desde que tenha o disco ou o código digital.

Perguntas frequentes sobre review Resident Evil Village PlayStation 5

Quanto tempo dura Resident Evil Village?

A campanha principal leva cerca de 10 horas. Se fizer todas as sidequests e explorar bem, chega a umas 13. Para o 100% incluindo modo Mercenários, prepare-se para umas 39 horas.

Precisa jogar Resident Evil 7 antes?

Não é obrigatório, mas ajuda. O jogo inclui um resumo opcional em português dos eventos de RE7. A história segue direto, então quem pulou o anterior pode estranhar algumas referências, mas dá para aproveitar do mesmo jeito.

Tem dublagem em português?

Sim, e é a primeira vez na franquia. A dublagem é caprichada, com expressões populares que encaixam no tom, sem soar forçada.

O jogo roda a 60 fps no PS5?

Sim, mantém 60 quadros por segundo estáveis durante toda a campanha, com carregamento rápido. A versão PS4 fica em 30 fps.

Vale a pena comprar a Gold Edition?

Se você quer mais conteúdo, sim. A Gold Edition inclui a expansão Shadows of Rose (umas 3-4 horas extras) e o modo terceira pessoa, que muda completamente a perspectiva. Para quem já joga o base, a expansão é vendida separadamente.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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