Review Assassin’s Creed Mirage Deluxe Edition: de volta às origens, com alguns tropeços

Correr pelos telhados da Cidade Redonda ao pôr do sol, usar a águia Enkidu para marcar guardas e eliminar um alvo em meio a uma multidão de peregrinos: isso é Assassin's Creed Mirage. A Ubisoft Bordeaux ouviu os pedidos por um retorno às raízes e entregou um jogo mais enxuto, focado em furtividade, parkour e assassinatos em uma Bagdá do século IX deslumbrante. Mas o combate raso e uma trama que amarra demais com Valhalla podem frustrar quem busca uma experiência autônoma.

Testamos a Deluxe Edition no PS4, que vem com extras cosméticos e mídia digital. A pergunta que fica: essa volta ao passado funciona ou é só nostalgia? Vamos aos detalhes.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Mirage não é um RPG de ação. Aqui você vai pular, se esconder e usar ferramentas, não enfrentar exércitos. Se seu negócio é combate direto e árvores de habilidades, o jogo pode frustrar.
  • A campanha leva entre 15 e 20 horas, até 30 para completistas. Perfeito para quem não tem tempo para jogos de 100 horas, mas pode ser curta demais para quem quer um mundo aberto gigantesco.
  • A Deluxe Edition inclui cosméticos de Prince of Persia (armas, skin, montaria), livro de arte digital e trilha sonora. Se você não liga para extras, a Standard já entrega o jogo completo.
  • A história é uma prequência de Valhalla. Se você não jogou Valhalla, o final pode soar confuso. Recomendo ao menos ler um resumo do Basim naquele jogo.
  • A ambientação é o grande trunfo: Bagdá é viva, vertical, com mercados, mesquitas e palácios. Mesmo no PS4, o visual impressiona, e a dublagem em árabe mergulha você na época.

1. Assassin's Creed Mirage Deluxe Edition para PlayStation 4: retorno às origens com foco em furtividade e parkour

Em uma missão típica, você está num telhado observando um mercado movimentado. Marca os guardas com Enkidu, usa uma bomba de fumaça para despistar, ativa o Foco do Assassino e elimina três inimigos em sequência. Esse é o coração de Mirage: planejamento e execução. A cidade de Bagdá é um personagem à parte. cada distrito tem sua alma, os NPCs reagem, e a verticalidade convida a explorar cada beco. O parkour flui bem na maioria das vezes, embora não atinja o refinamento de Unity. O combate direto? Evite. Basim não aguenta porrada, e o sistema de parry é básico. Felizmente, as ferramentas (dardos de sono, facas, bombas, especiarias) dão muitas opções. A progressão é simplificada, sem árvore gigante, e o stealth recompensa paciência. A Deluxe Edition adiciona cosméticos de Prince of Persia, livro de arte e trilha sonora digital. Para fãs saudosistas, é um prato cheio. Mas atenção: a história depende muito de Valhalla, e o final pode deixar novatos confusos.

Prós

  • Bagdá é viva, vertical e linda. dá vontade de explorar cada telhado.
  • Stealth recompensador com ferramentas criativas e assassinatos Black Box.
  • Campanha enxuta (~15-20h) sem filler, ideal para quem quer algo direto.
  • Deluxe Edition agrega cosméticos legais e mídia digital extra.

Contras

  • Combate corpo a corpo é genérico e punitivo; melhor correr.
  • História dependente de Valhalla; novatos ficam perdidos no final.

Jogabilidade: furtividade em primeiro lugar

Você não é um guerreiro. Em Mirage, enfrentar vários inimigos de frente é suicídio. A graça está no planejamento: as missões 'Black Box' oferecem múltiplos caminhos para eliminar o alvo. Infiltre-se por becos, suborne guardas com tokens de contratos, use a águia Enkidu para marcar inimigos ou espere o momento certo e desfira o golpe. O sistema de notoriedade aumenta se você cometer crimes às claras, e fugir pelos telhados com bombas de fumaça vira rotina.

As ferramentas são o destaque: dardos de sono, facas de arremesso, bombas de fumaça e sacos de especiarias. Cada uma pode ser usada de forma criativa. O Foco do Assassino, que elimina até cinco inimigos em sequência, é um deleite. O problema? O combate corpo a corpo é genérico e punitivo. Se for pego em confronto aberto, correr é a melhor estratégia. Basim não tanka dano e o parry é básico demais para lutas longas.

Mundo e ambientação: a estrela do espetáculo

Bagdá não é só cenário bonito. ela respira. Os quatro distritos (Karkh, Cidade Redonda, etc.) têm arquitetura única, sons de mercado, chamadas para oração e NPCs que reagem às suas ações. Subir nos telhados e observar a cidade com o sol poente é um daqueles momentos de parar e apreciar. A Ubisoft Bordeaux caprichou na representação cultural: diálogos em árabe e referências históricas enriquecem a imersão.

O mapa é compacto, mas vertical: ruas estreitas, vielas, palácios e mesquitas. O parkour funciona bem na maior parte, com transições suaves entre paredes e varandas. Em alguns pontos, porém, o personagem hesita ou gruda em arestas erradas. nada que estrague a experiência, mas perceptível para quem jogou Unity. A águia Enkidu ajuda na exploração, mas às vezes torna o reconhecimento automático demais.

História e personagens: saudosismo com amarras

A trama acompanha Basim Ibn-Ishaq, um ladrão de rua que se junta aos Ocultos e ascende a Mestre Assassino. A narrativa é concisa e bem ritmada, sem os fillers dos RPGs recentes. O problema é que ela depende demais de Valhalla: Basim é um personagem importante naquele jogo, e Mirage amarra os pontos. Se você não jogou Valhalla, o final soa anticlimático e confuso. Os personagens secundários são fracos, os diálogos rasos. A nostalgia pelo primeiro AC é forte, mas falta profundidade para a história ser memorável por conta própria.

Ainda assim, a jornada tem seus momentos: a relação com a mentora Roshan, os contratos nos escritórios dos Ocultos, a evolução de ladrão a assassino. O ritmo é ágil, sem missões paralelas desnecessárias. Para quem quer uma história de origem focada, funciona. Para quem espera um épico emocionante, decepciona.

Perguntas frequentes sobre review ASSASSIN'S CREED MIRAGE Deluxe Edition PlayStation 4

Precisa jogar Valhalla antes de Mirage?

Não é obrigatório, mas Mirage é uma prequência focada em Basim, personagem importante em Valhalla. Se você não jogou Valhalla, o final pode ser confuso e algumas referências passam batido. Vale ao menos ler um resumo do Basim em Valhalla para aproveitar melhor.

Vale a pena pagar mais pela Deluxe Edition?

Sim, se você curte cosméticos e extras. A Deluxe inclui pacote inspirado em Prince of Persia (armas, skins, montaria), livro de arte digital e trilha sonora. Para fãs, agrega valor. Se só quer o jogo base, a Standard já basta.

O jogo roda bem no PlayStation 4?

Sim, a versão de PS4 está estável após patches, com boa taxa de quadros e gráficos bonitos. Raros bugs foram relatados, e a cidade de Bagdá carrega rápido. Para um console da geração passada, é uma adaptação competente.

Quantas horas dura Assassin's Creed Mirage?

A campanha principal leva entre 15 e 20 horas. Para completar tudo (coletáveis, contratos secundários, conquistas), chega a 30 horas ou um pouco mais. É um jogo curto para os padrões atuais, mas justo pelo foco na qualidade.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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