Crítica | Bob Esponja tem uma mensagem linda, mas demora para passar

Crítica | Bob Esponja tem uma mensagem linda, mas demora para passar

Bob Esponja é um clássico na vida de todo mundo, e não poderia ser diferente. Criado por Stephen Hillenburg em maio de 1999, a esponja amarela que vive na Fenda do Biquini com seu caracol de estimação e trabalha no Siri Cascudo consegue sempre arrancar uma risada, principalmente da criançada que adora passar horas assistindo TV – ou melhor, pelos serviços de streaming hoje em dia. E faz sentido anos depois a gente continuar a assistir Bob Esponja Calça Quadrada e seus outros amigos, as aventuras são sempre muito engraçadas.

E hoje, dia 05 de novembro de 2020, chegou a Netflix, Bob Esponja: O Incrível Resgate, mais uma história para a turma da Fenda do Biquini viver e nos presentear com risadas e emoções. E o mais legal de tudo é que, assim como o filme de 2015, o mundo da esponja amarela se mistura com a dos seres humanos para uma história de muita divertida. O filme é distribuído pela Paramount Animation, e este marcaria o retorno do Bob Esponja para as telas do cinema. Mas, claro, por conta da pandemia os planos mudaram e agora ele está disponível na Netflix.

Distribuição: Paramount Animation, United Plankton Pictures, Nickelodeon Movies, Nickelodeon Animation Studios.

O filme começa como qualquer outro do Bob Esponja, mostrando a ilha no mar onde nas profundezas a gente encontra a Fenda do Biquini. Conseguimos conhecer – ou lembrar – cada um dos integrantes da vida de Bob. Patrick Estrela, Lula Molusco, Sr. Sirigueijo, Sandy, Gary e claro, Plankton. Aprendemos também sobre os lugares por onde Bob passa a maior parte de seu tempo, sua casa em formato de abacaxi e o Siri Cascudo, onde faz os famosos hambúrgueres de siri. 

Em Bob Esponja: O Incrível Resgate, entendemos um pouco mais afundo a história de como Bob Esponja conheceu Gary, seu caracol de estimação, e como rapidamente viraram melhores amigos. Claro, é impossível pensar no Bob Esponja sem lembrar do Gary, porque assim como com o Patrick, ele o Gary também são inseparáveis. Mas também mostra o Plankton com mais um de seus inúmeros planos para roubar a tão desejada fórmula do hambúrguer de siri. 

Mas agora é diferente! A sua esposa faz Plankton perceber que o personagem que sempre atrapalha os seus planos é na verdade o Bob Esponja, e não o Sr. Sirigueijo, como sempre acreditou e como sempre vemos, seja em filmes ou em episódios do desenho. E então Plankton começa a bolar um plano contra a esponja amarela mais querida de todas. E é justamente neste momento em que começa as aventuras do filme – que é claro, não vamos dar spoilers nenhum para vocês – mas faz a gente ver um lado sensível até do maior vilão da Fenda do Bikini. 

E é essa a premissa do filme. Ele nos mostra a importância de uma amizade verdadeira, e como o amor é capaz de mover montanhas para que tudo fique bem e dê certo no final. E a mensagem é muito bem passada. Com alguns novos personagens, que dão sentido a história, passamos a entender que além de uma amizade verdadeira, as aparências não importam quando o sentimento é verdadeiro – e que na verdade, não deveriam importar jamais – e que nunca estaremos sozinhos no mundo.

Distribuição: Paramount Animation, United Plankton Pictures, Nickelodeon Movies, Nickelodeon Animation Studios.

Mas nem tudo é perfeito. O filme tem uma hora e meia de duração e trabalha bem com a mensagem que quer passar, mas enrola bastante com os acontecimentos para chegar no seu objetivo final. Em alguns momentos até faz com que você queira desistir de assistir – mas a curiosidade de saber se tudo vai dar certo ou não nos prende na história. E, diferente das demais animações, a trama traz algumas músicas que fazem tudo ficar mais legal, até porque algumas são cantadas por vozes como Snopp Dog e JBalvin, mas foge muito de um musical. Mas, por Bob Esponja ser um personagem tão icônico e famoso por sempre nos arrancar umas risadas, deixa bastante a desejar. 

Veja também: Crítica | Jovens Bruxas: Nova Irmandade é uma releitura interessante, que deixa o terror de lado, mas que se perde no terceiro ato.

Em outros momentos do filme, ficamos na dúvida se aquela cena realmente fazia parte do roteiro, ou se são cenas apenas para tapar buracos, já que o filme é repleto de momentos desnecessários – talvez são cenas incluídas apenas para preencher o tempo necessário para uma animação ser feita. Mas, por outro lado, é impossível não querer conhecer mais uma das aventuras dessa turminha tão amada do fundo do mar. Se a mensagem passada não fosse tão importante e especial – o que traz a grande emoção do meio pro final do filme – seria melhor nem investir tempo e dinheiro para esta produção.

Esta história é mais uma daquelas que colocamos quando não tem mais nada para ver, ou quando já esgotamos tudo no catálogo e estamos esperando as renovação de alguma série que amamos. Isso porque as risadas deixam a desejar, apesar de a mensagem passada ser sim bonita e muito importante. Para o público – na sua maior parte infantil – que não conhece o Bob Esponja, o filme pode ser sim uma grande introdução para o que é a série e os demais filmes, e a base de todas as aventuras desta turma. Mas, para quem já conhece a Fenda do Bikini, a sensação de que falta algo a mais é inevitável, e é por isso que este filme não é o melhor já produzido.


Crítica Bob Esponja: O Incrível Resgate

Roteiro: Tim Hill
Direção: Tim Hill
Nota: 3,0

Avaliação: 3 de 5.
Camila Scovoli
Redatora do QN. Apaixonada pela cultura pop. Não vivo sem música, clipes e documentários sobre música. Amo conversar sobre as teorias dessa indústria. Alexa, play 5 Seconds of Summer.