Você abre o deck, seleciona três cartas, encaixa os números. Se a soma bater, o dano explode. Se o elemento for oposto, zero, e o turno foi perdido. É assim que Baten Kaitos I & II HD Remaster começa a mostrar sua cara: um JRPG que troca o ataque automático por um quebra-cabeça em tempo real. Originalmente lançado para GameCube, o pacote reúne dois jogos da Monolith Soft que marcaram pela ousadia. Agora no Nintendo Switch, a coleção chega com texturas retocadas, suporte widescreen e uma penca de recursos de qualidade de vida.
Mas não se engane: isso não é um remake. É a mesma experiência de 2003 e 2006, com tudo que isso implica, o ritmo lento, os cenários pré-renderizados, a ausência de dublagem em inglês. Se você procura um JRPG que experimenta, com um sistema de cartas que exige estratégia e reação, é aqui. Se a paciência para sistemas datados for curta, talvez o melhor seja buscar outro voo.
Foram muitas horas vasculhando ilhas flutuantes, montando combos e fotografando monstros para vender as imagens. A experiência equilibra nostalgia e frustração na medida certa. Para descobrir se o pacote vale para você, é melhor entender como esse equilíbrio funciona.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- O combate com cartas Magnus é original, mas exige atenção: a ordem e os elementos importam. Se você gosta de sistemas estratégicos, vai se divertir; se prefere ação direta, pode cansar.
- O primeiro jogo demora a engrenar: o protagonista Kalas começa antipático e a trama só pega fogo depois de algumas horas. Tenha paciência.
- Não há dublagem em inglês, só japonês com legendas em português e inglês. Se você se incomoda com legendas, isso pode ser um empecilho.
- Cada jogo passa das 50 horas. Juntos, são mais de 100 horas de conteúdo, com missões secundárias e segredos. Ideal para quem busca um RPG longo.
- Os gráficos são datados: cenários pré-renderizados com texturas retocadas, mas que ainda mostram a idade. Se o visual moderno é prioridade, melhor olhar outro título.
1. Baten Kaitos I & II HD Remaster (Nintendo Switch). Dois RPGs clássicos em um pacote remasterizado
Fonte: Amazon.com.brBaten Kaitos I & II HD Remaster (English)
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Baten Kaitos I & II HD Remaster é um presente para quem sente falta dos JRPGs que ousavam experimentar. O combate com cartas Magnus é o grande destaque: você constrói decks para cada personagem, combina elementos e números para causar dano máximo, e precisa reagir em tempo real para se defender. No primeiro jogo, ainda tem a mecânica de fotografar inimigos e cenários para gerar cartas e dinheiro. O sistema de evolução também é diferente: não se ganha experiência em batalhas; você acumula pontos e os entrega em igrejas para subir de nível. É peculiar, mas funciona. Os recursos de qualidade de vida salvam a experiência. Dá para desligar encontros aleatórios, acelerar a batalha em até 300%, pular cutscenes e até usar um golpe que derrota inimigos fracos de uma vez. O auto-battle, porém, é atrapalhado: ele ignora a lógica elemental e gasta cartas à toa. Melhor controlar tudo manualmente. Visualmente, o remaster caprichou nos cenários pré-renderizados e nos menus redesenhados, mas alguns efeitos de névoa chamam mais atenção do que deveriam. A trilha sonora é excelente e segura a atmosfera. A ausência de dublagem inglesa é sentida, mas as legendas em português brasileiro estão presentes. A versão para PlayStation 5 não teve dados de performance divulgados; espera-se rodar de forma estável, mas não há confirmação oficial. Se você ama JRPG e quer algo diferente, é um prato cheio.
Prós
- Sistema de combate com cartas criativo e estratégico, raro no gênero
- Dois RPGs completos com mais de 100 horas de conteúdo
- Recursos de qualidade de vida modernizam a experiência (speed, one-hit kill, auto-save)
- Trilha sonora marcante e mundo bem construído
Contras
- Sem dublagem em inglês (apenas japonês com legendas)
- Primeiro jogo tem início lento e protagonista antipático
O combate de cartas que define a série
Na batalha, a tela se divide. Você vê o inimigo, as cartas na mão e o medidor de turno. Escolha três cartas, arraste para a sequência. Se os números formarem um par, dano extra. Se o elemento for contrário ao do inimigo, o ataque anula. O Espírito Guardião, seu papel no jogo, sussurra dicas, mas a decisão é sua. É um sistema que exige atenção e planejamento rápidos, e que recompensa quem decora as fraquezas dos monstros.
No primeiro jogo, Eternal Wings and the Lost Ocean, você ainda pode fotografar inimigos e cenários para gerar novas cartas ou vender por dinheiro. É uma mecânica bizarra que funciona. Já Origins, a prequela, refina o combate e torna tudo mais fluido. A progressão também foge do padrão: não ganha EXP em batalhas; você acumula pontos e depois os entrega em igrejas para subir de nível. Parece estranho, mas funciona como um sistema de banco de experiência.
Para aliviar a repetição, os recursos de qualidade de vida são uma mão na roda. Dá para ativar a velocidade 3x, desligar encontros aleatórios, pular cutscenes e até usar um golpe instantâneo em inimigos fracos. O auto-battle, porém, é atrapalhado: ele ignora a lógica elemental e gasta cartas à toa. Na prática, você vai preferir jogar no controle manual.
Narrativa e ambientação: dois lados da mesma moeda
As histórias de Baten Kaitos são típicas de JRPG: mundo flutuante, império corrupto, protagonistas em busca de vingança ou justiça. O primeiro jogo segue Kalas, um jovem amargurado que inicialmente soa arrogante e difícil de engolir. A trama demora a aquecer, mas quando engrena, os personagens e reviravoltas seguram o interesse. Já Origins começa mais forte, com Sagi como protagonista mais simpático e uma narrativa mais coesa.
O mundo é o ponto alto: um arquipélago de ilhas flutuantes com cidades, florestas e ruínas, tudo conectado por cenários pré-renderizados. A direção de arte compensa a idade dos gráficos. A trilha sonora, composta por Motoi Sakuraba, é magnífica e dá peso aos momentos emocionais. Se você valoriza música em jogos, vai se deliciar.
Para quem este remaster faz sentido?
O público-alvo claro são fãs de JRPG dos anos 2000 que sentem falta de experimentação mecânica. Se você jogou os originais no GameCube e quer reviver com qualidade de vida e resolução melhorada, é compra certeira. Quem nunca jogou mas adora sistemas de batalha diferentes (como em Lost Kingdoms ou Kingdom Hearts: Chain of Memories) também vai se sentir em casa.
Por outro lado, jogadores que não toleram ritmo lento, que precisam de dublagem em inglês ou que esperam gráficos modernos vão se frustrar. O jogo não esconde que é um remaster mínimo: não há reformulações, apenas texturas retocadas, widescreen e os novos recursos. Para quem não tem paciência, há opções mais modernas e polidas no mercado.
Perguntas frequentes sobre review Baten Kaitos I & II HD Remaster Nintendo Switch
Baten Kaitos I & II HD Remaster tem dublagem em português?
Não. O áudio é apenas em japonês, com legendas em inglês e português brasileiro (confirmado por fontes oficiais).
Quanto tempo dura cada jogo?
Cada um tem cerca de 50 horas na campanha principal. Se fizer tudo, pode chegar a mais de 100 horas no total.
O combate é difícil de aprender?
O sistema de cartas tem uma curva de aprendizado, mas o jogo ensina aos poucos. A parte mais desafiadora é gerenciar os elementos e a ordem das cartas.
Vale a pena para quem nunca jogou os originais?
Sim, se você gosta de JRPG com mecânicas únicas e não se importa com ritmo mais lento e gráficos datados. É uma experiência que envelheceu bem no que importa.
