Review The Raven Remastered no PS4: mistério clássico com alguns passos lentos

A pena de corvo no chão do Museu Britânico. Zellner a examina, e você já sabe: o ladrão fantasma voltou. The Raven Remastered recria o clima de suspense, com direito a trem, navio e Cairo, e uma trama que bebe direto de Agatha Christie. Mas, entre um interrogatório e outro, o jogo também lembra que já se passaram mais de dez anos.

Lançado em 2013 como The Raven: Legacy of a Master Thief, essa versão para PS4 prometia texturas em HD e iluminação repaginada. O resultado é modesto: os personagens ainda sofrem do vale da estranheza, e a movimentação do protagonista parece pedir um café antes de cada passo. Para quem aceita o ritmo, por trás dessa fachada datada está um dos mistérios mais bem amarrados do gênero.

Nos primeiros minutos, você está revirando gavetas no Expresso do Oriente, ouvindo suspeitos trocarem olhares enquanto Zellner anota contradições no caderninho. É uma rotina que agrada quem cresceu com Monkey Island e Broken Sword, mas que cansa quem busca adrenalina. A pergunta: a história segura o tranco quando os puzzles pedem paciência?

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Paciência é chave: o jogo é lento e não tem opção de correr. Espere ritmo contemplativo.
  • Foco em narrativa: a diversão está em desvendar o mistério, não em ação ou reflexos.
  • Puzzles lógicos: sem 'moon logic'. os quebra-cabeças fazem sentido dentro do contexto.
  • Remaster leve: os gráficos melhoraram, mas ainda carregam traços da geração passada.
  • Ideal para fãs de point-and-click clássicos e tramas de detetive.

1. The Raven Remastered para PlayStation 4 – Aventura point-and-click detectivesca

The Raven Remastered é um convite para quem sente falta dos point-and-click de outrora. O roubo do rubi Olhos da Esfinge, uma pena de corvo como assinatura. O detetive Anton Jakob Zellner, uma mistura de Poirot e Holmes, embarca no Expresso do Oriente. Você interroga suspeitos, revira bagagens, combina pistas. Depois vem o navio de cruzeiro, depois o Cairo. Três capítulos bem amarrados, com reviravoltas que realmente surpreendem. A dublagem em inglês é de primeira, e a trilha orquestral dá o tom certo de suspense clássico. Mas o remaster é tímido. Texturas em HD, iluminação melhorada, sim. Mas os modelos dos personagens e as animações faciais ainda parecem de 2013. A movimentação do Zellner é absurdamente lenta. sem corrida, e isso irrita em momentos que pedem urgência. As câmeras fixas, herança do design original, às vezes escondem interações. E alguns bugs de clipping e loading demorados permanecem, como lembranças de que o jogo já tem mais de dez anos. Ainda assim, para o público certo, The Raven Remastered entrega: um mistério inteligente, personagens bem escritos, quebra-cabeças justos. O sistema de dicas (que afeta a pontuação final) é um acerto, e a possibilidade de jogar com diferentes personagens no capítulo final dá uma camada extra de perspectiva. Se você cresceu amando aventuras gráficas e não se importa com um ritmo mais contemplativo, aqui tem diversão de sobra. Só não espere uma revolução técnica.

Prós

  • História envolvente com reviravoltas bem construídas
  • Dublagem e trilha sonora de alto nível
  • Quebra-cabeças lógicos e justos, sem 'moon logic'
  • Múltiplas perspectivas ao longo dos três capítulos
  • Melhoria visual modesta, mas bem-vinda (iluminação, texturas)

Contras

  • Movimentação extremamente lenta, sem opção de correr
  • Remaster superficial: muitos problemas técnicos do original persistem

O que esperar de The Raven Remastered

Se você nunca jogou um point-and-click, o tempo aqui corre diferente. Cada ambiente precisa ser vasculhado, cada personagem interrogado. O caderno de anotações do Zellner registra pistas e perfis, e você pode pedir dicas a qualquer momento. mas isso reduz sua pontuação final. Um sistema que incentiva a observação sem punir quem emperra.

O jogo é dividido em três atos: Olho da Esfinge, Ancestry of Lies e A Murder of Ravens. O primeiro se passa no Expresso do Oriente, o segundo em um navio, o terceiro no Cairo. No último capítulo, a perspectiva muda: você controla Patricia, uma personagem com motivações próprias. Essa alternância expande a trama sem perder o foco.

Os puzzles não apelam para a lógica maluca de jogos antigos. Combinar itens do inventário e interagir com o cenário faz sentido dentro da história. Nada de usar um pato de borracha em uma fechadura eletrônica. A dificuldade é moderada, e a progressão recompensa mais a atenção do que a tentativa e erro.

Veredito

The Raven Remastered divide opiniões. Quem aprecia narrativa densa e quebra-cabeças lógicos vai se sentir em casa. Quem busca ação ou ritmo acelerado, vai se frustrar. O remaster é tímido, mas o conteúdo principal continua sólido. Se você topa um ritmo mais lento em troca de um bom mistério, vale a pena.

Perguntas frequentes sobre review The Raven Remastered PlayStation 4

Quanto tempo dura The Raven Remastered?

A campanha principal leva aproximadamente 10 horas para ser concluída, dependendo do seu ritmo de exploração e da quantidade de dicas utilizadas.

O jogo tem suporte a legendas em português?

Não, a versão para PS4 conta apenas com dublagem em inglês e legendas em outros idiomas, como espanhol e francês. Não há legendas em português do Brasil.

Vale a pena para quem não é fã de point-and-click?

Provavelmente não. A jogabilidade lenta e a ênfase em diálogos podem frustrar quem busca ação ou ritmo acelerado. É um jogo feito para apreciadores de narrativa e mistério clássico.

O remaster é muito diferente do original de 2013?

As melhorias são modestas: iluminação e texturas em HD, animações de cabelo e alguns ajustes. A experiência central é a mesma, com os mesmos bugs e limitações técnicas.

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Especialista editorial

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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